23/09/2015 às 12h52m


Na estrada da vida

Há momentos em que a vida parece que dá um nó – checklist a se cumprir, situações externas a administrar, adversidades a contornar. Tudo desgasta. Antes de sair da cama, tomar uma ducha e colocar o nariz para fora de casa será preciso decidir entre encarar com coragem e resiliência ou com desânimo e revolta. 
De qualquer forma tudo terá que ser encarado, até porque recuar em vida é morrer.
Há de se respirar fundo e ir. 
É como dirigir em uma estrada – você tem que saber o momento de acelerar, reduzir, frear, desviar, ultrapassar. 
E exige atenção extrema. 
No asfalto como na vida o mais difícil é aquilo que vem de encontro aos nossos planos para uma viagem tranqüila. 
É preciso dirigir sem desgrudar os olhos de todos os carros que estão na mesma estrada em que você . E isso esgota.
Estamos à mercê do outro. 
Pode-se jurar que não - que leva sua vida independentemente dos outros, que não se importa com o que pensam ou fazem, que você é livre, pois paga as suas contas e resolve seus problemas sozinho.  
Pura ilusão. Somos todos prisioneiros uns dos outros. 
A estrada pode até estar tranqüila e sem obstruções, mas nunca se sabe o que estará te aguardando na próxima curva. Pode um carro vindo na sua pista e em alta velocidade. 
Quem não está atento tem a vida em risco.  
A inevitável coerção externa oprime. 
Nunca saberemos como é ser uma ilha. Vivemos cercados pelas histórias alheias que se fundem com as nossas. Vivemos de trombadas, freadas bruscas, ultrapassagens perigosas.  
Lamentar é inútil. E nem adiantaria GPS se nunca  temos certeza do endereço a ser digitado. 
A incerta estrada é a única certeza que temos. É preciso ir. Não há escola, nem banca examinadora. Ninguém tira habilitação.  E ainda assim, temos que acelerar e seguir.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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15/09/2015 às 09h52m


Poliamor é amor?

O poliamor é um movimento organizado nos Estados Unidos há mais de 20 anos, onde as pessoas possuem mais de um relacionamento amoroso simultaneamente. 
É uma maneira diferente de amar, onde as relações não tem a monogamia como princípio. Eles desconhecem o ciúme e não veem o sexo como princípio da relação.
Segundo os poliamoristas o impulso natural do ser humano é se relacionar com várias pessoas ao mesmo tempo.
Ainda não consegui assimilar a mensagem real desse movimento. 
Acho interessante que eles dizem que os adeptos não necessariamente vão procurar novas relações, mas que o fato de ter essa possibilidade sempre em aberto, os permite viver naturalmente e com total honestidade dentro da relação. 
Bom, isso é fato porque tudo que é combinado não sai caro.  Partindo do princípio de que todos vivem com essa liberdade em mente não há espaço para mentira. Mas que é complicado, ah... Isso é! 
Sempre ouvi dizer que amor pede exclusividade. Mas será que essa exclusividade é algo natural ou obrigatório? Há aqueles que traem e os que não traem, mas sentem vontade. Quem trai mente para o parceiro e é fiel ao seu desejo, quem não trai é fiel ao seu parceiro, mas mente para si mesmo. 
Também sempre ouvi dizer que amor é incondicional. Mas se o fato de amar impede o outro de fazer algo que ele deseja, a exclusividade, então é condição do amor. Dessa forma deixou de ser incondicional. Se quem ama não quer ver o outro feliz, como impedi-lo de ser feliz?
Não sei dizer ainda se poliamor é avesso ao amor, mas creio que não se adeque de forma alguma ao amor idealizado onde um completa o outro. De qualquer forma uma coisa é inegável – o poliamor pressupõe uma honestidade que desconheço em qualquer relação, e já não há necessidade de mentir a sinceridade real é a base.
Vi uma entrevista de um casal adepto desse movimento que, juntos há quatro anos, ainda não haviam procurado outros pares. O discurso do marido mexeu com minhas poucas certezas: "No poliamor você tem clareza dos sentimentos, paz de espírito afetivo e está longe da solidão sempre, além de reduzir as frustrações e magoas nas relações". E a esposa completou: "O poliamor ganha cada vez mais adeptos porque é um amor baseado na amizade e no companheirismo onde há menos idealização do outro e você pode se relacionar com a pessoa do jeito que ela é.".
Um caso a pensar.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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09/09/2015 às 17h14m


Boas escolhas

Através de um amigo, li a reportagem de uma pesquisa feita nos EUA sobre relacionamentos duradouros. Fiquei feliz ao constatar que, nesse território tão empírico, uma coisa é certa: sou boa observadora. Além, é claro, das cores das minhas vivências... Experiências nem sempre bem vindas e nem tão coloridas. Fontes de imensos aprendizados. Fora o que vi, li e ouvi, possibilitando-me vários olhares recheados de dores e amores. E com isso fui tirando minhas impressões, algumas delas apresentadas na citada pesquisa (abaixo em destaque):

É possível prever a freqüência com que o casal brigará, basta olhar para o presente. 

Se ainda no namoro vocês protagonizam brigas diárias e desgastantes no curto período em que dispõe para estar juntos, por motivos tolos aos olhos do mundo, não insista e nem se iluda, não muda e nem melhora com o tempo. Período de adaptação serve para quem precisa usar óculos bifocais, não para relacionamento.
     
Casais que costumam tomar decisões juntos apresentam índice menor de conflito.  

É inegável que quando os objetivos convergem reduz e muito, a zona de conflito. Quando ele quer usar o dinheiro para realizar uma festa de casamento para dois mil convidados, contratando o Skank, e seu objetivo é usá-lo para comprar um apartamento. A probabilidade de sucesso em um futuro a dois é ínfima.

Pessoas que acreditam que o casamento deve durar para sempre provavelmente estão mais propensas a deixar as divergências de lado.  

É imprescindível que as escalas de valores sejam bem parecidas.

Isso é ponto chave! Se o desejo de um é casar para formar uma família, com casa de campo, filhos, cachorro e periquito, e, o do outro é tê-la como esposa para, como casal, conhecer o mundo, surfar no Havaí, fazer MBA nos EUA, e de preferência não ter nem fogão em casa e muito menos um peixinho no aquário não vale investir. Óbvio que no primeiro atrito por causa da toalha molhada sobre a cama ele vai querer arrumar as malas e se mandar.

Além de muitas outras coisas é essencial boa vontade e firme propósito em querer estar junto.

Enfim, a vida não dá garantias, mas como podemos ver há caminhos mais prováveis para fazer com que uma relação a dois dê certo. E, caso não dê, porque dicas não são regras, acredito que ambos sairão com a sensação de experiência válida, o que não imuniza a frustração, mas elimina o peso do arrependimento que sentem aqueles que apostam no futuro de forma inconsciente, e muitas vezes até, irresponsável.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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02/09/2015 às 10h33m


Mães filhos destino

Sempre que escrevo sobre um tema, passado um tempo, tento reescrevê-lo sob  outra ótica. Isso me enriquece e não permite que eu seja engessada em minhas próprias ideias. Hoje, novamente, vou escrever sobre as mães, tentando ver (com imensa dificuldade) com outros olhos. 

A sociedade tenta, o tempo todo,  padronizar nossos sentimentos e reações. Assim, por exemplo, é preciso jurar de pés juntos que a maternidade está acima de tudo e todos, sob o risco de ser julgado e condenado ao fogo eterno, por não ser  grata tempo integral, a esse maravilhoso presente de Deus. 

Quando tinha 8 anos, minha filha chegou em casa penalizada porque a coleguinha de classe lhe contou, chorando, que a mãe jogava fora todos os desenhos e bilhetes que ela lhe dava. Eu expliquei que a mãe dela estava com um bebê novo em casa, e ainda trabalhava fora, e devia estar sem tempo e que, provavelmente, fazia isso sem prestar a atenção. Ela então, me pediu que comprasse uma pasta como a que eu tenho para guardar essas coisas, para dar a mãe da colega e, assim, resolver o problema. Cá para nós, tem coisa mais chata do que aquelas dezenas de desenhos de corações que eles fazem para nós sem parar? Não. Mas quem assume isso? 

Fácil julgar, mas poucos pensam em quantas mães tiveram suas vidas completamente modificadas pela chegada dos filhos, tenham sido esses, planejados ou não. Viram seus projetos futuros virarem pó. Precisaram trocar viagens e estudo por fraldas e mamadeiras. Não puderam viver um amor porque não tinham com quem deixar o bebê. Muitas fizeram o contrário, e para não modificar sua vida, não ver projeto virar pó, não abrir mão de um amor, levavam a criança a tiracolo, criando-a sem estrutura, segurança, e  cuidado necessário... Qual escolha tiveram essas mães? Se abrem mão de realizar os projetos ou viver aquele amor para cuidar do filho, chorarão suas frustrações sobre o filho, mil vezes, ficarão arruinadas emocionalmente e o futuro, provavelmente, apresentará uma mãe doente em todos os sentidos.  Se deixam os filhos sob os cuidados de alguém, para seguir em busca de um amor, de um sonho, de um projeto, já estão condenadas, antes de tudo por si mesma, e que ninguém tenha dúvida disso. Qualquer um desses caminhos nascem de escolhas que, na verdade, nada mais foram que faltas de escolha. Pois em qualquer um desses caminhos,  no resultado final teremos filhos rejeitados e mães culpadas.

História já traçadas, onde as poucas escolhas nascem sempre a partir dos mesmos recursos emocionais e sociais. Filhos juízes de suas mães condenadas. Faltou amor? Não acredito de forma nenhuma. Sempre há  amor no coração de uma mãe, mas é preciso saber o que esse coração viu, sentiu e viveu enquanto essa mãe ainda era filha, porque é assim sempre... e assim será, sucessivamente. 

Não é fácil  dizer isso com serenidade porque sou absurdamente mãe, prazerosamente mãe, e mesmo com múltiplas funções, sou 24 horas mãe - por responsabilidade, por escolha e por absoluto prazer. Mas a maturidade me trouxe a sabedoria de não julgar. 

Quando eu reverencio as mães, é a todas elas, as que como eu, puderam cuidar de seus filhos com  total prioridade, e àquelas que não puderam ou optaram por não fazer assim, porque não tinham, como eu, recursos internos e externos que lhes possibilitassem equilíbrio, maturidade, desprendimento e tranquilidade para essa escolha. Enfim, amamos da mesma forma, tanto eu quanto elas, o restante, foi coisa do destino. 

Mas ainda assim, creio que podemos dar uma "negociada" com o destino, porque mãe tem força para tudo.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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