29/03/2016 às 10h24m


Tolerância x Intolerância

São Tomás não foi pueril quando descreveu que a tolerância era paciência mediante as imperfeições.
 
A origem da palavra tolerância vem do latim - tolerare – que significa acolher alguém, ser indulgente para com os outros. 

Ao longo da história esse termo foi sendo encaixado em variadas situações e uma delas com Lutero e a Reforma, o termo ganha conotação de cunho religioso, era preciso tolerância religiosa para que católico e protestante convivessem. Já no século XIX surgiu a "casa de tolerância" onde a prostituição era tolerada pela sociedade da época. 

A relação de tolerância e intolerância foram construídas ao longo da história, por isso temos a história da intolerância religiosa, da intolerância sexual, intolerância política etc, etc, etc.

Todos sabemos o que é ser tolerante e intolerante, mas poucas vezes refletimos sobre isso. As palavras são expressões de nossa própria realidade,  de sua feiura ou beleza. Esses dois termos são acompanhados de extensa carga emocional. 

A palavra intolerância tem uma carga negativa com poder de modificar o equilíbrio psíquico, nos levando a buscar aliados, passamos, assim, a ter emoções coletivas em relação a determinados grupos de pessoas que pensam e se comportam diferente do nosso grupo. Nesse momento abandona-se a razão - agressões são proferidas e até crimes cometidos.  Deixamos de ser irmãos, e passamos a adversários. 

E tudo acaba por ser entendido como uma provocação pessoal. A irritação que o outro provoca é capaz de despertar zonas de agressividade desconhecidas, e vemos pessoas perdendo o bom senso e o respeito necessário a vida em sociedade.  

Nesse momento político em que vivemos, estamos testemunhando nas ruas, nas redes de televisão e, principalmente, nas redes sociais, o desfacelamento da humanidade solidária que deveria viver em todos nós. Vemos a violência física, emocional e verbal destruindo relações cordiais, e até mesmo de afeto, e na pior das hipóteses destruindo vidas daqueles que se tornaram objetos de nossa intolerância. O próximo já não é mais reconhecido como semelhante, e sim como diferente, por ter posicionamentos contrários ao nosso. 

Tolerar é  "aguentar" o outro com suas diferenças sejam elas quais forem. É preciso tolerar para não eliminar o outro. É preciso tolerar porque é fundamental a civilidade para a convivência social. É preciso tolerar porque somos todos imperfeitos. É preciso tolerar para que alguém também não venha calar a sua voz, ou ameaça-lo ou ofendê-lo. Tolero porque apesar dos pesares o outro que me incomoda pode ser a minha sombra.

Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: tolerância, convivência, Lutero, emoção, latim


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15/03/2016 às 08h05m


Cada um ama e aceita o amor que pode

Se você ousa se julgar o parceiro perfeito para o outro porque faz tudo que ele quer. Se está a postos para o momento em que ele te "convoca". Se sabe que ele não gosta de água nem muito gelada e nem muito quente. Se deixa que somente ele escolha quando e onde vocês vão, todas as vezes que saem e morre de medo que a relação de vocês termine porque não imagina sua vida sem ele, meus pêsames.  
Sim, meus pêsames, porque apesar de eu defender que cada um tem uma forma de amar, uma coisa é inegociável: se você não se amar antes de qualquer coisa, não será jamais amado e nem respeitado pelo outro. Se você não sabe o que merece, qualquer  "merreca" será suficiente.
Amores de migalhas não nutrem e quando você se dá conta, está quase morto de fome. 
Você se contenta com uma colherzinha de um brigadeiro quando está de frente a uma panela cheia? Ou apenas com um picolé de côco quando está dentro de uma sorveteria naquele calor escaldante? É muito querer para muita covardia né não? 
Amores precisam ser inteiros. Eu desconheço meio namorado, meio casamento, amar só um pouquinho ou quando lhe convém. Essa coisa de andar a margem e viver de metades não deixa ninguém em paz. Muito menos feliz.
O problema é o medo. Que petrifica, engessa, impede de mudar o rumo. Medo de ficar ainda mais só do que já está. 
A crença mais errônea que um longo tempo de relacionamento "meia boca" deixa, é de que você não tem mais capacidade de fazer com que outro alguém te ame de verdade. Então, se é assim, deixe como está. Afinal, muitos preferem o "antes ruim do que só."
Solidão a dois é o pior veneno que há. Derrama carências. É um ciclo vicioso de expectativa seguida de frustação. A cada "não", um nó na garganta. Você vai sendo consumido aos poucos e quando  se dá conta, já não se reconhece mais. Só se enxerga a partir do olhar do outro. Deixou de ser quem sempre foi e passou a acreditar ser aquela pessoa que mereceu toda desantenção que, cordialmente, seu parceiro lhe presenteou ao longo tempo. E você aceitou.
Enfim as pessoas só fazem conosco aquilo que permitimos. Nada de vítima ou algozes. Cada um segue amando e sendo amado como quer. Mas uma coisa é fato  - amor, gosta mesmo é de amor.




Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: amor - sentimento - aceitação


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04/03/2016 às 08h54m


Facebook

Facebook é vitrine, é escola, é barzinho na esquina, é tribunal de justiça, é palanque eleitoral, é confessionário. 
Não é bom, nem ruim, é apenas eco de nós mesmos, como tudo que nos cerca. 
Aqui somos surpreendidos com boas coisas. Bons dias, boas citações, belas fotos, belas declarações de amor, alguns encontros, surpreendentes reencontros. 
Também aqui nos decepcionamos. Às vezes com a falta de sensibilidade alheia, e também com o excesso dela.
Aqui sentimos raiva, afeto, curiosidade. Choramos e rimos.  
Aprendemos.Ensinamos.Distraímos.
Para muitos o facebook serve como um diário de sentimentos e emoções. 
Aqui recebemos flores quando nosso terreno está árido. Mas nem sempre... Como é também na vida real. 
Ultimamente, juntamente com a famosa "limpa" de final de ano onde são retirados roupas e livros que não se usa mais, há também a limpa dos amigos do facebook. Hora de um balanço sincero, onde saem aqueles que você descobriu que não eram de verdade e ficam as gratas surpresas descobertas através daquele bom dia diário, daquele comentário no momento  certo, daquele in box perguntado se poderia te ajudar. Tudo que é feito com o coração, seja frente a frente ou atrás de uma dela de computador, é percebido.
Aqui descortinam-se sentimentos e palavras que, provavelmente, jamais teriam a chance de se apresentar. 
Aqui muitas coisas deixam a coxia e entram no palco. 
São vidas entrando em outras vidas. 
No facebook descobre-se pessoas especiais que se fazem presentes em dificílimos momentos com palavras de ânimo. Eu, muitas vezes interpretei tudo isso como se fossem mãos segurando as minhas. 
No fundo, a tela fria do computador nos leva a saber, com o tempo, quem é quem e os que devem permanecer. 
Assim como na vida real, "quem é de verdade, sabe quem é de mentira". 


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: facebook - redes sociais - sentimentos


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