Em 07/01/2012 às 18h08 | Atualizado em 27/07/2018 às 17h22

Maria Lúcia desiste de disputar novas eleições. Duas análises sobre esta decisão

A ex-prefeita de Cataguases e ex-deputada estadual, Maria Lúcia Mendonça, revelou na manhã do dia 24 de dezembro de 2011, durante entrevista por telefone ao radialista Gomes, que comanda um programa de variedades na rádio Mais FM, que não vai mais se candidatar a qualquer cargo eletivo. O motivo alegado por ela seriam compromissos que ainda precisam ser cumpridos, mas, entretanto, garantiu sua presença na vida política cataguasense através, segundo afirmou, “de uma atuação junto com o meu Partido (DEM)”.
A decisão de Maria Lúcia Mendonça de não mais se candidatar a cargo eletivo merece ser analisada criteriosamente, sem paixões, nem tampouco rancor. Maria Lúcia foi alçada ao meio político em 1989, pelo então prefeito Paulo Schelb, que a nomeou Secretária Municipal de Educação, onde permaneceu quatro anos e, após a eleição de Tarcísio Filho, sucessor de Paulo Schelb, por mais dois anos, quando foi exonerada por causa de divergências políticas referente à sucessão em Minas. Em 1996, ela surge como candidata a Prefeita pelo então PFL, surpreendendo a população e agitando aquela sucessão. Desde então, passou a exercer um papel importante no cenário político cataguasense. Para analisar esta sua decisão o Site do Marcelo Lopes ouviu o jornalista e consultor em Marketing Político, João Henrique Faria, que trabalhou em duas campanhas de Maria Lúcia e o atual vereador e presidente do PT em Cataguases, Vanderlei Pequeno que, à época em que ela foi eleita Prefeita de Cataguases com o apoio do PT local, fazia parte da minoria que foi contra esta decisão do Partido.
Para João Henrique a afirmação feita por Maria Lúcia de que não será candidata a nenhum cargo eletivo é “a mais pura verdade. Mas acredito que este não seja o único motivo de ela não se candidatar. Temos aí uma votação do “ficha limpa” ou “suja”, como queiram. Temos também, da parte dela, um reinício com outra atividade, agora comercial e que, pelo que tenho visto e ouvido, vem dando muito certo”.
“Creio que nada seja alterado com a saída de Maria Lúcia tendo em vista que ela não sai da cena política. Maria Lúcia foi secretária de Educação em Cataguases por seis anos, quatro em um governo e dois em outro. Ela disputou 6 eleições. Perdeu a primeira, como iniciante, por pouco mais de 1.500 votos (13.809 a 12.246), para ninguém menos que Paulo Schelb (1996), que já havia sido prefeito e teve o apoio do Tarcísio Henriques que, segundo dizem, naquele ano queria apoiar a Joana (PT), mas como o vice da Joana era o professor Elmo, o Humberto Resende teria recusado e ele acabou apoiando o Paulo Schelb. Também segundo apurei, a Joana não queria ganhar a prefeitura, porque era suplente de Deputado Federal e era certo que assumiria a vaga.”
“Maria Lúcia ganhou a eleição seguinte (2000) para prefeito (16.798 votos), primeira eleição em que era permitida a reeleição, e seu adversário principal era o então prefeito Paulo Schelb, que teve 12.829 votos (quase 4 mil votos a menos que Maria Lúcia). Depois perdeu na reeleição (2004). Volta em 2006 como Deputada Estadual e, já em um inferno astral político, perde duas seguidas (2008 e 2010). Esse histórico, por si, independente do momento, mostra a força que Maria Lúcia já teve e um espólio que ainda mantém, suficiente para aumentar o cacife de um candidato a prefeito que tiver seu apoio. Sua administração como prefeita, porém, não tenho como avaliar com propriedade. Sei apenas que foi muito conturbada, com possibilidade de impeachment, sem apoio da Câmara Municipal, troca de secretariado muito rápida, enfim. Mas não acompanhei. O problema: nem sempre fazer aquilo que queria. Ou seja, muitas vezes se deixar influenciar por conselhos ruins. Faz parte do isolamento, da solidão provocada pelo poder. Qualquer poder.”
“Se ela foi um fenômeno eleitoral?, eu diria sim e não. Ela teve a sorte de o Tarcísio fazer um governo muito ruim. (Sorte que também teve o Willian, pois em 2008 a disputa era com ela e com o Tarcísio, ambos muito desgastados. Isso merece uma análise maior, que fica pra outra hora. Cesinha era um candidato fadado a ter 8 mil e poucos votos. Sem chance de crescimento. Bastava somar os votos dele e Dr. Pedro em 2004 e aplicar um crescimento inercial de 5%, tendo em vista que são eleitores fiéis (ou pelo menos eram). Deu isso: de 8.103 votos dos dois em 2004 para 8.559 em 2008.)”
“Maria Lúcia se aproveitou da má avaliação da administração Tarcísio Henriques e de uma campanha com foco no voto localista (‘É da terra, é do povo’ foi o slogan que criei para a campanha dela a Deputada Estadual com foco em Cataguases). Naquela época, Maria Lúcia tinha uma equipe. Assim que tomou posse a coisa começou a desmoronar, já na montagem do Gabinete. E sua passagem pela Assembleia foi tumultuada por processos seguidos, sempre sob a ameaça de perder o mandato. Da posse até a cassação. Conquistou seus espaços internos com muita luta, briga mesmo, tanto na bancada do DEM, quanto nas Comissões da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. A mudança de partido (PMN para DEM) também trouxe graves problemas e mais processo. Ela era muito atuante nas comissões e plenário, mas considero que não havia foco. O mandato atirava para muitos lados. Faltou direcionamento e, de maneira especial, faltou um deputado federal com quem ela firmasse uma parceria, uma vez que Juvenil Alves, sua dobrada na eleição, estava sob constante ameaça e terminou por cair”, finaliza João Henrique.
A análise do Vereador Vanderlei Pequeno é mais objetiva. “É lamentável que a ex-deputada Maria Lúcia tenha declinado de postular cargos públicos pela via eleitoral em 2012. Corria à boca pequena a notícia de que sua pretensão era a de concorrer à vereança, o que, sem dúvida, seria um dado novo, no pleito eleitoral. Há que se considerar a sua experiência de legisladora na Assembleia Legislativa do estado. Assim, a sua presença na Câmara Municipal, malgrado o ideário de seu Partido, o DEM, poderia, sim, contribuir com avanços”.
“Já como candidata a prefeita, teria uma ótima oportunidade de explicar aos eleitores as razões dos tropeços políticos e administrativos de sua gestão que até hoje repercutem nas contas e na vida do município”.
“Mas do lado de cá, na minha inocência política, imagino que Maria Lúcia seguirá fiel aos seus ultra liberais princípios, cerrando fileira junto aos tucanos. E Quixote que é, buscará convencer os eleitores de que o governo Willian é o melhor dos mundos, panacéia para todos os nossos problemas”, concluiu.
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