24/03/2015 às 08h38m


Mentes Perigosas

A realidade indiscutível é - a loucura pode morar ao lado. Esqueça aqueles temidos assassinos em série... Sangue, cadeia, júri popular. Há os que não matam a vítima estrangulada, matam a confiança, matam a paciência, matam o respeito, matam a paz.

Essa pessoa pode ser aquela que mente compulsivamente para você, ou que vigia todos os seus passos, sistematicamente, regulando seus horários, investigando seu celular, assumindo um personagem, se fazendo passar pela irmã mais velha, no intuito de arrancar informações da sua secretária. Não há limites para que atinjam o objetivo - seja ele descobrir se o marido tem uma amante ou impedir a promoção de um colega de trabalho. Em muitos casos, principalmente no amor, pode ser aquela pessoa obsessiva que vai lutar sem o mínimo escrúpulo por aquele que ama... Continuará não sujando as mãos com sangue, mas sujará tudo que está em volta com suas manipulações. Finge, troca de máscaras, inventa nomes, cria falsos laços de amizade, enfim, monta um circo dos horrores. Diferente do assassino que sempre deixa uma pista e é descoberto e será preso, esse tipo raramente é desmascarado... Conhece o ponto fraco dos que lhe interessam, só age na hora certa, com as palavras e atitudes absolutamente corretas, tornando-se em um passo de mágica, a "pobre coitada da situação" , imputando culpa e remorso nas suas "presas". 

Todos nós, temos alguns desses traços, mas temos um filtro que nos indica a hora de jogar a toalha antes de prejudicar as pessoas. Os psicopatas não. Esses acham que podem ir sempre mais e que se danem os outros.

Nenhum de nós está imune a eles, mas é preciso cuidar para não ser uma presa tão fácil. É preciso esforço para reconhecer aqueles  que pautam sua conduta dentro de uma moral ilibada, são tidas como boas pessoas até o momento em que algo foge do  seu controle, e a partir daí, "moral, que moral?" 

Detesto é quando vejo situações onde está "claro como a luz do sol" que um está manipulando com tamanha astúcia e competência, que o placar já marca 10 x 0, e o outro não percebe...

Mentes Perigosas, de Ana Beatriz Barros, recomendo a leitura para que menos pessoas sejam arrastadas pela correnteza de mentes aparentemente inocentes, corações aparentemente nutridos de boas intenções, posturas forçosamente éticas guiadas pela moral social e religiosa, mas que, se desfazem como bolha no ar perante uma situação que possa lhes atrapalhar. E o controle vira descontrole, e tornam-se mentes altamente perigosas que, como um trator, vão arrastando para longe, tudo que possa ser visto como um empecilho para seus planos obsessivo de controle e posse.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: sentimentos - mentes - perigosas


Compartilhe:



17/03/2015 às 08h49m


"Será que é hora de acabar"?

Pergunta que martela na cabeça de muitos casais (inclusive há um livro com esse título). Difícil responder. 
Talvez o mais sensato fosse perguntar apenas "somos felizes?" Mas e se um estiver feliz e o outro não? Existe isso? Existe. 
Já vi muito marido dizer que para ele o casamento duraria a vida toda, e que não entende porque a esposa pediu o divórcio...
Quando acontece aquele maldito e tão necessário DR, e um diz que não está feliz, que não é aquele o tipo de relacionamento que quer, e o outro responde num baita susto:"Não???Mas o que te falta? Para mim está tudo bem". 
Essa é uma boa hora de pular fora. 
Quando o descompasso toma essa proporção, é o fim do fim. O outro não pode modificar o que para ele está bom. Concorda? 
Vc só se propõe a mudanças quando enxerga que algo está errado. Se está certo, então, ele vai continuar da mesma forma, e você, vai continuar infeliz. Então, se sua opção de vida é ser feliz, vai ter que enfrentar a separação. 
Para algumas pessoas o mais importante é ter uma família tradicional, mantendo pai e mãe morando debaixo de mesmo teto junto dos filhos, e no futuro ser aquela casa típica dos avós, com mesa farta, esperando os netos e noras/genros. 
Felicidade também é relativa. Cada um tem uma escala de valores pessoal. Interessante é encontrar alguém com uma escala próxima à sua.
É preciso aceitar o óbvio: em relacionamento a dois, nem sempre tudo estará bem. Temos fases, como a lua. Mesmo assim, é importante não se perder. E ter bem definido até onde tudo pode chegar para não afetar o que se defende como sendo a sua felicidade. Isso é fundamental, porque senão quando acordamos um dia, perceberemos que, assim como Carolina, passamos tempo demais na janela, olhando a vida passar.  


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: relacionamento - sentimento - hora de acabar


Compartilhe:



10/03/2015 às 11h37m


Morte súbita do amor

Detesto finais de relacionamentos. Pesquiso e escrevo sobre eles. E a cada história que ouço me sinto destruída. As perguntas me inundam e fico mergulhada em uma confusão de dúvida e sentimentos. 
Porque tem que ser assim? Onde está o fio dessa meada que ninguém consegue encontrar?
O amor acontece. Para isso há algumas explicações, nada muito racional, óbvio.
Fim repentino do amor. Nada a explicar, mesmo que um milhão de justificativas estejam ali na bandeja.
Porque tem amor que acaba de repente? Eu posso e tenho várias respostas objetivas para essa pergunta. Nenhuma delas me responde.  Impossível captar o momento em que morre o que estava  cheio de vida. Quem matou? Um dos dois? Os dois? O tempo? A TPM? O ciúme? Um terceiro elemento? Pode ser tudo isso. 
Mas e quando não é nada disso?
Tudo está igual. Ela tem a mesma doçura, ele o mesmo carinho. Dedicam-se da mesma forma àquela gostosa relação. Sonham juntos com o destino do carnaval.
Ele começa a falar menos, a olhar menos, a querer menos. Se nem ele consegue compreender, como poderá explicar?
Ela pensa no que disse ou deixou de dizer para que ele mudasse tanto. "Não é culpa sua" Então de quem é? Tudo fica tão mais fácil quando há culpados. 
Muitas coisas minam o amor - caminhos que se desencontram, passos mais apressados que deixam o outro para trás, olhares que passam a se firmar em direções opostas. As pessoas mudam. O mundo muda as pessoas. Faz parte. Para mim essa é a melhor explicação para o fim de um amor. Eles eram assim, o tempo os transformou e deu-se o desencontro. Ok. Dói, mas explica-se. Não dá para seguir em descompasso. O amor precisa de sintonia. Portanto, um fim aceitável.
Mas e quando tudo estava do mesmo jeito e simplesmente acabou para um dos dois?
É como pisar em falso e cair em um poço fundo. Você perde o outro e perde-se. A dor fica maior a partir da incompreensão. Acabou porque? Nada explica. Nem ele. O fato já está consumado. Aceitar te permite sair do poço, apesar de não aliviar o sofrimento. 
Depois de muito pensar e revirar um mundo de emoções descobri que não é só o corpo são que pode morrer repentinamente. Existe a morte súbita do amor e para essa perda há também que se viver um luto.
Um amigo escreveu mais ou menos assim "quando uma relação que não era tão boa termina, dói. Mas quando uma relação quer era muito boa termina, mata." 
E a vida continua.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: morte - amor - sentimento


Compartilhe:



04/03/2015 às 10h00m - Atualizado 04/03/2015 às 10h01m


A vida imita a arte

Ainda me surpreendo com a propagação do "vale tudo por amor".  Ou melhor, com o "vale tudo para se conquistar ou reconquistar um amor". 

Está no ar, em rede nacional,  em mais de uma novela, pessoas que simulam e armam verdadeiros cenários de horror para conquistar seu objeto de desejo.

Partindo do pressuposto de que a vida imita a arte, certamente isso existe em larga escala por aí. 

Há uma dose de loucura providencial ao amor. Quebramos regras e dogmas. Revemos conceitos e certezas. Rompemos barreiras geográficas, culturais, sócio econômicas, religiosas. Mas não podemos invadir. Para sempre haverá um espaço que é meu, para sempre haverá o espaço do outro. Eu não passei a existir a partir do encontro com esse outro que amo. A existência do outro não se deu a partir da descoberta do seu amor por mim. Há histórias anteriores a esse encontro. Há personagens mais antigos no enredo que merecem consideração. 

Não há justificativa possível para o desrespeito.  Até entre facções existe uma ética particular e, mesmo que sejam altamente questionáveis (e são), o fato é que existe um código de conduta. Na guerra todos conhecem as armas, conhecem o inimigo, o campo de batalha. Mas quando a luta é pela obtenção do ser amado é um vale tudo. Sem regras. Com armas de efeitos devastadores, usadas em campos desconhecidos, por um inimigo completamente disfarçado até o momento do ataque. Manipulação, mentira, armações e armadilhas. Um está desavisado e o outro o pega pelas costas, sem o mínimo pudor, afinal, "é por amor". Muitos são vítimas dessa guerra. Pegos sorrateiramente, enquanto distraídos, olhavam a lua, como todo apaixonado. 

Esse ato insano de "salvar o amor" a todo custo, só ocorre porque já se está insano, a ponto de não mais amar a si próprio. E convenhamos, ninguém salva o amor, ninguém perde o amor, ninguém conquista o amor. No amor se ama e é amado. 

Não há armas no amor, um lado pode armar seu ataque com um canhão e não passar nem de raspão, desperdiçando munição sem jamais acertar o alvo.  Enquanto o outro lado, pode acertar a alma e coração, apenas com a sua existência.

Não creio jamais que exista qualquer luta em nome do amor e, se há, são todas inglórias. Basta ver o desfecho nas novelas, nos filmes, nos contos de fada, nos romances e... na vida real.

Por um amor a gente faz poesia, compõe música, planta lindos jardins. Mas essa consciência é só para os sãos, para os obsessivos sempre valerá tudo.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: vida - arte - sentimentos


Compartilhe:



Todos os direitos reservados a Marcelo Lopes - www.marcelolopes.jor.br
Proibida cópia de conteúdo e imagens sem prévia autorização!
  • Faça Parte!

desenvolvido por: