28/10/2015 às 13h30m


Não é fácil crescer

Sinto dificuldade quando preciso dizer aos adolescentes certas coisas de "gente grande" que já endureceu e dificilmente não perdeu a ternura. Hormônios a flor da pele, descobertas aos borbotões, tanto físicas quanto emocionais e sociais. Apaixonados pelo namorado(a), de repente, são invadidos por uma vontade que pulsa de "pegar" a garoto(a) da escola, e vem a pergunta: 

- O que eu devo fazer? E se minha namorada(o) descobre? 

-Você precisará escolher meu bem.

E abro a listinha:
 - Na vida é preciso fazer escolhas o tempo todo.
 - Não faça aos outros aquilo que não gostaria que lhe fizessem.
 - Ninguém pode ter tudo na vida.
 - Não seja desleal.

Mas desleal a quem? Ao namorado(a) ou aos seus hormônios? 

É difícil separar  sentimentos de impulsos quando se é jovem, independente do sexo ser masculino ou feminino, afinal estamos nos século XXI e não vamos discutir aqui a boçalidade do machismo...Isso ficou demodè.

A grande maioria dos jovens  escuta o hino: aproveita porque ao chegar à vida adulta  tudo mudará. Muitas coisas mudarão, claro. Mas os laços de afeto serão sempre laços de afeto, independentemente da idade. Trair a confiança de uma pessoa a quem você prometeu amor e fidelidade (seja por um dia ou por um ano), não é uma atitude para ser banalizada com a desculpa de que se é jovem. 

Dúvidas são como pragas nessa idade. Então, não prometa nada. Seja sincero. Exponha seus sentimentos para seu par. Honestidade é um princípio básico que independe do ano da sua certidão de nascimento. 

Será preciso optar entre aquele amor romântico do primeiro namoradinho (a) e aquele "amasso" com aquele(a) "peguete" da escola? Sim. A não ser que seu par ache normal "dividir a bola", e que você se sinta à vontade em viver essa situação.

Tudo da vida tem um preço e um valor. Pague o preço, mas antes pese o que  tem mais valor para você.

Ninguém escapa da lei do "ou isso ou aquilo". Fazemos escolhas a cada amanhecer, desde que nos tornamos conscientes de nós mesmos, do outro e de tudo o que nos cerca.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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21/10/2015 às 09h24m


O feminista Mr. Catra

Outro dia ouvi algo como "homem é um animal, e como todo mamífero que anda em bando, ele precisa de várias mulheres para se satisfazer". Parei, dei marcha à ré, e me deparei com aquela já conhecida figura caricata de Mr. Catra.

Não consegui entender! "Como todo mamífero"? E a razão que nos diferencia dos demais animais não conta nada? Vale apenas o instinto? 

Como eu sou uma espiritualista que crê  na evolução da espécie, acho que convivemos com um número grande de primatas, uns mais e outros menos  evoluídos - como eu, você e o caro cantor, autor dessa pérola. 

Sobre como administra as quatro relações que mantêm: "A gente vai um pouquinho aqui, um pouquinho ali. Eu falo a verdade, você não precisa enganar ninguém. É como o touro administra as vacas. A gente não é papagaio, a gente não é arara para viver com uma parceira só a vida inteira." De fato, a grande maioria dos casais mente, e eu até tiraria o chapéu para o sincero funkeiro se ele não nos confundisse tanto com os seres irracionais...

Segundo entendi ele critica avidamente homem que bate em mulher e se diz um feminista. Mas nas letras de suas músicas ele coisifica a figura feminina como um mero objeto de prazer. No mínimo incoerente.

Bom, não vai aqui nenhum juízo de valor a respeito das escolhas do referido cidadão. Mas daí defender  isso como regra geral em rede nacional, foi demais! 

Mas vamos ao que interessa – porque ele falou isso? Porque como é sabido de todos, e já falamos aqui, ele mantém quatro esposas. E segundo ele, são todas muito felizes e concordam em número, gênero e grau com sua teoria. 

E aí vai mais uma vez o que sempre digo – tudo, absolutamente tudo pode dar certo se a ESCALA DE VALORES DE UM FOR BEM PRÓXIMA A ESCALA DE VALORES DO OUTRO.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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14/10/2015 às 10h58m


Amor e Manipulação

Relação de amor não sobrevive à manipulação. Mas convivem por aí mais tempo do que se imagina. Amor maduro, estruturado para resistir às inevitáveis reveses da vida,  carece de respeito. Manipulação é desrespeito. É  violar a liberdade e desumanizar a pessoa amada, que deixa de ser pessoa e torna-se  apenas objeto amado. 

É razoavelmente fácil o jogo de manipulação - elabora-se habilmente um arranjo,  ultilizando-se dose extra de egoísmo (pois o manipulador nunca leva em conta os outros) e tudo vale para  atingir a meta – mentiras, jogos de sedução, armações quase sempre ilimitadas. O risco é grande? Sim. Mas para quem está no comando, faz parte. Aqui, os fins justificam o meio. Afinal tudo é feito em nome do amor (?). A manipulação só ocorre em uma relação assimétrica, onde um ganha e outro perde, quando na realidade, ninguém ganha nada e a relação, mais dia menos dia, estará perdida. Amor que perdura nasce da simetria, das semelhanças que jamais serão igualdades. Difícil para quem é manipulado perceber que está submetido à manipulação, pois tudo é sutil e justificado como cuidado... E cuidado faz parte do amor não é? É.

"Que pessoa cuidadosa, amorosa e preocupada esse meu parceiro." "Ele só quer meu bem." "As pessoas o interpretam mal, mas eu entendo que tudo isso é zelo."

Fique atento: Se você se sente culpado quando seu parceiro/a chora e se descabela, se você anda fazendo o que ele quer para evitar brigas, se você tem sentido estranhos incômodos físicos, insônias, desânimo, você pode estar sendo vítima de manipulação por parte de quem deveria ser antes de tudo, seu mais sincero amigo. Todo esse desconforto vem do fato de você perceber que está amando e sendo amado por uma pessoa que é manipuladora e que para continuar ao lado dela, terá que abrir mão de si mesmo,  dos seus valores, está  deixando de lado o que antes lhe era caro para "não desagradar" essa pessoa que você ama, e que te faz bem, mas também te faz mal... Relação a dois quando é saudável e feliz não trás emoções negativas. Antes de continuar investindo nessa história seja honesto com você e veja se não anda fazendo coisa demais contra sua vontade. Nenhuma pessoa normal, por mais apaixonada que esteja, faz algo contra si mesmo. A não ser... Que esteja sendo muito pressionada... É assim que se sente às vezes? Então você está sendo manipulado. Cuidado, é uma trama perigosa, quase invisível, principalmente aos olhos estrábicos de quem ama. Um bom manipulador envolve toda rede de relacionamento do seu amor e quando esse acorda... Está só. Mas o manipulador te ama não é? Eu sei... Mas ele está doente de insegurança, e por isso precisa sugá-lo,  privando-lhe aos poucos de tudo e de todos, até que você se perca de si mesmo e seja somente a sombra dele. 

Em um momento qualquer essa relação, frágil como um castelo de areia, será varrida por uma brisa tola - você cansou de ceder e o outro não aceita ser contrariado - simples assim. Quem estava sendo manipulado se sentirá perdido por um tempo, caminhando contra um vendaval de areia - porque não deu certo? Porque você resolveu ser você outra vez - e segue tentando encontrar novamente as emoções que são realmente suas.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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07/10/2015 às 14h18m


Ouvi dizer que isso é amor

Dizem que viver o amor a dois é um paraíso cotidiano feito da felicidade. É se regozijar e maravilhar-se continuamente, juntos, um com o outro. O lar torna-se um o refúgio dos "inseparáveis", como aqueles periquitos que se beijam sem parar e que morrem quando são separados.

E no ninho do ninho, fazendo amor, vendo TV ou lendo, mantêm-se nos braços um do outro. Se um levanta antes, deixa bilhete. Nas mínimas ações vê-se um rosto deslumbrado com tantas pequenas coisas da vida a dois. São ritmos que combinam. É ter prazer com os prazeres dele e vê-lo ter prazer com os seus prazeres.

É admirar no outro a forma de se maravilhar, de brilhar. É ser fonte de poesia permanente. É sentir-se acolhido no mundo poético do outro, que o protege e o permite freqüentar o mundo duro e cruel porque sabe que o mundo do outro alimenta a sua vida.

É desconfiar que o outro veio de longe para você, ao mesmo tempo em que o longe mora dentro dele. É uma relação que não pede clandestinidades. Um é total e absolutamente do outro. Amor profundo e fundamental. Análogo e nunca menor. É um mundo atrelado ao outro, mesmo que exista uma vida de um sem o outro, essa vida é sempre irrigada, alimentada de seiva por sua vida.

A natureza desse amor é indefinível. Entrecruzam-se. É integração mútua de um no outro. Um é a alma do outro. É fada e super-herói. Esse amor é ternura nunca antes experimentada. É a coroação de todas as potencialidades de ambos. Um fica instalado no centro de gravidade do ser do outro. É um enamoramento sempre retomado, um amor renascido continuamente. "Comigo, a flor desabrochou; com ela, encontrei a fonte do amor." Um e outro, cada um a sua maneira e segundo a própria história têm a necessidade inalterável de amor, e ambas as carências se encontram, se agregam, se confortam. Indissoluvelmente, amada/amado, esposa/esposo, irmã/irmão, filha/filho, mãe/pai. Emana sentimento do rosto, da postura, e, sobretudo, de um não sei quê; como uma aura, um magnetismo, algo simultaneamente biofísico e psíquico... Esses dois seres se imprimem um no outro com uma profundidade prodigiosa. Presença que nunca é alterada, mas sim avivada até mesmo pela ausência. Não somente simbiose, mas, sobretudo enraizamento e incorporação de um no outro.

Enquanto ainda distante, é na idealização do outro que encontra-se companhia, pois são dois seres separados do inseparável. Presença inaudita. É amor na porta da morte e nas fontes da vida. Ouvi dizer que  isso é que é amor.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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