Em 26/01/2013 às 16h51 | Atualizado em 27/07/2018 às 17h22

Confrontos no Egito sobre sentenças de morte deixam pelo menos 26 mortos

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Pelo menos 26 pessoas foram mortas em Port Said, neste sábado, durante distúrbios provocados por manifestantes revoltados pelo fato de um tribunal ter condenado 21 pessoas à morte por causa de um desastre num estádio de futebol, intensificando a sangrenta desordem nas ruas enfrentada o presidente islâmico Mohamed Mursi.

Veículos blindados e policiais militares foram mobilizados nas ruas de Port Said, cidade mediterrânea. Um general disse que os militares foram enviados ao local para "restabelecer a calma e a estabilidade em Port Said e para proteger as instituições públicas".

A agitação começou com manifestações para marcar o segundo aniversário da derrubada do presidente Hosni Mubarak. Os manifestantes acusam o atual presidente, Mohamed Mursi, e seus aliados islâmicos de trair os ideais da revolução que derrubou Mubarak com a adoção de uma Constituição de tons islamistas.

Enquanto a violência relacionada à ocasião apaziguou, Port Said foi palco de mais uma eclosão após um tribunal sentenciar 21 homens à morte pelo envolvimento nas mortes de 74 pessoas após uma partida local de futebol em 1o de fevereiro de 2012, muitos deles torcedores da equipe visitante.

Moradores corriam desordenamente pelas ruas de Port Said, indignados com o fato de que homens de sua cidade foram culpados pelo desastre no estádio, e houve relatos de tiros próximos à prisão onde estavam cativos a maior parte dos réus.

Fontes de segurança afirmaram que 26 pessoas, pelo menos duas das quais eram policiais, foram mortas na cidade costeira do Mediterrâneo. O canal de televisão estatal noticiou que mais de 200 pessoas foram feridas.

Testemunhas afirmaram que alguns homens invadiram duas estações policiais em Port Said, onde manifestantes colocaram fogo em pneus nas ruas, levantando fumaça para os céus.

Pelo menos nove pessoas foram mortas em embates com a polícia na sexta-feira, principalmente na cidade de Suez, onde o exército também foi ativado. Centenas foram feridas enquanto a polícia fez uso de gás lacrimogêneo em manifestantes armados com pedras e, alguns, com bombas a base de petróleo.

As disputas entre egípcios islamistas e seculares está prejudicando esforços de Mursi, eleito em junho, para reviver uma economia em crise --afastada de novos investimentos e turismo devido à incerteza política-- e conter uma desvalorização na moeda egípcia.

O caos político e a falta de segurança que atingiu o país mais populoso do mundo árabe durante boa parte da era pós-Mubarak está exercendo peso sobre uma eleição parlamentar que deve ter início em abril.

Fonte: Reuters
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