23/09/2014 às 07h54m


Solidão

Adoro o silêncio, mas nunca o da noite. Não suporto aquele barulho silenciado pela madrugada que sufoca e confunde - não é mais noite e ainda não é dia.

Gosto da quietude de cantos isolados e vazios da natureza. 

Pensei na solidão. Solidão mesmo. Aquela sentida  quando se está em meio a um batalhão de pessoas. Em tantas ocasiões ela assombra a nossa falta de sossego, e apontando o dedo na cara diz "entendeu o que é de fato sentir-se só?" Entendi. 

Quando somos magoados. Quando nossas expectativas vão pelo ralo...ah! frustração! Quando adoecemos. Quando somos mal interpretados. Quando nos sentimos indevidos. Quando somos vítimas de mentiras. Quando injustiçados, não encontramos maneira de nos defender. Em todos esses momentos estamos absurdamente sós. Nada pode ser compartilhado. É um parto no deserto. Você olha em volta e nada te alcança. Curioso é que nesses momentos, entramos em um ciclo destruidor porque ao invés de nos acolhermos, a tendência é concordarmos com o mundo, e simplesmente nos abandonarmos também.

Quando sentimos essa solidão "na raiz", tendemos a desistir de nós. Não queremos levantar pela manhã, não há dia lindo lá fora, não queremos caminhar, desistimos da ginástica. Sair para que? Não há graça em comprar roupa, abandona-se o batom e de quebra, os amigos. Come-se qualquer porcaria fora de hora, deixa aquele exame para quando "eu estiver mais disposta".  E fica-se ainda mais sozinha. Você diz a si mesmo através dos seus atos "fique por aí, não estou nem aí"! Então quem estará?

Uma vez uma amiga minha que estava submersa em antigos problemas familiares, começou uma mudança de hábitos rigorosa e eu lhe questionei como ela conseguia iniciar uma dieta em meio a tantos problemas, e ela me disse: "Se eu fizer a dieta, continuarei tendo um problema - minha família, se eu não fizer a dieta, passarei a ter dois problemas - minha família e meu peso". Nunca esqueci isso. E olha que já faz muito tempo... Um tempo onde o sono nunca me deixava e eu achava que solidão era aquela sensação ruim de ficar sozinha aos domingos à tarde ouvindo o maldito radio do meu avô narrando jogo de futebol.

Se o mundo que nos cercaabriu as fronteiras nos deixando sem rumo, não devemosnos maltratar mais ainda.  Não podemos virar as costas para nós mesmos, justamente no momento em que mais estamos precisando de carinho e cuidado.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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16/09/2014 às 07h32m


A arte da conquista

Hoje li uma matéria sobre a arte da conquista. Um texto tipo autoajuda (que me irrita tanto quanto o tal do telemarketing), que teve o poder (sempre bem-vindo) de me fazer pensar sobre isso. Gente! Que coisa é essa - um modelo comum para conquista do amor?

Arte é a maneira de fazer uma determinada coisa segundo as regras e visando obter êxito. Não consigo encaixar isso dentro dos relacionamentos amorosos. Cada pessoa é singular, portador de particularidades e excentricidades, não há preceitos que garantam sucesso na conquista de corações tão diversos. 

Quando a paixão invade um dos dois em maior intensidade, é compreensível a ânsia por conseguir arrebatar o coração do outro, garantindo reciprocidade nos sentimentos, mas não pode ser um vale tudo.

Não dá para vestir a camisa do Vasco quando você sempre foi flamenguista doente, nem equilibrar-se em pleno meio dia, sobre um salto agulha, trajando um tailleur sóbrio, só porque ele elogia as executivas paulistanas, quando você mora no interior, trabalha em casa e adoraroupas estilo hippie... Nem decorar toda a história de vida de Bob Marley, só porque viu um pôster do referido cantor no quarto dele.

Uma coisa é você ser apresentada a hábitos e preferências diferentes do seu, e gostar. Diferenças somam na vida de qualquer pessoa. Agora, usurpar o mundo do outro, como se ele sempre tivesse sido também o seu, visando apenas à conquista? Isso jamais funcionou. Ninguém consegue ser o que não é para sempre.

Além do que, esse tipo de comportamento baseado na manipulação é desonesto e doentio, e relações saudáveis nunca nasceram e nunca nascerãodaí.

Mudar sua forma de ser para conquistar o outro pode até funcionar, mas não sobreviverá por muito tempo. Você não será feliz e conseqüentemente ele também não.

Quando você coloca a máscara apresentando-se aos olhos do outro, por total passionalidade, vai chegar o momento em que você mesmo vai se trair.  Tudo vai por água a baixo e você vai maldizer o outro, sua sorte, seu destino, esquecendo-se que, desde o início, o único responsável foi você.

Castelos de amor precisam ser construídos com matéria-prima sólida, construí-los com areia tem aquele velho final conhecido de todos nós.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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09/09/2014 às 08h05m


Você acredita em alma gêmea?

Talvez a resposta não tenha lógica para alguns, mas lógica nunca foi minha preocupação. Falo com o coração e brigo com a anatomia quando me lembroque a cabeça fica acima dele. Olho as pessoas, muito antes de olhar as coisas. Sempre acreditei em alma gêmea, que é completamente diferente de acreditar em príncipe encantado.  
Denomina-se alma gêmea, almas que, num determinado momento, foram divididas para que pudessem evoluir. Possuem semelhanças em suas crenças, sentimentos, enfim, olham para a mesma direção. 
Passamos a vida buscando um relacionamento que nos possibilite ficar mais inteiro, que dê um sentido maior às nossas vidas. Nessa busca, quase sempre nos perdemos, investimos em relações superficiais, que terminam e deixam tão pouco dentro de nós. Com isso, nos sentimos internamente confusos e perdemos a capacidade de perceber o simples. 
Crescemos sem consciência de que nem tudo tem uma explicação racional. Muitas vezes, é preciso apenas sentir.  Mas nessa sociedade, quem sente, é tido como sem juízo. 
Não há racionalidade no caminho que nos leva ao encontro de nossa Alma Gêmea. Porque o que é simples, não tem explicação. 
Não há encontro de Almas Gêmeas simplesmente porque há o desejo de que isso aconteça. O único caminho capaz de nos levar a esse encontro, é o caminho de dentro. É conhecer a sua própria alma. Ninguém acha uma pessoa de tamanha importância, se ainda não se achou. É preciso um intenso e corajoso trabalho de auto conhecimento. E, como tão bem dizem, a convivência entre o ser humano e o silêncio é uma das mais difíceis. Silenciar-se, aquietar-se, voltar-se para a sua essência, sem medo, sem farsa, sem julgamento. 
Torna-se imprescindível essa avaliação pessoal  para o nosso crescimento. Esse é o único caminho para reconhecer-se, e reconhecendo-se, ser capaz de reconhecer  aquela alma com características tão próximas às suas, e aí, em uma total falta de explicação, você encontra sua Alma Gêmea. Guardo comigo a crença de que a partir desse encontro será  mais fácil  seguir. Viver  a dois (verdadeiramente),com certeza, torna a vida mais leve.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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02/09/2014 às 08h45m


Está perdidamente apaixonado?

Meu caro, preciso te avisar mesmo sabendo que só poderá ouvir quando sair desse coma: Você está encalacrado! A paixão é a pior delícia que há. Te priva dos sentidos - você deixa de perceber. Qualquer tentativa de alerta é poeira ao vento. Paixão é fatal.

Quando o torpor passar e se der o seu renascimento, você irá se indignar com sua falta de atitude perante certas posturas que, se partisse de qualquer outro mortal, você jamais teria aceitado. Mas, como partiu daquele ser, até então, imaculado, você nada fez. 

Não pensar é o lema dos apaixonados. Jogam ao lixo coisinhas básicas como refletir, analisar, ponderar.E nem adianta estar de posse de tudo isso, pois aconteça o que acontecer você não vai abrir mão dos beijos, das noites quentes, da companhia apaixonada do outro. Portanto, estejam à vontade - joguem garrafas vazias em praça pública, chutem cachorro, mandem a mãe à merda, joguem charme para o amigo, ouçam Fiuk, pois nada (por enquanto) fará com que o outro veja defeitos em vc. 

Não há realidade possível que não aquela projetada pela paixão. Indivíduos lúcidos passam a ser marionete dos desejos.

É um imobilizador poderoso essa tal de paixão! A sorte é que um dia passa. E aí meu camarada, quando você recobrar sua capacidade de discernir, o bicho vai pegar. Se tudo correu bem no período em que você estava anestesiado, e o respeito imperou o tempo todo, quem sabe a paixão se tornará um "bem vindo" amor? Mas, se você se certificar que engoliu sapos e lagartos, aí vai querer se atirar pela janela. 

"Onde estavam os meus amigos que nem me avisaram?" Avisaram sim, meu querido... Você é que se encontrava temporariamente fora do ar. Agora que voltou a ser um ser pensante, nada de se culpar. 

TODOS os mortais são acometidos por esse mal-estar súbito e, com sorte, breve. Paixão é irracionalidade pura, é desgoverno de si, do outro e do mundo, é navegar em mar aberto sobre barco de papel. Conselho? É reles.  Não há o que se fazer. Para quem está de fora, resta aguardar e torcer para que não haja estrago e quem sabe, o amor se estabeleça. 

"Então escrever para os apaixonados é escrever em vão?"  "Claro que sim".

Mas pelo pouco que você puder entender (acredite, não desejo deixá-lo sorumbático) saiba que, solidarizo-me com você. Todos, um dia, já navegaram por essas águas e posso garantir - o barco de papel  afunda mais rápido do que se imagina. E passa!Isso é certeiro, uma hora passa totalmente, e a alma que parecia apartada de tudo retornará dando vida ao corpo e então, você poderá compreender tudo isso e esperar que um amor de verdade chegue.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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