28/10/2014 às 08h18m


Realidade – múltiplas possibilidades

E de repente tudo muda de lugar. Nada saiu como esperado. 
O relógio marca a hora, indiferente ao momento. 
O certo e errado vagam por aí coroando e punindo, mas quem mensura o que? Quem adjetiva? 
Tudo parece igual e por vezes tão diferente. Mas para quem? 
Tantas vezes o recuo é o avanço, partes do movimento da vida, unidos e separados articulando e expressando o tempo. 
E o que é o tempo senão a consciência dramática de nossa efemeridade? Efêmeros dentro da eternidade. 
Onde estamos? Aqui. Mas onde é aqui? 
Existo. Eu vejo, me veem. Eu sinto, me sentem. Isso significa que existo. 
Mas em qual dimensão estou? Em muitas. As realidades são múltiplas, nossa consciência sabe disso, pois só ela pode ir além desse mundo material.
 
Qual a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do Amor de Cristo?"(Efésios3:18)
Espaço e tempo são ilusões. Estou aqui e lá, viajo no ontem e no amanhã. Encontro pessoas tão distantes. Não dependo de datas e horas. 
Distância é ilusão. Tudo é ilusão. A sintonia transcende. 
O que é real? Tudo e nada. A realidade possível está na existência de várias realidades. Universos paralelos. Indiscutível.
O mundo objetivo está na mente de quem observa. O que é, então, verdade? Nada... Tudo...

É na expansão da consciência que nos tornamos seres multidimensionais. E quanto mais cônscio disso, menos medo e mais desapego. Saímos dessa realidade para entrarmos em outras. 
Mas permanecemos aqui. 
E o nosso entorno nos pune. E, sem saída, nos isolamos desse mundo tido como real.
(ou o mundo nos isola?).
Todas as nossas possibilidades estão acontecendo simultaneamente, mas estamos focados somente na realidade, e ela é apenas uma possibilidade entre tantas outras que também são reais...


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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21/10/2014 às 07h44m


Amante

Soa como palavrão. Uma ofensa. Um desacato a moral.
"Burra!" "Feia!" "Idiota!" "Amante!"
Um xingamento. Ocupar o papel de amante é assinar sua exclusão social. Ainda no sec. XXI é assim que funciona. Mente quem diz que não. Enquanto tudo corre sob absoluto sigilo, tudo bem. Mas um dia a casa cai, e aí, a moça boa, do bem e de bem, passa a ser a vagabunda. Uma sentença. A traidora sem caráter. Mas e o contexto? Será que desempenhar esse papel é uma escolha? Ou falta dela? "Destruidora de lar." "Messalina." "Prostituta."
"Mas ela sempre foi uma boa pessoa, séria, bem criada." 
E deixou de ser tudo isso?  Ao se sujeitar a ocupar o humilhante lugar de amante, esvai-se todos os méritos e qualidades? É injusto. Já basta a injustiça que essa  situação lhe impõe. 
Amante vive à margem. É "a outra". A filial. A 2ª opção. De sujeito a objeto. Despersonificou - aquela que era a fulana, virou simplesmente, a amante do fulano.
"Mas ele me ama."
"Se amasse estaria ao seu lado."
É simples assim? Creio que não. Mas complicado ou não, o fato é que é exatamente desse jeito. 
A esposa reina, a amante vive no porão. Quando pode ele liga. Quando pode ele vai te ver. A prioridade é o cônjuge. É ela que merece todo o cuidado, mesmo que só você tenha aquelas noites regadas a pétalas de rosas (que por sinal não passam de noites regadas a pétalas de rosas...). A amante sabe o lugar que ocupa, está lá porque quer. Nada de lamúrias.
"Mas o tempo está passando e você disse que se separaria."
"Minha esposa ainda precisa de mim. Meus filhos também. E ainda tem o cachorro e só eu passeio com ele." (Até o cachorro).
"Mas você sabe que é a você que eu amo, é com você que quero viver até o fim da minha vida, confie em mim, tudo vai dar certo."
 E você confia. Afinal ele parece realmente sofrer com a situação. "Ele me ama". Pode até amar mas é com a esposa, com os filhos e com o cachorro que ele passa todas as datas festivas. 
Então tá, ele te ama. Mas amar é tudo? Se é, não deveria ser. E ainda que seja, até isso é relativo.
Homem que tem amante nem sempre é um homem tipicamente infiel. Mulher que é amante, nem sempre é uma mulher "vadia". Há todo um entorno. Mas uma coisa é indiscutível. Há homens que serão sempre infiéis. Há quem encare bem estar ao lado de um desses. Ok.
"Mas eu não quero prejudicar a relação do casal, não suporto a ideia de destruir uma família, mas ele me prometeu isso, isso, isso................. "
Enfim, a história é a mesma. Sempre. Independente de credo, cor, raça e posição social. Não quer destruir a família? Então cai fora! Não que eu acredite que uma amante tenha o poder de destruir uma família, até porque um homem que mantém amantes, para mim, já destruiu o conceito que eu tenho de família. Mas, ainda assim, você estará de coadjuvante em uma montagem paralela, sabotando a realidade. Se você aceita bem essa função, então, está tudo em seus devidos lugares, mas caso contrário, encare a realidade e saia recolhendo suas frustrações, e diga-lhe  que quando ele tiver finalmente decidido a vida dele, tudo se resolverá entre vocês. Se ele te ama, fará isso correndo... 
Enfim, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é."


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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14/10/2014 às 13h31m


A dependência reside na alma

Segundo o médico húngaro-canadense Gabor Maté: "Drogas não causam dependência". Como assim não causam? E aquele bando de gente esfarrapada no centro da cidade? Ele explica: "a dependência não reside na droga – ela reside na alma. Sendo assim, a cura para a dependência, portanto, não seria a destruição da droga mas sim, o preenchimento do vazio na alma."

E levo essa fala para todo vício, pois seja ele qual for visa preencher esse vazio da alma, eu creio. E de onde vem esse vazio? De uma infância difícil, de uma casa vazia, de uma mãe depressiva, de um pai castrador, de uma grave doença, da falta de afeto, da agressividade vivenciada, da impotência perante as duras adversidades impostas quando seu universo  ainda deveria ser lúdico, e é simplesmente seco e cinza.

Lembro-me o quanto me chocou quando o marido da atriz Sandra Bullock, a traiu com uma reles atriz pornô e foi admitido em uma clínica para fazer um tratamento, e declarou "este tempo é fundamental para ajudar a mim mesmo, ajudar a minha família e ajudar a salvar o meu casamento". Toda a imprensa, na época, revelou que o tratamento era para o vício de portar-se como um "donjuan", conquistando mulheres aos borbotões. Enfim, mais um ser humano que, diante do insuportável vazio de sua própria alma, entregou-se ao vício como forma de preencher essa lacuna e aliviar sua dor (enquanto seguiu causando dor em outras pessoas).

Os viciados em drogas, sexo, conquistas, jogos, e etc, não escolheram esse caminho. Certamente aquele que experimentou droga pela primeira vez não imaginava tornar-se um dependente. Mas tornou-se. Mas aceitar isso como se fosse uma sentença é uma imensa covardia. É  preciso a consciência de que a falta de escolha também é uma escolha. Sartre dizia de várias maneiras, que a liberdade era a nossa verdadeira prisão. E é. Se acreditamos que não temos escolha, e continuamos agindo dentro desse ou daquele paradigma, é indiscutível que optamos por isso. Se juramos que jamais voltaremos a ceder ao impulso de nos drogar e nos drogamos, fizemos essa escolha? Não, óbvio que não... O impulso é uma falta de escolha. Mas dentro da falta de escolha temos uma escolha - pedir ajuda, como fez o marido da Sandra Bullock. Ainda assim ele perdeu sua família, mas fez a escolha certa ao aceitar que sozinho não seria capaz de controlar sua compulsão.

De alguma forma, todos somos vítimas de adversidades, uns mais, outros menos. Justificar nossos possíveis desvios como sendo decorrentes dessas situações é aceitável. Mas cruzar os braços perante esse fato é pura covardia, além de uma tremenda irresponsabilidade com sua própria evolução. 

Enfim, cada vez mais creio que "O importante não é o que fazemos de nós, mas o que nós fazemos daquilo que fazem de nós."


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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07/10/2014 às 08h47m


Dores do mundo

O poder do tempo ainda me causa espanto... Não me acostumo com a mágica que se dá no passar dos dias! Tudo se ajeita, se encaixa, se reconstrói...Se enterra, se apaga, se desfaz... Um eterno fluir...E a gente segue, nunca o mesmo, mas ainda assim, caminhante... Perdemos a firmeza, tropeçamos, caímos, levantamos, vamos claudicando, até que novamente nos sentimos seguros. 

O sol nasce e se põe em uma rotina irritantemente sistemática, tão diferente da inconstância que é viver. 

Perdas, decepções, traições que vivenciamos, podemos (re) sentir os sentimentos... Tanta mágoa, tristeza, susto... Tantas indagações... Tempo congelado em nossas angústias, e o medo de que tudo fique assim, ruim, para sempre. 

Olhamos a cena de nossas vidas, olhamos para nós e para aquelas pessoas que nos arrancaram de nós mesmos, e é como se um artista tivesse reunido as mãos, pés, cabeça e outros membros de imagens de diversos modelos, cada parte muitíssimo bem desenhada, mas sem relação com um mesmo corpo.

Tantas vezes nossa vida fica desfeita. 

Sonhos em cacos. 

Projetos que viram pó. 

Futuro? Dias sem poder pensar no significado dessa palavra. A vida fica crua, sem molduras, sem contornos, sem porquês. A alma parece corrompida. É como se o solo debaixo dos pés tivesse sido retirado sem que nenhum fundamento firme estivesse à vista. Onde agarrar? 

Tantas vezes o susto é maior que a dor, até o momento que o espanto dá lugar ao sofrimento. Sempre intenso. 

Culpada é aquela boa fé... 

A gente se vê em uma terrível confusão. E, nesses momentos, gostaria de ser um palhaço de circo, um andarilho, um capitalista selvagem, só para ser outro. 

A paz é roubada, enquanto se faz esforço para reerguer. 

O tempo não é generoso com todos. Ele só trás benefícios para quem tem olhos para ver. 

E um dia, passa.

E os desejos àqueles que te machucaram, passam a ser de dias claros, encontros verdadeiras, pessoas boas, e uma consciência bem tranquila.

E o mundo sempre nos recompõe. 

E bendito seja o tempo...


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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