24/06/2013 às 17h54m


Tudo é relativo

Reconhecimento é a palavra que mais se aproxima do que acredito que possamos ter acerca daquilo que existe fora de nós, pois só podemos conhecer o que já está em nós. Portanto apenas reconhecemos o que nos cerca, ou seja, conhecemos sob um olhar próprio. Uma ótica interna que pouca chance nos dá de enxergar de outro modo, que não aquele que nos experimentamos através de nossa vivência e apreendemos a partir dos sentidos. 

Capacidade de abstração é algo que acho necessário para a criação e evolução de novas ideias. Esse nosso "intelecto agente" consegue abstrair idéias ainda distante dos objetos em si, e nos permite imaginar resultados diversos antes da ação. Mas até mesmo essa capacidade de abstrair é, de certa forma, engessada pela nossa bagagem interna. 

Aí chegamos a relatividade dos conceitos - certo e errado, bom e mal, verdade e mentira.

Conceitos são sempre fragmentados, não há uma unidade, uma coerência lógica entre eles. Ele é preenchido sempre pela concepção ideológica de cada um. Um marxista descreve o fundamentalismo de uma forma, se esse conceito for definido por um liberal, o posicionamento é outro. Há um indiscutível vácuo no campo das referências teóricas por conta da fragilidade a não sustentação de alguns conceitos. 

O que é real quando o conceito de real é relativo? Real é uma crença individual? Cada um cultiva sua realidade? Se o real nasce do nosso imaginário, nossa existência faz parte desse imaginário? Por outro lado se minha realidade particular se sobrepuser às normas e regras sociais como será o mundo em sociedade? 

Todos os conceitos existem e se manifestam - o bem, o mal, o amor, a honestidade, a traição, a lealdade, a tristeza, a felicidade,- a partir da compreensão de que tudo é relativo porque só existe a partir da concepção individual de cada ser humano, faz a vida ficar mais fácil e o coração mais leve.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: conceitos - ações - necessidades


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17/06/2013 às 18h24m


Amar pede além do amor

No dicionário uma das definições de relacionar é estabelecer relação ou analogia entre coisas diferentes. Conviver com as diversidades exige empenho.  O fato de amar o outro não suplanta as diferenças que tanto dificultam o romance. 

Viver a dois exige extrema dedicação. 

Amar pede além do amor.

Tantos parceiros solicitam frontalidade quando eles próprios não se encaram no espelho. Pedem verdade que são incapazes de oferecer.

Relacionamento é uma via de mão dupla. Quando há acesso obstruído e um dos dois continua tentando prosseguir, sempre encontra um atalho porque o amor é teimoso. Mas o esforço constante esgota o ânimo daquele que luta para manter o caminho transitável. Um belo dia, quem garimpava gretas, cansa-se, e o fluxo é definitivamente interrompido. É o fim.

Amor não sobrevive no vácuo. Perde o viço por falta de alimento.

Ninguém é dotado de um reservatório que lhe permita só doar sem beneficiar-se.

As diferenças para sempre existirão, mas há coisas que são básicas – quem se dedica quer dedicação. Existem certas obviedades no amor.

Levante os olhos para além do seu próprio umbigo. Há vida em torno de você.

Quando quem era só amor diz "findou-se" ele sente-se antes de tudo, incapaz, e é o primeiro a sofrer. Por anos esteve de lupa em punho, perseguindo frestas para a luz entrar, abrindo fendas por onde passar, mantendo viva a relação de um só, teimando que era dos dois. No amor, sozinho, nunca se vai longe.

Todos estão preparados para ser amados, mas nem todos estão para amar. 


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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10/06/2013 às 19h24m


Só por hoje

Nas minhas incansáveis buscas deparei-me alguns anos atrás com o lema "Só por hoje", das irmandades anônimas. Nunca tive o prazer de presenciar uma reunião dessas. Estranho? Prazer sim, pois somos todos dependentes. E só por esse motivo essa frase exerce imenso poder em cada um de nós. 

Essa frase liberta. 

Uma das poucas verdades inquestionáveis na qual eu me apoio é a que diz que o único tempo que de fato existe é o agora, pois o ontem já se foi e o amanhã ainda será. Acho que ninguém questiona isso.  

Perder vida remoendo o passado e planejando o futuro é um vício da humanidade que tem como consequência nos cegar.

Perdemos aquilo que está no palco, em cena, tentando adivinhar o que ainda está nas coxias. Deixamos de aplaudir o que acontece. Desperdiçamos chances, pessoas, sentimentos, situações. 

Sei que é preciso um excesso de racionalidade para repensar o tempo. A preocupação em planejar o futuro é viciante. Mas adianta de que? E se você não estiver aqui amanhã? "Mas penso no futuro dos meus filhos" E se eles não estiverem aqui amanhã? 

Tudo é em vão... Não há estabilidade que possa garantir o futuro que por si só é e sempre será uma grande incógnita. Essa incerteza adoece o ser humano que desesperado busca estabilidade. Que estabilidade se hoje você está aqui, mas não há como saber se amanhã estará? 

Viver bem pede sabedoria e desapego. 

O tempo é agora. 

Só por hoje faça o que é impossível prometer fazer amanhã – viver o hoje! 


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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03/06/2013 às 17h54m - Atualizado 04/06/2013 às 09h33m


Um sentimento nobre

Tudo começa pequeno. Só cresce se permitirmos. Quase tudo.
A amizade brota. 
Tem contornos de leveza. Um descompromisso com qualquer coisa que não a liberdade.
Nunca vi manual de auto-ajuda para amigos. É uma relação onde não se normatiza. 
É um sentimento que se difere pela resistência. 
Atravessa impune à falta de tempo.
Sobrevive forte à distância. 
Dispensa cobranças de qualquer natureza.
Amigos não traem porque não pactuam fidelidade. 
São absolutamente livres. E leais. Sempre. 
Adequa-se à sinceridade. Não há julgamento. Nem sentença. 
Não exerce poder sobre o outro. Apenas seguem ao lado.
Não temem perder-se. Porque não se possuem. 
Têm o dom inexplicável de compartilhar mesmo quando estão de lados opostos.
As diferenças não fazem diferença. Continuam semelhantes apesar de...
Única relação onde os opostos podem se atrair sem complicação.
É mais instinto que razão. 
É um vínculo de forças. É um reconhecer-se na escuridão.
Sonham juntos, até quando um mantém a cabeça na lua e o outro os pés na bolsa de valores de Boston.
Quando o silêncio toma conta de um, o outro não fantasia. 
Não há intenções, nem projetos, não há planos maiores do que uma viagem de carnaval. Não há promessas, nem dívidas. 
É uma sutileza de sentimentos que qualquer relação aspira. Não se explica.
Ama-se. Mas sem os grilhões do amor.



Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: sentimento - amizade - amigos - amor


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