13/04/2013 às 16h16m - Atualizado 25/04/2013 às 11h31m


Fins e começos

No início, o primeiro olhar, a busca por seduzir melhor, portar-se da melhor forma no primeiro encontro, afinal, impressionar é a palavra de ordem. E a primeira noite? Esmerada preparação para que tudo saia, senão perfeito, ao menos inesquecível.

Tudo dando certo, partimos para outros planos. Os melhores projetos de um futuro a dois - o melhor apartamento que possa se encaixar no orçamento, um casamento com direito a banda de música, e a melhor viagem de lua de mel. Filhos daqui a dois anos.

Quem sabe surge ali "o casal", inaugurando a constantemente inaugurada esperança de um "felizes para sempre", ou indo menos de conto de fadas e mais de conto do vigário, um "até que a morte os separe".

Mas... Um dia o sol não nasce. Algo não dá mais certo. Sem dramas, vítimas ou algozes. Certezas não existem mesmo, e empenho não é garantia de final feliz. Esvai-se o antagonismo naturalmente contido entre fim e começo.  E o começo está em convergência com o fim. Isso mesmo. Aquela dedicação antes usada para fazer o melhor no início, passa a ser usada (ou deveria passar a ser usada) para encontrar uma forma de fazer melhor o final - como se divorciar melhor, como se relacionar com o caos sem perder o rumo, lidar melhor com o desencontro, manter a sobriedade no momento da decepção, do abandono, da traição, do sofrimento, não deixar que as esperanças virem pó mediante aquele momento de sonhos desfeitos, esforçar-se para jamais maldizer as relações em geral, aprender que falar daquele com quem se dividiu a vida por algum tempo é vil, principalmente se for com os filhos, sempre melhor esperar a raiva passar, porque ela vai passar.

Enfim, se fins estão tão freqüentes quanto começos, dizendo mais subjetivamente, se inícios guardam invariavelmente a potência do fim, é inteligente buscar não só iniciar da melhor maneira um relacionamento, mas também preocupar em desenvolver recursos internos para terminar da melhor maneira. Quem sabe se o destino vai pregar essa peça, digamos, nada traiçoeira? Afinal a vida não dá garantias a ninguém.

Início e fim são dois lados da mesma moeda, e para virar de lado, às vezes, basta muito menos que um vento. Basta um sopro. Melhor então, estar sempre preparado.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: blog - relacionamento - vida


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