26/11/2014 às 06h43m


É que o amor é raro

Não acho que homens e mulheres fiquem sozinhos por opção, ainda que muitos digam isso. 
Encontrar uma companhia não é tão fácil. Para estar junto é preciso muito mais do que ser uma pessoa inteligente, bem humorada, educada, etc. Até porque, gosto não se discute, então, sempre haverá alguém que se sinta bem ao lado de um carrancudo, que acha que a capital dos EUA é NY e que limpa as mãos na toalha de mesa. 
Não ter namorado parece sinônimo de defeitos: "Hum... deve ser cheia de manias, exigente, perfeccionista". Para alguns a culpa é dos homens que não levam nada a sério, mentem e são infiéis. Para outros a culpa é das mulheres, fúteis, descomprometidas, interesseiras. Para a maioria, o problema está nos tempos atuais que oferecem muitas facilidades em múltiplos sentidos. 
Ou pode ser porque você é chata. Ou porque ele é egoísta. Enfim, pode ser um monte de coisas, mas eu não acho que seja nada disso.
Amor não é nada fácil de encontrar. Qualquer critério, como aparência física, grau de instrução, profissão, renda mensal, é algo genérico, do contrário, bastaria acessar a plataforma do Linkedin.
Engatar namoros um atrás do outro para muitos é sorte, para mim é capacidade de relativizar. É considerar que algo para ser inteiro, absoluto, depende da circunstância, afinal "eu não vou ficar sozinha no final de semana". Priorizam a companhia mais ainda que a própria pessoa. Não vai aqui nenhum juízo de valor. É só uma observação. 
Tem gente que se adapta com mais facilidade. Eu, geralmente me adapto muito bem a quase tudo. Não a relacionamentos. Sou detalhista. Para eu ficar por inteiro (porque pelas metades a gente está sempre experimentando ficar) preciso gostar do tom da voz, dos gestos, do jeito que trata o garçon, do som do toque do celular. 
Um casal de verdade é algo que me intriga. Se é tão difícil achar alguém para amar é também difícil ser aquele "alguém" que o outro vai amar. Óbvio. Agora imagina bem, você garimpa em meio a milhões de dificuldades, alguém que você finalmente consegue amar e aí, esse alguém te ama também!!! É milagre. Melhor definindo, é destino. Tem que ser. Só ele para explicar. Definitivamente, a culpa é mesmo das estrelas.
Tornar-se importante para alguém em um mundo onde tudo parece fugaz é algo intrigante. E belo.
Tempos atrás o hit do momento era uma música ridícula que dizia algo como "vou me divertindo com as erradas enquanto a certa não aparece". Deve ser por aí, lembrando que o certo para um é o errado para outro. Ainda bem. 
E enquanto isso a vida segue e pede paciência. Não cabem culpas. 
Não é que você seja chato, é porque o amor é raro.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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18/11/2014 às 17h51m


E o para sempre, sempre acaba

Mudanças são sempre complicadas. Durante a vida fazemos inúmeras. Eu faço parte do time que se adapta com imensa facilidade a qualquer situação ou lugar. Nada me soa como problema. Minha zona preferida nunca foi a de conforto. Encaro  bem os incômodos que qualquer tipo de mudança acarretam, sejam elas externas ou internas. Acho que ninguém consegue fazer uma mudança de casa (e nem mesmo de vida) sem jogar fora, sem rasgar, sem queimar coisas. E dá-lhe papel!(E sentimentos!). 

O ideal talvez fosse não ler nada que fizesse parte do passado - nem e-mail impresso, nem cartas guardadas, nem aqueles cartões de natal. Mas a gente sempre lê. E  se enche de perguntas: o amor acabou ou não era amor? Todos aqueles "quero ficar junto com você para sempre" eram mentira? 

Por vezes relemos promessas contundentes, certezas  precipitadamente absolutas, juras de um amor escancaradamente surreal, e fica difícil acreditar que era tudo uma grande mentira. Pode ter sido apenas um engano, afinal, quem não os comete? 

É preciso um pouco de certeza ao proferir as palavras. Mas quem pode garantir que naquele momento não houvesse certeza naquele coração? 

A diferença toda mora, não naquilo que foi escrito ou dito, mas em como o que foi escrito ou dito foi colocado em prática. Há  juras de amor que foram vivenciadas por anos a fio, e que, depois de um tempo acabaram... 

Há juras de amor que foram vivenciadas apenas o tempo de alguns bons encontros, onde a palavra "nunca" foi vivida na prática. A primeira é a típica representação de que "o para sempre, sempre acaba" - era amor, mas deixou de ser. 

A segunda, talvez, seja aquele tipo de amor objetivado, que tenha como finalidade, não o amor em si, mas o desejo de ser içado de determinadas situações entediantes. 

Sem condenações, o fato é que amores podem sim acabar, como tudo na vida, mas quando verdadeiros, tornam-se memórias sólidas, de momentos a dois consistentes com experiências partilhadas, de fato. 

Os outros amores foram ilusão, nada foi sólido, e nenhuma experiência concretamente partilhada... esses virarão lixo reciclável e, pelo menos, terão alguma utilidade no Universo, como (quase) tudo.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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11/11/2014 às 08h01m


Crescer é a mais solitária das navegações.

Crescer é a mais solitária das navegações. Você "cai" sem paraquedas em um mundo que está pronto muito antes da sua chegada.

Pai, mãe, tios, avós, carregando seus fardos decorrentes de vivências anteriores a sua chegada. Quantas coisas boas e outras tantas ruins já te esperavam... E você sem culpa e sem defesa vai vivendo e, muitas vezes, sobrevivendo a pessoas já adoecidas pela vida e por suas escolhas equivocadas.

Enquanto cresce vai acumulando em si, todas as idades. Dentro de você habitam todos os seres que você foi e todos aqueles que poderiam ter sido e que acabam envenenando o seu presente.

Ninguém tem apenas 15, 30 ou 50 anos, carrega-se também aquele bebê de um mês, dois anos, o adolescente de dez, quinze anos, enfim, todos os outros "eus" que estão carregados de decepções, raiva, medo, solidão, palavras não ditas, não ouvidas, mágoas não reveladas. Todos esses "eus" te recriminam, censuram, amedrontam, desconfiam na intenção de te proteger da dor que um dia vivenciaram, e, temendo sentir novamente, boicotam as novas possibilidades.

"Eus" que emergem lembrando o que não receberam o que podia ter sido e não foi. Sei que não há como livrar-se deles, mas eles podem ser silenciados para que você possa viver em paz, deixando vir à tona o melhor de si e podendo assim, receber o melhor do mundo.

Sempre chega o dia em que você deixará de ser filho, neto, sobrinho, para tornar-se você. Momento difícil, onde esses "eus" estarão lá, atravancando o caminho, preso ao que aconteceu e também ao que jamais aconteceu enquanto você crescia.

Perguntas invadem. Não vale se consumir e nem se resumir... Foi como tinha que ser. 

Um dia tudo modifica. Silenciam-se os muitos "eus" que teimam em te puxar para trás. Aquela criança que mora em você, também amadurece.

De repente encontros acontecem e você se descobre inteiro.

E nasce uma história que é só sua. 


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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04/11/2014 às 17h37m


Medo de amar

"Nunca amei. Preferi assim. 95% das pessoas sofrem por amor, como não me considero burra, e nem privilegiada, não quis apostar que ficaria entre as 5%. Não conheço as alegrias de quem amou e foi amada, mas também nunca vou experimentar as agruras do final. Se me arrependi? Só uma vez, quando  vi um casal de meia idade, de mãos dadas, olhando o pôr do sol na praia, enquanto eu caminhava sozinha pela areia. Mas passou rápido". 

Li esse depoimento em um site e fiquei pensando em quantas pessoas crescem tentando se vacinar contra o excesso de amor, enquanto presenciam mães se definhando aos poucos, por causa do pai ou vice e versa. 

Conheci uma pessoa que todos os dias,  após escovar os dentes e lavar o rosto, encarava o espelho e dizia olhando-se nos olhos: "nunca vou sofrer por amar demais". Era quase um TOC, se  esquecesse de falar isso,  subia as escadas de casa novamente, voltava ao espelho e dizia. Seu dia só começava, depois de concluir esse ato quase  ritualístico.

Na adolescência, todos se apaixonam, ainda que seja apenas uma vez  

Nesse período, temos nossos primeiros relacionamentos cheio de aprendizados, alguns bons, outros nem tanto. 

Essa pessoa que conheci me contou que, sempre quando percebia que estava se apaixonando, terminava.  E voltava ao ritual do espelho. Não queria correr o risco de passar a vida  amando demais, e sofrendo demais. Aí, por um motivo qualquer, que nunca conseguiu explicar, resolveu com ela mesma, que o problema não era o fato de amar demais, ou de menos, mas sim, o risco de ser muito feliz no amor. Ela pensava: Se eu for muito feliz no amor, e por algum motivo perder tudo isso, vou ficar como minha mãe - enterrada em um sofrimento sem fim. A solução então, seria amar mais ou menos, pois no caso de algo dar errado, ela estaria protegida de sofrer. Pouco tempo depois, ela entendeu que isso significava escolher as pessoas erradas.

Enfim, ela foi fiel ao  espelho. Não sofreu por amar demais. Mas confessa que perdeu grandes chances por conta do medo de sofrer. E, no final, sofreu por outros motivos. 

Não adianta querer negociar com a vida. Ela nunca nos dá garantias.

Quanto mais alto o vôo, maior a queda. Certo? Pode ser. Mas também...

Quanto mais alto o vôo, mais bela a vista. 

Partindo desses dois pressupostos, como decidir? Não sei dizer.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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