26/01/2016 às 07h54m


Fakes nem sempre falsos

Facebook estima que 83 milhões de perfis cadastrados sejam fakes. Traduzindo, os falsos.

Vários universos envolvem essa realidade. Ou várias realidades criam esse universo.

Pessoas com baixa estima usam esse artifício, como meio para extravasar seus sentimentos ruins e destilar o seu veneno. Com dificuldade de se relacionar, se mascaram para azucrinar a vida do outro. Afinal de contas, ser feliz ao lado de pessoas reais torna-se, cada dia mais, uma glória conquistada por poucos. 

Muitas se excitam ao saber que com o uso de um perfil falso, conseguem arruinar a vida de alguém. Eu fui vítima de uma dessas pessoas. E tomei por regra jamais aceitar entre meus amigos, um fake. Aliás, tomei pavor de fakes.

Nos grupos sobre política, por exemplo, há mais fakes do que em qualquer outro universo. Eu os considerava a todos, covardes. 

Mas eu percebo o mundo através das pessoas e das palavras, preferencialmente pessoas e palavras que sejam desconcertantes, pois é essa imprecisão que me fascina. E então, inexplicavelmente, decidi aceitar conversar com um fake. Não aceitei seu pedido de amizade, ele não está entre meus amigos pessoais e nem estará, mas a partir dele fui abrindo a guarda, e entendendo que no quadro político atual, para quem ainda é honesto e visa o bem comum, é preciso lançar mão de Maquiavel. 

Fakes políticos: ganância e poder, crueldade sem limite, interesse individual massacrando o coletivo que deveria ser o único fim. 

Então, a partir desse perfil falso (que para mim continua falso, porque sequer imagino quem esteja por trás dele) entendi o surgimento de outros fakes políticos, com o intuito de proteger a cidade contra coisas muito graves que aconteceriam, caso não houvesse a atuação e resistência desses fakes. E tive a oportunidade de derrubar o preconceito de que todos  são covardes.

Eu tenho uma colega de trabalho que vivia afirmando isso,  pois  envolveu-se emocionalmente com um deles, pela fala, pelos posicionamentos, pelas conversas a dois antes sequer de imaginar quem estava por trás daquele personagem. Creio que tenha se apaixonado, ainda que nunca tenha me dito isso. Considerei-a louca. Mas também sei que a capacidade de racionalizar é inversa às delícias de se apaixonar. Os menos racionais se atiram e se machucam, mas em compensação vivem mais. Aplaudo os corajosos porque nas relações a dois, quem se guia só pela razão, um dia vai sair em busca do que ninguém jamais poderá devolvê-lo – o tempo que ficou congelado, as emoções não vividas, as luas cheias que não foram olhadas, os abraços que não foram trocados.

E então, na política ou no amor vai o meu viva para os fakes do bem. E que Deus os proteja de todo mal, amém!


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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20/01/2016 às 13h18m


Cuidado com a carência

A escrita é feita de fragmentos de diversas histórias de vidas - vividas ou testemunhadas. Só assim nasce um texto, uma crônica, um livro, um filme, uma novela. Basta ter olhos para ver e tudo vira um rico material a ser explorado.

Terminei um romance interessantíssimo de um autor praticamente desconhecido que agora esqueci o nome. Uma mulher de hábitos simples, vida linear, sem os deliciosos sobressaltos da emoção, tem sua pacata história de vida invadida por um belo cafajeste. 

Ele lhe diz coisas que ela nunca ouviu, lhe promete um futuro a dois, lhe dá carinho, amor, sexo. 

Ela, por sua vez, não conhecia nada sobre ele, e nem precisava, afinal ele já vinha com todos os créditos, pois a ele estava reservado o poder de colorir a sua vida. Deu-lhe o que ela nunca teve, lhe disse o que ela sempre quis ouvir, lhe prometeu um futuro de amor, lhe permitiu sentimentos e sensações que ela, até então, desconhecia. 

Um dia ele mostrou a face. Era um bandido que a envolveu em um trama sórdida levando-a a cadeia. 

O ódio tomou conta do amor. O susto, a decepção, a certeza de que aquele amor era falso, foi mais duro do que os anos enfrentados na cadeia. 

Por que me deixei enganar tanto? Porque fui tão idiota? Porque acreditei? Porque a carência faz isso. 

Toda mulher quer ser objeto de desejo de um homem que possa antes de qualquer coisa, amá-la. Muitas sublimam essa faceta feminina em prol de uma vida mais calma, onde o risco de uma decepção fique bem longe. Mas nunca ninguém estará totalmente protegido. E quanto mais sufoca  o lado "mulher", mais vulnerável fica perante os falsos amores. Isso é fato.

A vida não é uma ciência exata.. Apesar de tantos atalhos tenebrosos pelos quais a mocinha da trama andou, tentando se vingar, ela continua a mesma m mulher carente, de índole boa e ele, apesar de ter sido desmascarado e da aparente humildade recém adquirida, tem a essência podre.

É aquela velha e sábia fábula A rã e o escorpião, ninguém foge por muito tempo à sua natureza. É contraproducente querer se igualar a quem te fez mal. Ninguém está imune de uma cilada no amor, a diferença está em como enfrentar esse momento. Você pode escolher permanecer nesse círculo vicioso, de ódios e vinganças ou transformar esse dolorosa experiência do passado em um futuro mais calculado, mas nem por isso menos prazeroso. 

Como sempre digo, na vida não há garantias, mas há caminhos mais prováveis.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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15/01/2016 às 17h33m


Relações nascidas do nada

É incrível a capacidade do ser humano de olhar para as pessoas de uma forma como elas não são. 
E acreditar no que gostariam de acreditar. 
E compram (e ainda por cima vendem) a ideia que afirmam existir. 
Isso acontece de forma recorrente nos relacionamentos amorosos. 
Aprendemos na sociedade regrinhas básicas que nos ensinam qual o tipo de parceiro é conveniente ter. 
É quase uma cartilha a seguir. 
E costumamos acreditar sem discutir. 
Primeiro é preciso que a família aprove e de quebra, os amigos também. 
Só se deve apaixonar por pessoas que se encaixem nessas exigências. 
Mesmo nível econômico é quesito básico. 
Se tiver a mesma religião, melhor para evitar desagradar aos pais e tios. 
Idade próxima é melhor para que ninguém levante a hipótese de que há alguma forma de interesse por trás da relação. 
Belos casais evitam olhares que se voltariam para aqueles considerados fora dos padrões de beleza e indagam: "o que será ele/a viu nela/e?" 
Nível intelectual idêntico que é para não constranger ninguém. 
Homem mais baixo também não combina muito. 
Carro do ano torna o parceiro mais apresentável. 
Mulher que se vista de modo mais comportado que é para que a avó e a madrinha mais conservadoras não achem que você está se envolvendo com uma "pessoa desfrutável".
A mãe de uma colega dizia que mulher que se conhece em bar não é para casar. Eu heim...
Como seria amar a partir do nada? Sem nenhum tipo de referencial?
Não sei. Mas imagino que teríamos relações muito mais intensas, verdadeiras, interessantes.
Relações nascidas  a partir de nós mesmos. Seria curioso.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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