09/06/2015 às 16h20m


Casar para que?

Muitas pessoas consideram importante legalizar a relação oficialmente através do casamento. Outros não. 

Isso angustia algumas mulheres (o índice é muito maior entre elas do que entre eles), a ponto de colocar um bom relacionamento em risco, quando ambos não dão a mesma prioridade a esse fato.

Mas quantos, entre os que defendem essa ideia, já se perguntaram por que o ato de oficializar a união lhe é tão significativo? Representa o que?

Para que ir ao cartório, assinar papéis, ter testemunhas, se essa não é a vontade de ambos, principalmente na atualidade, onde a lei garante direitos à união estável?

Eu gosto dos ritos e seu significados que demarcam, simbolicamente, fins e começos.  Para mim só por isso se justificam os milenares ritos de passagem, como batizado, 15 anos, casamento, e até funeral. 

As coisas só possuem o significado que lhes atribuímos. Se esses rituais não são realizados de forma consciente, ficam ocos, perdem a razão que é demarcar uma nova etapa da vida. 

Não é inteligente marchar sempre de acordo com as convenções. Repetindo atitudes, abrindo mão do raciocínio do qual somos dotados. Seguir padrões pré-estabelecidos sem questionar não é viver, é reproduzir a existência. Não somos robôs, apesar de estarmos cada dia mais robotizados.

Se o ritual de consagrar a união matrimonial pela lei, não se justifica para o casal, então não vale à pena o desgaste da relação por algo vazio de sentido. Essa compreensão permite outro enfoque na questão e a partir disso, decisões conscientes poderão ser tomadas a dois. 

A união de dois corações oficializa-se através do amor, do carinho, do companheirismo, do respeito, da vontade livre de manterem-se juntos.

Por mais que dezenas de papéis sejam assinados, mil testemunhas compareçam, padres, bispos e papas abençoem, tudo isso só será suficiente para oficializar uma união legítima, mas completamente insignificante para selar uniões de afeto, pois não "falam" a linguagem do coração, do toque, dos sonhos comuns.  

O amor e a comunhão, libertos de culpa, para decidir o tipo de vida que ambos almejam, valerão sempre mais do que assinaturas, bençãos e testemunhas. 

O caminho mais provável para o sucesso da relação é que ambos consigam olhar para a mesma direção, o que independe de legitimidade.

Porta retratos, álbuns e vídeos de casamentos congelam um momento de celebração, mas só têm sentido quando continuam representado uma vida vivida do lado de fora.

E, depois que tudo isso foi compreendido, vamos ao belíssimo ritual do casamento, com muita emoção, bênçãos, música, dança e amigos!


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: pra que casar, oficializar união, casamento


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26/05/2015 às 16h14m


O tempo é relativo

Às vezes é amigo, às vezes é cruel. 

Lembrei-me de um namorado que tive dos 15 aos 18 anos. Terminamos o namoro antes do natal. Desgaste dos anos, descompasso de projetos futuros. Nenhum motivo concreto no qual eu pudesse me agarrar e dizer "pois é seu traidor, fiquei livre de você". Nada de ruim. Nenhuma acusação. Nenhuma mágoa. Cada pedaço de mim guardava a presença dele. Todas as roupas do armário, a almofada na cama, o urso de pelúcia na estante, os milhares de retratos - na praia, no campo, em casa, nos aniversários, nas festas.

Foram três natais, três réveillons, três aniversários, uma formatura, um vestibular. 

Como pedir que ele desse licença desses lugares todos? Jogando as roupas fora? Doando as almofadas e ursinhos de pelúcia? Rasgando fotos? E fazer o que com as lembranças que estavam na minha cabeça e no meu coração? Como foi difícil, meu Deus! Achei que fosse morrer, não morri. Achei que nunca mais encontraria alguém tão especial quanto ele, encontrei. Achei que quando tivesse no altar trocando alianças, me lembraria dele, não lembrei. Achei que quando meu primeiro filho nascesse, colocaria o nome que tantas vezes escolhemos juntos, não coloquei. Achei que jamais sentiria prazer com outro, senti. E assim, hoje ele é apenas uma doce lembrança. 

Muitas vezes percebo que a maturidade tenta desrespeitar a adolescênciaa, minimizando aqueles sofrimentos, como se tudo fosse uma grande bobagem. Mas não devemos permitir. Todas essas lembranças, boas e ruins, foram importantes. Cada uma delas somos nós. Nada nem ninguém foi mais como antes. Nunca é. E nem será. A vida voa, e as pessoas tentam acompanhar.

Todos temos dias ruins, importa é não desistir de dar cor ao cenário cinzento.
Não vale à pena manter relações pretas e brancas, nem quando se tem 15 anos e nem quando se tem 70. Vida é cor.  
É preciso ter bem definido dentro de nós mesmos o que queremos e o que merecemos. Esse é o termômetro de nossa felicidade. 
Para ser feliz é preciso antes de tudo, coragem. 
Para viver bem é essencial não temer as inevitáveis despedidas. 
Como filosoficamente canta Lulu Santos: "Tudo muda o tempo todo no mundo".


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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19/05/2015 às 17h14m


Maquiavel e o amor

Aquilo que a maioria das pessoas custa a enxergar por medo, comodidade ou conveniência, eu enxergo muito rápido, e, como sou frontal pergunto logo, portanto, dificilmente entro em alguma história como vítima. Eu não compactuo com essa "novela dos vitimados", pelo simples, fato de não acreditar nela. Raciocinando friamente fica fácil. 

Como diria Maquiavel "os fins justificam os meios". Só que as pessoas resistem em aceitar que tornam-se maquiavélicas na conquista de um amor. E se contorcem em seu "amor próprio" quando descobrem que o outro mentiu, inventou, ludibriou. 

Eu raciocino de outra forma. As pessoas fazem conosco, na maioria das vezes, aquilo que permitimos. 

Não estou valorando o desvalor, só estou sendo lúcida: quem nunca fez uso de algum artifício, digamos, questionável para proteger uma história de amor na qual estava apostando? Abaixo a hipocrisia, né?

Desmarcar a meia a noite, às vésperas do encontro porque alguém da família tinha sido hospitalizado em estado grave, protelar por meses outro encontro porque estava de repouso com uma pedra, no rim, no fígado, no baço, na cabeça ou seja lá onde fosse,  não atender a ligações porque estava em reunião com um superior, justificar que não termina a relação com uma quase ex por isso ou aquilo, enfim, tudo pode ser mentira mas ainda assim, a mentira se justificava por ser em defesa daquele sentimento de amor. Mentir por amor é algo maquiavélico? 

Eu sou fã de Maquiavel, talvez eu o veja além dos outros. Ele dizia também "Todos vêem o que pareces, poucos percebem o que és."

Mas, segundo meu entendimento, tudo torna-se injustificável, quando, no lugar de preservar aquele amor, as mentiras são ditas por covardia de assumir para o outro que  tudo mudou, que o sentimento passou, e ela não encarna mais o seu conceito de amor. Ninguém tem o direito de privar o outro dessa informação e optar por seguir "enrolando", tirando-lhe a chance de buscar outro amor, outra história, outros beijos, outras noites de amor. 


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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13/05/2015 às 10h48m


O bom do amor

Continuo me surpreendendo com o fato de que a verdade de ontem pode ser a mentira de hoje e vice e versa. Vejo isso por mim mesma. Eu me arrepiava quando ouvia alguém dizer que amores não foram feitos para durar. Na verdade, nunca fui de ter certezas, e ainda assim, as poucas que tive perderam-se. Ou perderam-se nos fatos, ou perderam-se de mim. Ou me perdi nelas ou me perdi delas. Sei lá. O amor está entre elas. Eu ousava ter algumas certezas acerca dele.

Antigamente, muito antigamente, quando eu ainda lia Pollyana Moça, eu jurava que todo e qualquer "eu te amo" era dito através do coração. Com o tempo percebi que não. Que "eu te amo" poderia também ser dito para atender a algum tipo de conveniência. Odiei isso e desejei pena de morte para aqueles que desrespeitassem tanto assim o amor. Até entender que "eu te amo" também encerra em si, certa relatividade. Li muito, discuti outro tanto, pesquisei ainda mais, para entender que só os anos me trariam algumas micros e incertas respostas, e, ainda por cima, mergulhadas em subjetividades. Claro. Não desejo mais a pena de morte simplesmente porque o "eu te amo" de alguém tem um significado diferente do meu. Pois é... os contos de fadas não mencionaram que até mesmo os príncipes encantados tinham um "eu te amo" próprio. Todos temos. Ninguém pronuncia um "eu te amo", sem acreditar, pelo menos naquele instante, que ama. Isso pode ser visto por alguns como algo leviano - declarar-se de porte de um sentimento que já trás 
embutido em si promessas imensas, enquanto ainda não se tem certeza. Mas, partindo do pressuposto de que certezas não existem, e promessas são apenas promessas, tudo fica mais fácil de ser, senão compreendido, pelo menos aceito.

Chego aos poucos a uma conclusão estranha. O amor dura sim. Mas o bom do amor (como dizia Cazuza), aquele bom mesmo! que transborda no momento daquele "eu te amo", esse não foi feito para durar. Ninguém suporta a intensidade delirante de um sentimento, esse tipo de emoção tem o tempo contado. Caso contrário não sobrevivemos. Sinto muito cinderelas! 

Não se pode prender o que é fluído. Amor é vento. Ao ouvir um "eu te amo" pronto! Os sonhos já se formam lá no "sim, eu te aceito como meu legítimo esposo". O bom do amor não dura até lá. Não foi feito para ser enquadrado. Vive de cenas. De episódios não escritos. De momentos. De suspiros. Da expectativa da próxima vez.  E, então, o "eu te amo" era só isso. Ou tudo isso. Depende de quem vê. Depende de como vê. Depende do que se quer ver. Ferreira Gullart disse:

"O verdadeiro amor é suicida. O amor, para atingir a ignição máxima, a entrega total, deve estar condenado: a consciência da precariedade da relação possibilita mergulhar nela de corpo e alma, vivê-la enquanto morre e morrê-la enquanto vive, como numa desvairada montanha-russa, até que, de repente, acaba."


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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05/05/2015 às 09h44m


Ciúme

Ciúme é um tema recorrente nos relacionamentos desde os primórdios da humanidade, tendo destaque entre filósofos de todos os séculos, e continua existindo "atavicamente" e sem nenhum tipo de evolução, que não a teórica, em pleno século XXI.

Na peça Otelo, de Shakespeare, há a clássica fala de Iago:
"Oh, tende cuidado com o ciúme. É um monstro de olhos verdes, que zomba da carne de que se alimenta".

Seria ele inerente aos seres humanos, desde a época em que os homens da caverna faziam uso desse sentimento para proteger sua tribo?  Se assim fosse, carregaríamos um sentimento instintivo, remanescente de um período humano praticamente irracional. Revendo... Se racionalidade não é lá o grande destaque em relacionamentos amorosos, pelo menos é preciso um esforço coordenado nesse sentido. Porque destruir a possibilidade de relações saudáveis, chegando ao cúmulo de destruir vidas em nome do ciúme, é inadmissível.

"Hoje pela primeira vez tive ciúmes dos olhos do meu primo. 
Porque eles viram-te e eu não te vi". 

Confesso-me totalmente parcial quando se trata de Fernando Pessoa, mas essa doçura com que ele se refere ao ciúme está valendo... Sentimento gostoso destinado a quem se quer sempre ao lado para dividir a vida. Ciúme dos olhos que a olham, dos sorrisos que lhe dirigem, das mãos que lhe estendem. Existe esse ciúme que é cuidado e não posse (mas eu tinha vontade de arrumar outro nome para esse sentimento que não ciúme, poderia mesmo ser "cuidado"). 

Dizem que sentimentos irracionais fazem sentido quando entendemos o que está por trás deles. O que vemos por trás do ciúme nos relacionamentos amorosos é o medo, real ou irreal, vergonha de se perder o amor da pessoa amada, falta de confiança no outro e/ou em si mesmo. Esses sentimentos podem estar embasados em alguma coisa real, como já ter sido traído por exemplo. 

Mas racionalmente, nada justifica esse sentimento. Pois senti-lo, não modifica os fatos - se tiver que ser traído, será, se tiver que ser abandonado, será, se tiver que ser trocado pelo seu melhor amigo, será. Sentir ciúme não tem utilidade nenhuma. Não ajuda, não previne, não defende, e, quando é exagerado, pode tornar-se patológico e transformar-se em uma obsessão.

Diz Rubem Alves que "O ciúme é aquela dor que dá quando percebemos que a pessoa amada pode ser feliz sem a gente".

Enfim, ciúme resume-se em desejar a posse absoluta do outro. Não basta se saber amado. Busca-se a garantia ilusória de que aquela pessoa nasceu a partir do momento em que te conheceu - não tem passado para recordar, e nem futuro para almejar, que não a sentença de viver com você e para você. 

Como a vida nunca nos dá garantia, tudo isso é absolutamente em vão. 


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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25/04/2015 às 08h58m


Tempos calmos

Antes o mundo me parecia calmo. 
Mas, como nada do que existe está engessado dentro de um significado único, parece que perdemos a mansidão e mundo se agitou. 
Ao acordar espreguiçávamos, não pulavávamos da cama como se tudo lá fora dependesse de nós para existir.
Nada depende...  
Reflexão deveria ser o esporte favorito da humanidade. 
Há tempos atrás era possível colher impressões e constatar que no entorno de tudo ainda existia um oceano a ser descoberto. 
Agora descobrem tudo e já nos entregam em embalagens. 
Estamos encurralados.
Fim de tarde no outono é cenário que jamais poderá ser desfeito, nem mesmo o tempo e sua pressa serão capazes de apagá-lo. 
É tatuagem na alma. Mas quem vê?
O imediatismo do mundo tenta nos consumir.
Antes havia uma cadência no relógio, uma coerência com o tempo. 
Hoje ele está desgovernado.
E nós também.
Todas as estações do ano tinham cheiro e eu os sentia. 
Só percebi que sentia, quando deixei de senti-los. Quem vê?
Detalhes se tornaram gigantes tentando roubar nosso tempo que urge implacável. 
Então, nada de se ater a detalhes:
a orquídea que se abriu, 
o beija-flor que bebe água na sua varanda, 
o arco-íris, 
os pais já idosos e suas intermináveis histórias, 
os filhos querendo assistir Discovery Kids com você.
A necessidade de tempos calmos nos invade e ninguém percebe . 
As coisas possuem o sentido que atribuímos a elas, e a calma do mundo é vida para nossas vidas.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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15/04/2015 às 17h14m


Há caminhos mais prováveis

Li a reportagem de uma pesquisa feita nos EUA sobre relacionamentos duradouros. Constatei que nesse território tão empírico, uma coisa é certa: sou boa observadora. Além, é claro, das cores das minhas vivências... Experiências nem sempre bem vindas e nem tão coloridas. Fontes de imensos aprendizados. Fora o que vi, li e ouvi, possibilitando-me vários olhares recheados de dores e amores. E com isso fui tirando minhas impressões, algumas delas apresentadas na citada pesquisa (abaixo em destaque):

É possível prever a freqüência com que o casal brigará, basta olhar para o presente.Sempre digo que evidências são evidências, não se pode minimizar isso. Se ainda no namoro vocês protagonizam brigas diárias e desgastantes no curto período em que dispõe para estar juntos, por motivos tolos aos olhos do mundo... Não insista e nem se iluda, não muda e nem melhora com o tempo. Período de adaptação serve para quem precisa usar óculos bifocais, não para relacionamento.

Casais que costumam tomar decisões juntos apresentam índice menor de conflito.  

Olhar junto na mesma direção é fundamental. 

É inegável que quando os objetivos convergem reduz, e muito, a zona de conflito. Quando ele quer usar o dinheiro para realizar uma festa de casamento para dois mil convidados, contratando o Skank, e seu objetivo é usá-lo para comprar um apartamento. Ou ele quer viajar para Dubai em lua de mel e você quer aplicar em ações, há de se convir que ele tem os olhos voltados para a lua cheia e você para o chão firme. A probabilidade de sucesso em um futuro a dois é ínfima.

Pessoas que querem que o relacionamento dê certo, provavelmente, estão mais propensas a deixar as divergências de lado.  

É imprescindível que as escalas de valores sejam bem parecidas.

Isso é ponto chave! Se o desejo de um é casar para formar uma família, e o do outro é conhecer o mundo é óbvio que no primeiro atrito por causa da toalha molhada sobre a cama, ele vai querer arrumar as malas e se mandar.

Além de muitas outras coisas é essencial boa vontade e firme propósito em querer estar junto.

Enfim, a vida não dá garantias, mas como podemos ver há caminhos mais prováveis para fazer com que uma relação a dois dê certo. E, caso não dê, (porque dicas não são regras) acredito que ambos sairão com a sensação de experiência válida, o que não imuniza a frustração, mas elimina o peso do arrependimento que sentem aqueles que apostam no futuro de forma inconsciente, e muitas vezes até, irresponsável.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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31/03/2015 às 10h51m


Como posso ser feliz?

Pilhas de livros de auto-ajuda. 
Sempre em vão.
Felicidade não é um bem que vamos conquistar se cumprirmos algumas regrinhas básicas - serão felizes os mais determinados, ou aqueles que meditam, ou os que não bebem, não fumam, não comem carne... A esses grupos, o reino da paz, da harmonia, da sonhada felicidade. Nada disso. 
E aí você casa com o amor da sua vida, têm filhos saudáveis, sua carreira vai muito bem, obrigada, fez aquela plástica de nariz e a lipoescultura, comprou aquele carro maravilhoso e ainda viajou a dois para esquiar em Aspen... (bom, eu ficaria com o amor da minha vida, filhos saudáveis, carreira, uma biblioteca inimaginável, a compra de um sítio para construção de um asilo modelo, e uma viagem a dois para qualquer lugar que eu ouvisse os grilos e  visse a lua, enfim... felicidade não tem molde). Bom, prioridades acertadas: sou feliz! 
E instala-se a terrível decepção. Quem disse que felicidade segue algum padrão? E caso seguisse, quem ditaria esse padrão? 
Tudo é absurdamente relativo. 
A tal almejada felicidade não "vinga" por uma condição humana. Somos naturalmente faltosos de algo que não podemos nomear por uma questão quase estrutural - incapacidade de silenciar-se, ouvir-se, sanar-se. 
Quem não sabe do que precisa não tem como buscar. É isso. As previsões da vida plena de felicidade falham porque não conhecemos nossas reais necessidades, e nos guiamos pelos desejos, daí vem a sensação de falta. 
Mas objetivamente tudo está suprido, não há falta...  Eu até posso ver a lua do vão da janela enquanto leio Fernando Pessoa, ou, prioridades respeitadas, eu até tomei vinho em Paris enquanto olhava vitrines... E então... 
Quem vai levar a culpa por essa sensação de falha, de falta, de ausência? 
Para cada época uma explicação - desde Platão, passando por Niesztche, Gramsci, chegando a Gikovate ou Shinyashiki, e o final é sempre o mesmo - o coração funciona muito além da razão. 
Felicidade não é uma conquista dos merecedores. Ela simplesmente é um estado, sei lá como ou porque acontece. E, muitas vezes, quando aquela felicidade nos acomete e o coração fica quente, sinalizando que está absurdamente vivo dentro do peito, nos questionamos "quem é essa pessoa que aqui está?" É isso mesmo... Dá-se uma crise de identidade ao vivenciar esse estado de plenitude... Aceitamos a infelicidade muito bem, nos condenamos a seres não merecedores, nos punimos e quando a felicidade chega sem aviso, entramos em uma crise de identidade e corremos o risco de que ela se vá novamente. Para ser feliz aí vai uma dica que li e gostei: "Agüente nem que seja por um instante o amor que não se compreende, que explode qualquer cenário, que nos leva a habitar o mais forte que nós mesmos".


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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24/03/2015 às 08h38m


Mentes Perigosas

A realidade indiscutível é - a loucura pode morar ao lado. Esqueça aqueles temidos assassinos em série... Sangue, cadeia, júri popular. Há os que não matam a vítima estrangulada, matam a confiança, matam a paciência, matam o respeito, matam a paz.

Essa pessoa pode ser aquela que mente compulsivamente para você, ou que vigia todos os seus passos, sistematicamente, regulando seus horários, investigando seu celular, assumindo um personagem, se fazendo passar pela irmã mais velha, no intuito de arrancar informações da sua secretária. Não há limites para que atinjam o objetivo - seja ele descobrir se o marido tem uma amante ou impedir a promoção de um colega de trabalho. Em muitos casos, principalmente no amor, pode ser aquela pessoa obsessiva que vai lutar sem o mínimo escrúpulo por aquele que ama... Continuará não sujando as mãos com sangue, mas sujará tudo que está em volta com suas manipulações. Finge, troca de máscaras, inventa nomes, cria falsos laços de amizade, enfim, monta um circo dos horrores. Diferente do assassino que sempre deixa uma pista e é descoberto e será preso, esse tipo raramente é desmascarado... Conhece o ponto fraco dos que lhe interessam, só age na hora certa, com as palavras e atitudes absolutamente corretas, tornando-se em um passo de mágica, a "pobre coitada da situação" , imputando culpa e remorso nas suas "presas". 

Todos nós, temos alguns desses traços, mas temos um filtro que nos indica a hora de jogar a toalha antes de prejudicar as pessoas. Os psicopatas não. Esses acham que podem ir sempre mais e que se danem os outros.

Nenhum de nós está imune a eles, mas é preciso cuidar para não ser uma presa tão fácil. É preciso esforço para reconhecer aqueles  que pautam sua conduta dentro de uma moral ilibada, são tidas como boas pessoas até o momento em que algo foge do  seu controle, e a partir daí, "moral, que moral?" 

Detesto é quando vejo situações onde está "claro como a luz do sol" que um está manipulando com tamanha astúcia e competência, que o placar já marca 10 x 0, e o outro não percebe...

Mentes Perigosas, de Ana Beatriz Barros, recomendo a leitura para que menos pessoas sejam arrastadas pela correnteza de mentes aparentemente inocentes, corações aparentemente nutridos de boas intenções, posturas forçosamente éticas guiadas pela moral social e religiosa, mas que, se desfazem como bolha no ar perante uma situação que possa lhes atrapalhar. E o controle vira descontrole, e tornam-se mentes altamente perigosas que, como um trator, vão arrastando para longe, tudo que possa ser visto como um empecilho para seus planos obsessivo de controle e posse.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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17/03/2015 às 08h49m


"Será que é hora de acabar"?

Pergunta que martela na cabeça de muitos casais (inclusive há um livro com esse título). Difícil responder. 
Talvez o mais sensato fosse perguntar apenas "somos felizes?" Mas e se um estiver feliz e o outro não? Existe isso? Existe. 
Já vi muito marido dizer que para ele o casamento duraria a vida toda, e que não entende porque a esposa pediu o divórcio...
Quando acontece aquele maldito e tão necessário DR, e um diz que não está feliz, que não é aquele o tipo de relacionamento que quer, e o outro responde num baita susto:"Não???Mas o que te falta? Para mim está tudo bem". 
Essa é uma boa hora de pular fora. 
Quando o descompasso toma essa proporção, é o fim do fim. O outro não pode modificar o que para ele está bom. Concorda? 
Vc só se propõe a mudanças quando enxerga que algo está errado. Se está certo, então, ele vai continuar da mesma forma, e você, vai continuar infeliz. Então, se sua opção de vida é ser feliz, vai ter que enfrentar a separação. 
Para algumas pessoas o mais importante é ter uma família tradicional, mantendo pai e mãe morando debaixo de mesmo teto junto dos filhos, e no futuro ser aquela casa típica dos avós, com mesa farta, esperando os netos e noras/genros. 
Felicidade também é relativa. Cada um tem uma escala de valores pessoal. Interessante é encontrar alguém com uma escala próxima à sua.
É preciso aceitar o óbvio: em relacionamento a dois, nem sempre tudo estará bem. Temos fases, como a lua. Mesmo assim, é importante não se perder. E ter bem definido até onde tudo pode chegar para não afetar o que se defende como sendo a sua felicidade. Isso é fundamental, porque senão quando acordamos um dia, perceberemos que, assim como Carolina, passamos tempo demais na janela, olhando a vida passar.  


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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