28/05/2013 às 09h11m - Atualizado 28/05/2013 às 17h22m


Solidão não é estar só

Solidão é falta e não ausência. Pois há presença na ausência.

A pior solidão é sentida quando se está acompanhado. Ter com quem conversar e viver no silêncio. Ter com quem chorar, mas entender que só será, mais ou menos bem-vinda, se estiver sorrindo. Ter com quer sair, mas preferir ficar. Ter com quem dividir a vida porque, por exemplo, se casou, e ser apresentada ao imenso abismo que há entre teoria e prática. 

Enfim, teoricamente não há solidão quando se tem alguém ao lado. Mas quando esse alguém é apenas uma presença, essa certeza vira pó. Ter uma pessoa ao lado jamais foi sinônimo de companhia. 

Não acredito muito na solidão como uma escolha de vida. Já dizia Aristóteles que Quem encontra prazer na solidão, ou é fera selvagem ou é Deus.

Solidão a dois é a mais difícil entre as solidões, é quando se descobre, contrário do que disse no começo, que há ausência na presença. Mas também é um rico momento para se despertar e compreender que antes só do que mal acompanhado.

Quem experimenta o prazer de uma companhia, seja de amigos, filhos ou de um amor, sabe o gosto de dividir um olhar, um poema, uma paisagem. As relações precisam ser plenas. Relacionamento é via de mão dupla, seja ele de que natureza for. Se você doa sem receber nada em troca, a fonte seca. É preciso reconhecer se há, presença ou companhia ao seu lado.

O filósofo Nietzsche já sabia disso no século XIX quando escreveu - Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia.

Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: Nietzsche - solidão - sentimentos


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21/05/2013 às 08h10m


Possuímos muito de nada...

Schopenhauer faz uma referência curiosa em relação ao verdadeiro "eu" quando diz: Seja você mesmo! Você não é na verdade nada do que faz, pensa e deseja agora.

Esse olhar lançado à parte daquilo que representamos, proporcionando o desapego da certeza de que somos isso que mostramos, esse questionamento dos valores aceitos e da força social, é exatamente o que nos guia ao caminho de volta para dentro. Lá, temos a chance do reencontro com uma essência que geralmente é abandonada para que possamos acatar as regras e sermos socialmente aceitos nesse mundo normatizado, robotizado, dogmatizado.

Esse processo de retorno se dá quase sempre quando as exigências sociais vemao encontro de nossos anseios pessoais. Nesse momento conectamos com uma potência que sempre morou em nós, mas precisou ser deixada em um canto qualquer para que pudéssemos seguir "obedientes" à moral dominante. Potência acionada - acabou o sossego... Somos instados a abandonar nossa zona de conforto, e somos submergidos pela dúvida sobre ser ou não isso mesmo o que queremos. 

Essa força questionadora é Deus para uns, pois liberta, mas é o demônio para aqueles que não conseguem se libertar, pois quando a consciência é desperta, fica ainda mais difícil retornar à corrente. Não retornar é seguir quase sozinho, pois o crescimento pessoal submete-se ao crescimento econômico. E é para lá que a grande maioria segue.

Certa vez, li que a sociedade encaminha o indivíduo, por uma série de estímulos e vantagens, para uma maneira de pensar e agir que, quando se torna hábito vigora nele e acima dele, trazendo riquezas e honras, mas também exige tanto que priva-lhe o sentido da sensibilidade necessária para aproveitar essas riquezas e honras. 

O mundo tornou-se uma perigosa armadilha para nos apartar de nós mesmos. Estamos aleijados, marionetes da mídia, nossa tendência é a da massa, possuímos muito de nada...

Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: você - vida - vazio


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07/05/2013 às 08h30m - Atualizado 08/05/2013 às 18h05m


Inteligente é perdoar

Não existe tempo para se perdoar. Contando que a capacidade de perdão é um grande libertador, para que adiar?  É um ato que liberta quem é perdoado e ainda dá asas para o infinito a quem perdoa. Nada mais gratificante do que essa abolição.
As argolas que compõe a amarra dos sentimentos ruins são de ferro e formam elos poderosos que aprisionam o fluxo da vida, dos sonhos, do futuro dos envolvidos.
Sempre relacionei o perdão a um ato de bondade, mas hoje o reconheço como um ato de inteligência. É preciso perdoar. Não é fácil, mas é necessário e benévolo para quem o pratica. Se o bem acontece primeiro a quem o concede, qual a justificativa, então, para não fazer? 
No amor, ser traído pelo parceiro, por exemplo, é motivação para um ódio sem limites. Compreensível.Venha o que vier o amor, naquele momento, se converge nesse sentimento limitador - o ódio. Mas com o sábio tempo as coisas vão se encaixando, os sentimentos ruins vão perdendo espaço e uma nova vida (seja ainda ao lado do mesmo amor, de outro amor ou sozinha) vai se desenhando, e você tomando consciência que a raiva só escraviza ao passado e impossibilitando novas energias futuras. Urge ficar livre dele. Claro que não é fácil.
Vale perdoar mesmo sem esquecer? Vale. Se você dá o comando para o perdão, mesmo não conseguindo esquecer (ainda) o fato que "detonou" aquela situação, você já inicia sua libertação e, consequentemente, a do outro.
Perdão precisa ser exercitado. 
Tem uma parte no livro A Cabana, onde o pai está prestes a encontrar o corpo da filha, assassinada brutalmente e, enquanto caminha em meio à mata nessa procura desesperada, deixando claro ao leitor o sofrimento que brota de suas entranhas, ele vai afirmando para si mesmo: eu perdoo, eu perdoo, eu perdoo... E, mesmo ainda não conseguindo perdoar, ao repetir esse mantra, vai limpando e abrindo caminho... E, então, em um momento sagrado, o perdão se estabelece.
E nesse instante você liberta, ao mesmo tempo em que fica livre.

Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: perdão - sentimento


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