27/01/2015 às 16h14m


Ser feliz

O mundo parece uma pista de corrida onde a felicidade é o prêmio que todos se atropelam para conquistar.

Cada um vê sua felicidade dentro de um contexto que sempre se difere do vizinho, e por ser um conceito individual não há como enquadrá-la, apesar dos milhões de manuais que teimam em ensinar fórmulas para conquistá-la. 

Tem um autor que diz que o "anseio é realista quando você parte da premissa de que a pista para a realização deve estar em você". É nessa pista que você tem que correr, as outras são becos sem saída e te levarão a lugar nenhum. Para ser feliz é inevitável pagar o preço de uma auto confrontação severa. Você tem que assumir a responsabilidade pelo seu estado atual e pelo estado ao qual aspira. Enquanto não tiver consciência disso, vai repetir escolhas equivocadas e continuar infeliz.

Momentos infelizes proporcionam uma compreensão mais profunda das relações entre causas e efeitos e uma percepção de sua força e de seus recursos internos. Mas para isso também é preciso consciência. E nada disso é em vão, o ruim é "errar o mesmo erro". Reproduzir escolhas em escala vida afora é viver na marcha à ré. 

Todos erram muito até acertar. Faz parte do aprendizado. O ruim é ficar escolhendo as mesmas situações, pensamentos, emoções, relacionamentos, teimando em repetir interminavelmente o mesmo padrão. Isso é improdutivo, não leva a lugar algum e ainda adoece você e contamina quem está a sua volta. Sem consciência ninguém se liberta. 

O hábito pode ser um inimigo poderoso quando decidimos nos livrar dele... Sempre cria raízes profundas e para modificar isso é preciso força, e ninguém é forte se estiver inconsciente de si mesmo. 

Ser feliz é o maior projeto da humanidade e todos acreditam depender de pessoas e coisas para realizar essa conquista. Mas não deveria ser assim. Eu aposto que a felicidade verdadeira só existe a partir de um encontro solitário consigo mesmo. No mais conquistaremos bons e inesquecíveis momentos felizes que podem durar algumas horas ou algumas décadas.

Mas em detrimento de tudo isso, existe uma certeza interna em cada ser humano e que nunca pode ser abandonada que é o desejo que nasce da sensação de que sua vida pode ser muito mais.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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20/01/2015 às 11h18m


Nem príncipe, nem sapo

Como sempre digo, expectativa vive de braços dados com a frustração. Mas dá para investir em um relacionamento sem expectativas? Acho difícil, mas não impossível. 

É preciso uma boa dose de racionalidade, que infelizmente, não está a venda em lugar nenhum... Mas dá para "peneirar" antes de escolher.

Ninguém pode oferecer o que não tem, portanto, observe bem o "objeto" em questão sem fantasiar.

Se o sujeito só gosta de cachaça e churrasco, não suporta música que não seja pagode com amigos, não lê mais do que bula de remédio, e cinema só se for filme de bang bang, não espere que ele te acompanhe para assistir a orquestra sinfônica que você tanto preza e nem que te convide para saborear um peixe com alcaparras acompanhado de um vinho... 

Tudo conversado se entende?  Acho que não. Quando se está apaixonado a tendência é entender tudo. Para depois perceber que muitas coisas foram sabotadas.

Não projete no outro o seu desejo de homem ideal . Enxergue-o como ele é e não como gostaria que ele fosse. Pondere se o que ele tem para lhe oferecer te satisfaz, caso não, deixo-o partir, pois você não será feliz e, claro, ele também não. 

As pessoas não são iguais, mas existem muitas que são parecidas. Procure por isso. 

Gosto realmente não se discute, mas compartilha-se. Ache quem compartilhe o seu. Você viverá mais relaxada. 

Relacionamento não pode depender de "esforço" de nenhuma das partes para sobreviver. Esforço deve ser feito para carregar peso, e não para viver a dois. Dedicação não é esforço e nem príncipe é encantado...

O último fugiu de todos os protocolos reais e imaginários quando traiu a bela e jovem esposa, Diana, com uma Camila, feia e com muitos anos a mais do que ele, e pelo que nos mostra a mídia, vive feliz ao seu lado. Portanto, nem a realeza que adora uma regra, pode oferecer  regras que garantam a felicidade a dois.

Busque apenas quem possa ser o seu parceiro, e deixe os sonhados príncipes virarem sapos bem longe de você.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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14/01/2015 às 11h20m


Amor e inteligência

Há um tempo atrás li no facebook a frase: "A inteligência é o maior afrodisíaco que existe". Concordei totalmente. Até que experimentei uma realidade que provou para mim que não. A inteligência jamais será o maior afrodisíaco. O maior afrodisíaco que existe é o amor. Digo amor, não fantasia.

Idealizar demais uma situação, nos trava diante da crueza da inevitável realidade, pois por melhor que ela se apresente, dificilmente será como aquilo que foi idealizado. Sem problemas. Sonhos colaboram para uma existência mais rica. Na imaginação, tudo é perfeito e precisamos dessa fantasia. Mas há de se ter muito cuidado com o tamanho da frustração quando aquilo que atrai, encanta, provoca e excita entra em choque com uma realidade que foi totalmente inventada. E aí, aquilo que era afrodisíaco torna-se decepção, tristeza, frustração.

Inteligência tem pouco a ver com alardear conhecimento. Inteligência é perspicácia, agilidade mental, agudeza de espírito para transitar das situações comuns às incomuns com autonomia, bom senso, graça, humor. Isso é ser inteligente. E, de fato, é afrodisíaco. Mas não tem o poder de sustentar uma relação. Inteligência sem o coração oferece alto grau de periculosidade. É arma letal denominada manipulação.

A alma humana se sente atraída por sentimentos elevados, mas a inteligência permite eloquência suficiente para "passar" ao outro uma nobreza inexistente e, a verdade é que reconhecer isso nem sempre é fácil...

Hoje as propagandas de carro afirmam que carros são sensuais, ou seja, até mesmo objetos podem ser estimulantes de alguma forma. Vale lembrar disso antes de fazer uso da boa fé e acreditar naquele príncipe encantado, interessante, educado, bom amante, sedutor, que jura  ter encontrado em você a sua alma gêmea. Ele se mostra como o último dos românticos, e é... Com você, mas também com a metade da torcida do Flamengo.

Alguém disse que "Amar é admirar com o coração, e admirar, é amar com o cérebro".  É preciso razão para saber se aquele que se ama com o coração é digno de sua admiração. Entendo a sensualidade como a excitação causada pela constatação ou contemplação do que é, de alguma forma, incitante. E isso acontece na imaginação. Por mais que o amor não seja passível de explicações racionais, há uma lógica mínima que norteia, senão o sentimento em si, pelo menos o que fazer a partir dele. Caso contrário vira um "vale tudo", onde dor e sofrimento certamente serão constantes. É preciso definir o que se quer do amor.
 

Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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07/01/2015 às 08h31m


Divórcio - qual a hora de bater o martelo?

Por mais que atualmente tudo seja tão efêmero, desacredito que alguém se case pensando em separação. Pelo menos não de forma consciente. Mas existe aquele dia horrível em que você se percebe divorciada, ainda dividindo casa, comida e roupa lavada. Compartilham o momento do almoço, vão juntos à festinha do filho na escola, posam de família feliz em dezenas de porta retratos sobre as estantes da sala, e, até fazem sexo vez ou outra. Por um período (longo ou curto) fica assim, um parece, mas, não é - parece feliz, parece família, parece casal, parece para sempre. Com o tempo até isso vai perdendo o sentido, mas ainda não é hora de declarar o fim, para o mundo. Mil justificativas para essa demora (se é que algo justifique a infelicidade). Sei que é difícil demais! Envolve bens, filhos, planos e sonhos.

Então, qual o momento de bater o martelo e sentenciar o fracasso desse projeto? Quando as crianças crescerem... Quando a casa estiver quitada... Quando passar o casamento da sua irmã... Quando descobrirem a cura definitiva para alguma doença que você nem sabe quem é portador. 

Não, não existe tempo certo.  O que existe é o seu tempo. E como saber quando ele chegou? Difícil, pois enquanto o tempo vai passando, sua capacidade de suportar o sofrimento vai ficando elástica, e você vai sobrevivendo cada vez melhor ao descaso, às ausências, ao desamor, à solidão a dois. Mas um dia a coragem se instala (era ela que faltava) e você esquece a comodidade, convenções, o hábito (ah! esses malditos nós de escoteiro!), e liberta-se! E  verá como é melhor não ter ninguém a ter somente uma presença a te deixar sempre no vácuo.

A decisão de divorciar-se vai tomando forma no desamor, no desajeito, no desalinho do casal, mas só é fato quando a coragem se instala. E ela nunca vem a cavalo, essa danada. Costuma vir sobre casco de tartaruga, testando nossos limites para suportar a infelicidade, e caso não fique muito atento, você corre o risco de abrir mão, para sempre, de coisas deliciosas, como dormir de conchinha, olhar no olho e dizer eu te amo fora de hora, andar de mãos dadas, fazer aquele sexo de perder o fôlego.
Se investimento emocional errado tem força  para derrubar a bolsa de valor de Tóquio, imagina o que não faz com você?  Mas vai passar, você vai recuperar a confiança, e se sentirá  em alta.

Aos poucos uma nova realidade vai se delineando, e, você vai confortavelmente se encaixando dentro dela. De repente conhece um amor e vai ser feliz, ou não. Sozinha você também ganha. Ganha novos amigos, trás os antigos de volta e recupera o hábito de sair para dar boas gargalhadas, para jogar tranca, para falar bobagens na companhia de um monte de mulheres. Ser feliz não depende de ter um relacionamento de amor, e sim de ter relacionamentos de verdade.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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