26/08/2015 às 09h06m


O inimigo pode morar ao lado

Assustada, assisti em uma reportagem que cinco milhões de brasileiros são incapazes de sentir emoções, podem até mesmo matar sem culpa e pior, estão incógnitos convivendo ao nosso lado.  

Como alguém pode não sentir emoções?? Pior, não sentem compaixão ou medo. São inteligentes, sedutores, mentem sem pensar nas consequências e manipulam quem está em volta. 

Para nós são os sem caráter, mal amados, invejosos, etc. Mas para a Organização Mundial da Saúde eles são os psicopatas, sociopatas ou portadores de transtornos de personalidade antissocial. 

Segundo o reportagem a maioria dessas pessoas não é violenta e nem comete crimes, elas apenas (!!!) destroem sutilmente a vida daqueles que o cercam. Destroem famílias, laços de amizades, negócios, deixando um rastro de destruição por onde passam. 

"Pessoas de mente cruel em rosto agradável". 

Nunca se importam de passar por cima das pessoas para alcançar seus objetivos. E, caso se sintam ameaçados em seus planos invertem o jogo e colocam-se no papel de vítima. Aliás, seu papel preferido: o de vítima.  

Mas como disse o psiquiatra, "eles estão sempre conscientes de todos os seus atos, pois, diferentemente dos que ocorrem em outras doenças mentais, os psicopatas não entram em delírio".

Pior de tudo é que certamente temos algum deles perto de nós. E como reconhecê-los?

Difícil, dizem os estudiosos, já que são verdadeiros artistas. "É sempre bom desconfiar de pessoas que se apresentam de forma sedutora, com ideias mirabolantes, sempre muito agradáveis". Desconfie do "sempre" -  dos sempre educados, sempre prestativos, sempre alegres, sempre boas companhias.  E para piorar o problema, eles sempre forjam afeto, conquistam a sua confiança, e você passa a gostar verdadeiramente deles.

Então, é preciso cuidado já que o inimigo pode morar ao lado.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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18/08/2015 às 13h39m


Sobre perdas

Com o passar dos anos me vejo cada vez mais forçada a buscar formas de compreender as perdas.  Não existem certezas em nossas vidas, com exceção de que todos vamos perder. Mais dia menos dia vamos enfrentar alguma perda.  De certo já temos que vamos perder a vida. 

Lya Luft diz que com as perdas só há um jeito: perdê-las.

Precisamos aprender como fazer para que a dor fique menor do que a vida incerta que ainda haverá pela frente

Essa semana vi de perto a dor de uma filha enterrando um super pai, daqueles que não deveriam partir jamais. A impotência diante da dor alheia me deixa mais frágil que a própria perda. 

Gosto da frase "ninguém perde o que não tem." E o que nós temos? Nada... 

Se tudo nos pode ser tirado em um piscar de olhos é porque nada é verdadeiramente nosso. Partindo desse princípio, a coisa mais certa a se fazer é treinar o desapego. 

Quando somos pequenos vivemos com a ilusão de que temos posse de tudo. Quando crescemos parece que começamos a deixar as pessoas irem. Melhor fosse sempre assim, já que elas se vão, de qualquer jeito.

A vida é tão incerta que, muitas vezes, ainda sem ter o prazer de conhecer (pessoas e sentimentos), temos a quase certeza do infortúnio de perder. Não falo sobre coisas, porque isso é nada, falo de gestos, sensações, companhias, momentos. Enfim... viver é uma sucessão de perdas, intercaladas com alguns momentos de ganhos e, muita ilusão.

O que seria de nós sem a ilusão de que "é para sempre" e de que "não vai acabar"? Filhos preferem pensar que pais são eternos, até que são obrigados a enterrá-los e o mundo desmorona. Tenho meus pais até hoje, mas meu mundo desmorona juntinho com o daqueles que os perdem, ainda mais quando são tão novos a ponto de sequer terem parado para pensar sobre perdas.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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11/08/2015 às 16h52m


No dia dos pais, mais pães que pais

Nos últimos anos, no mês de agosto venho percebendo através das redes sociais a quantidade de filhos que, ao invés de prestarem homenagem aos seus pais, agradecem as mães – carinhosamente chamadas de "pães" – por terem desempenhando além das funções maternas, as paternas também. 

Muitas pessoas não tiveram um pai presente, e isso acontece por diversos motivos. Um deles é que a maioria dos homens não se compromete verdadeiramente com o universo doméstico e familiar, creditando à mulher essa função. Dessa forma, os pais que ajudam nas tarefas relacionadas ao filho são ovacionados e ganham o título de excelentes pais, enquanto isso deveria ser algo comum. 

Alias, pais não tinham que "ajudar" e sim "participar", cumprindo a paternidade, como a mãe faz com a maternidade.

As ideias machistas de um passado não tão distante de que criar filhos é função da mãe, ainda prevalece. Falta avançar muito para que tenhamos uma sociedade diferente.

Outro motivo de pais ausentes se dá pela separação do casal - pai de fim de semana, uma namorada ciumenta, uma ex-mulher que aliena os filhos, novos filhos de outra relação. Esse cenário dificulta muito a relação pai e filho e, se o pai em questão não for persistente em conviver com o filho, irão se perder. E, mesmo que o afastamento não seja definitivo, se o comportamento desse pai for negligente deixará buracos eternos que dificilmente conseguirão ser preenchidos.

No inicio, logo após o divórcio, a saída do pai de casa, maltrata ambos os lados, mas o tempo é cruel (ou sábio) e faz com que todos se acostumem com a ausência, a vida vai seguindo e, se esse pai não se fizer constantemente presente, um dia, pai e filho serão estranhos - esse pai não conhecerá mais os gostos de seu filho, não saberá o que ele faz,  não participará de suas lutas e sonhos, será totalmente alheio a uma vida que ele mesmo fez existir. 

Como consequência de tudo isso continuaremos vendo as redes sociais infestadas de filhos agradecendo as "pães" sem sequer citar o nome de seus pais.  

A falta de participação dos pais é algo que prejudica filhos e mães. É um aborto de um filho vivo. É uma ferida emocional. É uma injustiça.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: pais - pães - dia dos pais


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04/08/2015 às 10h56m


Laços de família?

Nem todos os mal-entendidos, brigas e rancores se dão pelo fato do outro ser ruim e nós sermos bons (ainda que, às vezes, seja isso mesmo).  Mas o que é ser bom? E ser ruim? É aí que está. Todos temos o lado avesso, uma máscara que nunca se expõe.  Todo mundo se conhece pouco, muito pouco. E se eu nem sei direito quem sou, como saberei quem são os outros?

Como faço então para agir corretamente com aquele que é meu amigo, colega de trabalho, filho etc?

O que eu sou e o que outro é se equilibram entre paz e conflito. Relacionamento é terreno escorregadio do inconsciente, das experiências vividas, das histórias introjetadas e, tantas vezes, mal elaboradas que carregamos como fardos que tentamos, erroneamente, empurrar sobre os outros. 

Uma das piores armadilhas das relações ainda é o silêncio. Porque aquilo que não foi dito,  cobra e pune pesadamente. O vazio das palavras guardadas e, muitas vezes, aguardadas é fatal. Há relações que são desertos onde nem miragens há. Essas são as piores. Desperdiçam vida. Pior ainda quanto elas se encontram no seio familiar.

Quando a relação que oprime é de sangue, tudo é tão mais difícil... Como romper o que já vem fixado? O peso da culpa: "não é minha obrigação amar, acolher, compreender, desculpar ainda que isso me magoe e maltrate?"  Os indesejáveis laços de família. Laços impostos. 

Somos pobres seres humanos, que mal sabemos das coisas. O que é uma família?  Sangue, afeto, cumplicidade? Creio que sempre sangue, mas nem sempre afeto e cumplicidade, amor e lealdade, doação e incondicionalidade. 

Pai e mãe podem nos salvar ou nos atormentar, mas estão sempre ali, suportando nossos ataques de insegurança, de fúria, de insatisfação enquanto, demoradamente, crescemos e amadurecemos. Pais são aqueles que nos aliviam, que sorriem porque estamos sorrindo, que deixam de ter para nos dar. 

Não são?  Não... nem sempre.  

E aí, o que vemos são laços entre pas e filhos desfeitos, porque o amor que deveria ser algo natural, passa a ser um luxo e aqueles que deveriam saber dar as mais belas laçadas, não sabem dar absolutamente nada, porque desconhecem a palavrinha "doação".

Enfim, com sorte, uns possuem laços de sangue e amor, outros algumas parcas migalhas de afeto e nenhum laço que os dê a tão necessária segurança de ser incondicionalmente amado..

Como diz um autor que não sei o nome "A alma do outro é uma floresta escura". Umas não são escuras, são breus, sem chance de iluminar o quer que seja.



Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: laços - família - sentimentos


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