24/08/2016 às 17h32m


Por onde seguir?

No livro "Alice no País das Maravilhas", Alice pergunta ao gato que caminho deverá tomar dali em diante. O gato diz: "Depende do lugar aonde você quer chegar". Quando Alice responde que pode ser qualquer lugar, o gato retruca: "Então não importa que caminho você vai tomar".
Então...  por qual caminho seguir? Quantas vezes essa pergunta assombrou as nossas vidas? 
Sinais são grandes aliados. 
É preciso tomar decisões, é preciso medir os passos. 
Pensar mil vezes. Pensar antes de agir. Pensar antes de falar. Pensar no outro -  um outro como alguém que um dia já fomos ou podemos vir a ser.
Nada é por acaso. Destinos se cruzam.  Pessoas vêm e vão. 
Somos feitos de todas essas pessoas que  passaram por nossas vidas. Fomos marcados. Marcamos.
Tudo o que somos, devemos - a nós, aos outros, às emoções vividas: desde as mais doces até as mais tristes. 
Devemos aos livros que lemos, aos filmes que vimos.  
Hoje, somos invariavelmente melhores do que ontem.  Festejemos. 
Ser maleável, entender que a vida é só uma passagem ajuda muito. 
Treinar a serenidade. 
Observar os sinais que nos mostram onde devemos ir, quando devemos dar marcha à ré, para onde não devemos nem tentar seguir. 
Estar atento aos sinais que a vida nos dá diariamente nas pequenas coisas, gestos, atitudes e acontecimentos evitará dores.  
Corremos tanto que ignorarmos esses sinais, negligenciando oportunidades valiosas de trilharmos caminhos menos torpes.
Os sinais podem ser sentimentos, pessoas, um livro, um segundo de distração. 
O segredo para interpretá-los? O coração. A intuição.
Sempre existirão dores, sofrimentos, angústias, inveja, preconceitos. A caixa de Pandora foi aberta há séculos e os sentimentos que rodeiam a humanidade sempre serão os mesmos. O que muda é o contexto. O que muda sou eu e você.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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02/08/2016 às 13h21m


Descrever o que é o amor é quase impossível

Descrever o que é o amor é quase impossível. Quando digo que amo só descrevo superficialmente o que sinto. As variadas manifestações da linguagem não são capazes de definir esse sentimento. O amor surgiu para ser sentido e não para ser compreendido.  

Eu não gosto disso. Passo a vida buscando códigos que possam descrever o amor, ou me fazer compreendê-lo, mas esses sempre perdem o sentido. Há imenso abismo entre os sentimentos do coração e sua expressão através da fala. 

O discurso do amor foge da lógica e se encontra na poesia. Como fazer? Através de mitologia, metáforas, antropomorfismos? Pode ser.

De qualquer modo, qual autor nunca tentou descrever o amor? Tentativa vã e viciante. 

Platão há mais de trezentos e cinquenta anos antes de Cristo, afirmava que o ser amado é a nossa outra metade há muito tempo perdido. Mas em pleno século XXI, esse negócio de "a outra metade da laranja" já foi superado. Graças!

Mas uma coisa eu creio – só amamos o que nos completa e nos permite uma busca inconsciente e impossível da inatingível perfeição.  

A mitologia diz que "o homem é apenas parte, mas busca inconscientemente recompor uma totalidade. Por isso, é um ser insatisfeito por natureza. Sua vida consiste numa busca incessante pela felicidade. É nessa busca pelo amor que ele pretende superar sua carência, angústia e insatisfação diante da existência."

Isso poderia explicar tanta insistência em manter relações desgastadas, apagadas pelas mágoas, pelos abandonos, pela falta de cuidado. "Tá ruim, mas tá bom." É como se estar com alguém aplacasse as dores da existência... Ainda que traga outras.

O amor é uma busca constante para aplacar a carência. O amor  busca sempre  a satisfação que nem sempre vem, e a maioria finge que não vê. 

O amor é calculista, engenhoso, não se detém diante de nada, nem mesmo diante dos perigos - perigo da relação não dar mais os frutos que você desejou, perigo de se saber mal amado, mal cuidado, rebaixado... E ainda assim... ficar. Ficar porque amor é carência e astúcia ao mesmo tempo. O amor floresce e vive, morre e renasce, sempre astuto, sempre pobre e infeliz.  O amor é uma busca constante para aplacar a dor da falta. E enquanto for assim, vive-se na falta.

Segundo a mitologia, o amor conjugal é a união entre  Eros (amor sexual) e  Filia (Amizade). Podemos desejar o corpo  ou  desejar o espírito. Ou os dois juntos, o que seria encontrar o raro paraíso.

Aquela que quando acaba o sexo surge o desejo de dispensá-la, porque muitas horas juntos, zera o assunto e fica chato. É limitada. A outra que poderia se passar horas conversando com ela. É agradável, amável e profunda.

O amor de Eros é fisiológico, sexual, diz respeito ao desejo e à atração. Já o amor de  Filia é sereno, equilibrado, constante, incondicional, altruísta. Sem Eros e Filia não há relação amorosa. Desejo e amizade são produtos e ingredientes do amor. Encontrar os dois em uma mesma pessoa é um grande e raro presente!

Se faltar um desses dois não há amor. O amor é uma grande afeição entre duas pessoas, ausente de interesses, cuja finalidade é a doação de si mesmo, a gratidão, o afeto, a tolerância, o zelo,  a amizade, o desejo e a paixão.  

E, boa sorte!
 

Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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