26/11/2015 às 10h22m


Adaptar é preciso

Acabei de ler "Super Cérebro" de Deepak Chopra e fiquei com uma série de pensamentos acerca do assunto. Muitas conjecturas, probabilidades e zero de conclusão, como todo tema que não pode ser mensurado pela ciência ou colocado à prova. 

Einstein defendia o poder de adaptação do cérebro como forma de viver melhor e desenvolver ao máximo suas potencialidades. Nisso eu concordo. 

Adaptar é muito mais do que necessário, é na verdade, a única forma de obter uma existência pacífica em um mundo recheado de surpresas.

Ouvi a vida inteira que "não adianta fazer força conta o jeito", "aquilo que não tem remédio, remediado está".  E daí por diante. 

Até que li aquilo que mais me convenceu "Relaxe, nada está sob controle". Pronto. Achei o que buscava. Temos controle de que em nossa vida? De nada...  Abrimos os olhos pela manhã sem sequer imaginarmos o que nos aguarda naquele dia. Todos fazemos planos, mas é somente para nos organizar, porque não há mínima certeza de iremos cumpí-los. 

Quando um problema surge no caminho revoltar-se contra a existência dele é em vão. Ele já está ali. Você pode arregaçar as mangas para encontrar uma solução ou blasfemar contra ele, contra Deus, contra o mundo. Pode também apenas deitar e chorar. 

Pode ser que ele nem tenha solução, mas você continuará tendo opções: aceitar o fato ou, novamente, deitar e chorar. Ou seja, você sempre terá a escolha de como se posicionar perante o problema que te invadiu. 

Revoltar não é sábio.

É inteligente adaptar-se a existência de um incômodo até passar pelo processo de decidir como resolvê-lo ou chegar a resiliência de aceitá-lo.  

Uma coisa é fato – alimentar emoções negativas já é o começo para fazer as escolhas erradas. Bloquear as boas emoções é fatal.

Um bom começo para tudo é entender que viver pede, antes de qualquer coisa, adaptação. 

Para lutar e vencer ou aceitar que não há solução é preciso coragem. E, seja qual for o desfecho será preciso adaptar-se para seguir em frente e viver, senão feliz, pelo menos em paz consigo mesmo e com o mundo.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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19/11/2015 às 11h03m


A relatividade nas relações

É impressionante como toda a humanidade tem a capacidade de relativizar quando o assunto é amor. Minimiza evidências, dá férias ao senso crítico, enterra a sete palmos todos os tipos de avisos, até mesmo os mais frontais. De início vem o susto, a revolta e a raiva. Jura que jamais o perdoará caso tudo aquilo seja verdade. E vem a fissura por encontra-lo para tirar satisfações e "lavar a roupa suja". E se consome imaginando a cena dos dois juntos. "Será mesmo verdade?" E pega o calendário e verifica dia a dia. "Ele me ligou nesse dia?" "Chegou mais tarde em casa?" E corre para o celular para olhar as mensagens de SMS e conferir se coincidem com algum dos "dias" da possível traição. E enquanto espera a hora da verdade (que sempre será uma mentira, porque bem lá no fundo você sabe que ele jamais confirmará nada), você ainda finge para si mesmo que dessa vez não passará! Dessa vez você tomará uma atitude! E, inconscientemente torce para que as "mentiras" dele sejam bem convincentes para que você possa fingir para si mesma com a maior veracidade possível. Afinal, em uma relação onde sempre haverá traição, ser iludida é fundamental. E aí ele aparece - cheiroso, cheio de saudades, te olha dentro dos olhos, afaga seus cabelos como só ele faz, fala baixo, te abraça forte e renova as juras de amor, como sempre. "Que alívio!" 

Falou de amor, fica tudo bem. Prometeu mais momentos a dois, fica tudo bem. Planejou os mesmos projetos futuros, fica tudo bem.  Mas e todas aquelas evidências? E a outra?

"Que evidências?" "Que outra?"

"Escuta essa voz..." " Sente esse beijo..." "Esse olhar no meu..."

"Outra"? "Se tem outra, não me conte por favor..."

"Ah... ela só me disse isso porque estava com ciúme..." "Tudo isso tudo é puro ressentimento dela...". É... faz sentido... afinal, o que não faz sentindo quando se quer que faça sentido? Tão fácil acreditar quando se quer acreditar. É essa predisposição que garante ao outro se safar uma, duas, dez vezes... Ou melhor, ele não se safa de nada, porque ele não fez nada, pelo menos nada que o outra já não saiba. Ele "apenas" se encontra com outras, faz amor com outras, jura amor também a outras, mas quem disse que ele mente quando faz tudo isso também com você? Não importa o que ele faz com a outra, importa o que ele faz com você. Não é assim? Sim e não. Depende somente de você. Ninguém está certo ou errado. Importa é ser feliz. O que para uns é migalha, para outros é uma farta refeição. Ele fala, promete, planeja, enfim, renova os votos, e se isso te basta, te faz feliz por mais um tempo, ok. Muitas vezes eu queria conseguir esse "desprendimento", não da fidelidade, porque não sofro desse mal, mas de me permitir iludir.

Há muitas conjecturas quando o assunto é a dobradinha amor e traição. Bobagem... Para esse cenário basta um sofista (meia boca) e um coração apaixonado e tudo se resolve.

Ilusão é fundamental! Aplausos para ela!


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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11/11/2015 às 17h51m


Síndrome do coração partido

Desde que a ciência tomou conta da humanidade espremeu a arte em um canto qualquer, dentro e fora de nós.  

A arte nos ensina, nos torna humanos, nos emociona mas a cada dia a ciência nos rouba a arte. 

Nos primórdios da humanidade, médicos eram os alquimistas os curandeiros -  artistas que nos tocavam a alma, nos convidando a buscar em nossas emoções, a cura para os males do nosso corpo.

A medicina atual aprendeu com a ciência a fragmentar todo os orgãos. Coração é coração e fim de papo, como se batesse fora daquele peito, longe das emoções e  dos problemas que acometem aquele corpo.

Quantas casos existem de pessoas que perdem um ente querido e em seguida sofrem uma parada cardíaca? O coração reage a tudo: bate mais forte, dói, chora. Ocorre que a ciência decidiu retirar o coração do centro das emoções dando esse cargo ao cérebro. Mas não deu certo.

Faz um tempo que esse modelo tem sido questionado. 

Li que no dia 11 de setembro, e dias após, dezenas de pessoas sadias sofreram um ataque cardíaco.

Assisti a uma reportagem onde mostram médicos e cientistas japoneses afirmando que em muitos casos de ataques cardíacos, não havia nenhuma obstrução dos vasos que oxigenam o coração. E, ainda assim observaram uma lesão localizada no coração – similares a um ataque cardíaco. Só que, ao contrário do infarto, passado um tempo o coração era totalmente recuperado.  Eles nomearam essa doença de tako-tsubo, para nós a "síndrome do coração partido".

Estive outro dia no hospital onde uma senhora chegou gritando por causa de uma forte dor no peito. Logo que entrei perguntei ao médico sobre aquela senhora, e ele me disse que os primeiros exames mostraram que ela não tinha nada no coração e brincou comigo, provando sua sensibilidade: "deve ser dor da alma".  Perguntei a ele o que se faz nesses casos e ele me disse que ele se sente cada vez mais impotente, e delegam aos "tarja preta" a responsabilidade pelo alivio.

Enfim, a ciência está com sérios problemas perante essa "síndrome do coração partido" e é óbvio, que não será ela a resolver esse problema.

Talvez o único caminho seja cada um repensar seu papel dentro desse mundo insano.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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06/11/2015 às 08h45m


Boff já dizia

O livro "A águia e a galinha" de Leonardo Boff é uma metáfora da condição humana. A história de uma águia que foi criada junto às galinhas e com o passar dos anos passa a acreditar que era uma galinha de verdade, até que um dia aparece alguém que a faz enxergar quem ela realmente era.

Eu amo Boff, adoro esse livro e quem não leu, deveria ler, há ali, uma aula de filosofia em todos os sentidos e uma infinidade de lições.

Entre elas está a de que vemos o que queremos ver, ou o que podemos ver, ou o que nos é conveniente ver (porque, continuando com Boff, cada um lê e relê com os olhos que tem). Bom, a partir do momento que acatamos essa singularidade contida no olhar, ou na forma de olhar, ficamos cônscios da relatividade, senão dos fatos, da interpretação desses.

Se tem uma coisa que fui aprendendo ao longo dos anos foi sobre essa relatividade contida em todo o universo. Mas busco todos os dias encarar os fatos, ainda que eu os interprete da única forma que posso - com os olhos que tenho e a partir de onde meus pés pisam.

Acreditar que as pessoas são da forma como nos é conveniente acreditar que são, é algo que acontece muito. Agora, crer que nada pode passar despercebido, porque para tudo há indicadores e que só não os visualizamos por opção, é exigir uma percepção sobre-humana de pessoas normais.

Então, se o professor não estuprou meu filho, mas estuprou o seu, é porque eu fui atenta aos sinais e você não? Ou seja, a responsabilidade é sua antes mesmo de ser do estuprador? Isso é uma baita inversão de valores! É muita vontade de ajeitar as coisas. E temos visto isso na política, na educação, na justiça, no amor, etc, etc, etc.

Finalizando com meu caro Boff: "abramos as asas e voemos  Voemos como as águias. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar."


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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