06/11/2015 às 08h45m


Boff já dizia

O livro "A águia e a galinha" de Leonardo Boff é uma metáfora da condição humana. A história de uma águia que foi criada junto às galinhas e com o passar dos anos passa a acreditar que era uma galinha de verdade, até que um dia aparece alguém que a faz enxergar quem ela realmente era.

Eu amo Boff, adoro esse livro e quem não leu, deveria ler, há ali, uma aula de filosofia em todos os sentidos e uma infinidade de lições.

Entre elas está a de que vemos o que queremos ver, ou o que podemos ver, ou o que nos é conveniente ver (porque, continuando com Boff, cada um lê e relê com os olhos que tem). Bom, a partir do momento que acatamos essa singularidade contida no olhar, ou na forma de olhar, ficamos cônscios da relatividade, senão dos fatos, da interpretação desses.

Se tem uma coisa que fui aprendendo ao longo dos anos foi sobre essa relatividade contida em todo o universo. Mas busco todos os dias encarar os fatos, ainda que eu os interprete da única forma que posso - com os olhos que tenho e a partir de onde meus pés pisam.

Acreditar que as pessoas são da forma como nos é conveniente acreditar que são, é algo que acontece muito. Agora, crer que nada pode passar despercebido, porque para tudo há indicadores e que só não os visualizamos por opção, é exigir uma percepção sobre-humana de pessoas normais.

Então, se o professor não estuprou meu filho, mas estuprou o seu, é porque eu fui atenta aos sinais e você não? Ou seja, a responsabilidade é sua antes mesmo de ser do estuprador? Isso é uma baita inversão de valores! É muita vontade de ajeitar as coisas. E temos visto isso na política, na educação, na justiça, no amor, etc, etc, etc.

Finalizando com meu caro Boff: "abramos as asas e voemos  Voemos como as águias. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar."


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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28/10/2015 às 13h30m


Não é fácil crescer

Sinto dificuldade quando preciso dizer aos adolescentes certas coisas de "gente grande" que já endureceu e dificilmente não perdeu a ternura. Hormônios a flor da pele, descobertas aos borbotões, tanto físicas quanto emocionais e sociais. Apaixonados pelo namorado(a), de repente, são invadidos por uma vontade que pulsa de "pegar" a garoto(a) da escola, e vem a pergunta: 

- O que eu devo fazer? E se minha namorada(o) descobre? 

-Você precisará escolher meu bem.

E abro a listinha:
 - Na vida é preciso fazer escolhas o tempo todo.
 - Não faça aos outros aquilo que não gostaria que lhe fizessem.
 - Ninguém pode ter tudo na vida.
 - Não seja desleal.

Mas desleal a quem? Ao namorado(a) ou aos seus hormônios? 

É difícil separar  sentimentos de impulsos quando se é jovem, independente do sexo ser masculino ou feminino, afinal estamos nos século XXI e não vamos discutir aqui a boçalidade do machismo...Isso ficou demodè.

A grande maioria dos jovens  escuta o hino: aproveita porque ao chegar à vida adulta  tudo mudará. Muitas coisas mudarão, claro. Mas os laços de afeto serão sempre laços de afeto, independentemente da idade. Trair a confiança de uma pessoa a quem você prometeu amor e fidelidade (seja por um dia ou por um ano), não é uma atitude para ser banalizada com a desculpa de que se é jovem. 

Dúvidas são como pragas nessa idade. Então, não prometa nada. Seja sincero. Exponha seus sentimentos para seu par. Honestidade é um princípio básico que independe do ano da sua certidão de nascimento. 

Será preciso optar entre aquele amor romântico do primeiro namoradinho (a) e aquele "amasso" com aquele(a) "peguete" da escola? Sim. A não ser que seu par ache normal "dividir a bola", e que você se sinta à vontade em viver essa situação.

Tudo da vida tem um preço e um valor. Pague o preço, mas antes pese o que  tem mais valor para você.

Ninguém escapa da lei do "ou isso ou aquilo". Fazemos escolhas a cada amanhecer, desde que nos tornamos conscientes de nós mesmos, do outro e de tudo o que nos cerca.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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21/10/2015 às 09h24m


O feminista Mr. Catra

Outro dia ouvi algo como "homem é um animal, e como todo mamífero que anda em bando, ele precisa de várias mulheres para se satisfazer". Parei, dei marcha à ré, e me deparei com aquela já conhecida figura caricata de Mr. Catra.

Não consegui entender! "Como todo mamífero"? E a razão que nos diferencia dos demais animais não conta nada? Vale apenas o instinto? 

Como eu sou uma espiritualista que crê  na evolução da espécie, acho que convivemos com um número grande de primatas, uns mais e outros menos  evoluídos - como eu, você e o caro cantor, autor dessa pérola. 

Sobre como administra as quatro relações que mantêm: "A gente vai um pouquinho aqui, um pouquinho ali. Eu falo a verdade, você não precisa enganar ninguém. É como o touro administra as vacas. A gente não é papagaio, a gente não é arara para viver com uma parceira só a vida inteira." De fato, a grande maioria dos casais mente, e eu até tiraria o chapéu para o sincero funkeiro se ele não nos confundisse tanto com os seres irracionais...

Segundo entendi ele critica avidamente homem que bate em mulher e se diz um feminista. Mas nas letras de suas músicas ele coisifica a figura feminina como um mero objeto de prazer. No mínimo incoerente.

Bom, não vai aqui nenhum juízo de valor a respeito das escolhas do referido cidadão. Mas daí defender  isso como regra geral em rede nacional, foi demais! 

Mas vamos ao que interessa – porque ele falou isso? Porque como é sabido de todos, e já falamos aqui, ele mantém quatro esposas. E segundo ele, são todas muito felizes e concordam em número, gênero e grau com sua teoria. 

E aí vai mais uma vez o que sempre digo – tudo, absolutamente tudo pode dar certo se a ESCALA DE VALORES DE UM FOR BEM PRÓXIMA A ESCALA DE VALORES DO OUTRO.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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14/10/2015 às 10h58m


Amor e Manipulação

Relação de amor não sobrevive à manipulação. Mas convivem por aí mais tempo do que se imagina. Amor maduro, estruturado para resistir às inevitáveis reveses da vida,  carece de respeito. Manipulação é desrespeito. É  violar a liberdade e desumanizar a pessoa amada, que deixa de ser pessoa e torna-se  apenas objeto amado. 

É razoavelmente fácil o jogo de manipulação - elabora-se habilmente um arranjo,  ultilizando-se dose extra de egoísmo (pois o manipulador nunca leva em conta os outros) e tudo vale para  atingir a meta – mentiras, jogos de sedução, armações quase sempre ilimitadas. O risco é grande? Sim. Mas para quem está no comando, faz parte. Aqui, os fins justificam o meio. Afinal tudo é feito em nome do amor (?). A manipulação só ocorre em uma relação assimétrica, onde um ganha e outro perde, quando na realidade, ninguém ganha nada e a relação, mais dia menos dia, estará perdida. Amor que perdura nasce da simetria, das semelhanças que jamais serão igualdades. Difícil para quem é manipulado perceber que está submetido à manipulação, pois tudo é sutil e justificado como cuidado... E cuidado faz parte do amor não é? É.

"Que pessoa cuidadosa, amorosa e preocupada esse meu parceiro." "Ele só quer meu bem." "As pessoas o interpretam mal, mas eu entendo que tudo isso é zelo."

Fique atento: Se você se sente culpado quando seu parceiro/a chora e se descabela, se você anda fazendo o que ele quer para evitar brigas, se você tem sentido estranhos incômodos físicos, insônias, desânimo, você pode estar sendo vítima de manipulação por parte de quem deveria ser antes de tudo, seu mais sincero amigo. Todo esse desconforto vem do fato de você perceber que está amando e sendo amado por uma pessoa que é manipuladora e que para continuar ao lado dela, terá que abrir mão de si mesmo,  dos seus valores, está  deixando de lado o que antes lhe era caro para "não desagradar" essa pessoa que você ama, e que te faz bem, mas também te faz mal... Relação a dois quando é saudável e feliz não trás emoções negativas. Antes de continuar investindo nessa história seja honesto com você e veja se não anda fazendo coisa demais contra sua vontade. Nenhuma pessoa normal, por mais apaixonada que esteja, faz algo contra si mesmo. A não ser... Que esteja sendo muito pressionada... É assim que se sente às vezes? Então você está sendo manipulado. Cuidado, é uma trama perigosa, quase invisível, principalmente aos olhos estrábicos de quem ama. Um bom manipulador envolve toda rede de relacionamento do seu amor e quando esse acorda... Está só. Mas o manipulador te ama não é? Eu sei... Mas ele está doente de insegurança, e por isso precisa sugá-lo,  privando-lhe aos poucos de tudo e de todos, até que você se perca de si mesmo e seja somente a sombra dele. 

Em um momento qualquer essa relação, frágil como um castelo de areia, será varrida por uma brisa tola - você cansou de ceder e o outro não aceita ser contrariado - simples assim. Quem estava sendo manipulado se sentirá perdido por um tempo, caminhando contra um vendaval de areia - porque não deu certo? Porque você resolveu ser você outra vez - e segue tentando encontrar novamente as emoções que são realmente suas.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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07/10/2015 às 14h18m


Ouvi dizer que isso é amor

Dizem que viver o amor a dois é um paraíso cotidiano feito da felicidade. É se regozijar e maravilhar-se continuamente, juntos, um com o outro. O lar torna-se um o refúgio dos "inseparáveis", como aqueles periquitos que se beijam sem parar e que morrem quando são separados.

E no ninho do ninho, fazendo amor, vendo TV ou lendo, mantêm-se nos braços um do outro. Se um levanta antes, deixa bilhete. Nas mínimas ações vê-se um rosto deslumbrado com tantas pequenas coisas da vida a dois. São ritmos que combinam. É ter prazer com os prazeres dele e vê-lo ter prazer com os seus prazeres.

É admirar no outro a forma de se maravilhar, de brilhar. É ser fonte de poesia permanente. É sentir-se acolhido no mundo poético do outro, que o protege e o permite freqüentar o mundo duro e cruel porque sabe que o mundo do outro alimenta a sua vida.

É desconfiar que o outro veio de longe para você, ao mesmo tempo em que o longe mora dentro dele. É uma relação que não pede clandestinidades. Um é total e absolutamente do outro. Amor profundo e fundamental. Análogo e nunca menor. É um mundo atrelado ao outro, mesmo que exista uma vida de um sem o outro, essa vida é sempre irrigada, alimentada de seiva por sua vida.

A natureza desse amor é indefinível. Entrecruzam-se. É integração mútua de um no outro. Um é a alma do outro. É fada e super-herói. Esse amor é ternura nunca antes experimentada. É a coroação de todas as potencialidades de ambos. Um fica instalado no centro de gravidade do ser do outro. É um enamoramento sempre retomado, um amor renascido continuamente. "Comigo, a flor desabrochou; com ela, encontrei a fonte do amor." Um e outro, cada um a sua maneira e segundo a própria história têm a necessidade inalterável de amor, e ambas as carências se encontram, se agregam, se confortam. Indissoluvelmente, amada/amado, esposa/esposo, irmã/irmão, filha/filho, mãe/pai. Emana sentimento do rosto, da postura, e, sobretudo, de um não sei quê; como uma aura, um magnetismo, algo simultaneamente biofísico e psíquico... Esses dois seres se imprimem um no outro com uma profundidade prodigiosa. Presença que nunca é alterada, mas sim avivada até mesmo pela ausência. Não somente simbiose, mas, sobretudo enraizamento e incorporação de um no outro.

Enquanto ainda distante, é na idealização do outro que encontra-se companhia, pois são dois seres separados do inseparável. Presença inaudita. É amor na porta da morte e nas fontes da vida. Ouvi dizer que  isso é que é amor.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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30/09/2015 às 09h19m


Casamentos "ajeitados" duram mais

Uma das grandes falhas que percebo nas relações amorosas está no fato dos casais colocarem mais peso no romantismo do que nos aspectos objetivos. 
É aquela crença absurdamente errônea de que se há amor, o resto se ajeita. Não ajeita não. 
A parte funcional é base sólida para que o amor se mantenha e a relação dure. O motivo pelo qual aquele amor nasceu ninguém explica, mas o porquê dele perdurar é possível justificar. 
Adoramos a idéia daquela paixão avassaladora que, de súbito, invade cada canto do corpo e da alma. Um amor que cai de para quedas. Que já vem pronto. Aquela coisa do cupido. Do amor à primeira vista. É o imediatismo que assola a sociedade. 
Porque será que os casamentos "ajeitados" duram mais? 
Digo ajeitados porque partem de uma logística onde se faz mister saber qual a preferência, rotina, prioridade, princípios daquele com quem eu gostaria de dividir a vida. Isso é muito racional quando falamos de amor. Concordo. Mas há um fato inegável - casais que agem assim mantêm uma relação mais duradoura. 
Eu, com minha total passionalidade ainda não entendo isso. Talvez me falte inteligência emocional. Tenho imensa dificuldade em adequar aspectos técnicos às relações amorosas. 
Entendo melhor aquela pessoa que diz "quando olho para ele sinto um frio na espinha e não penso em mais nada, vou apostar e ver no que vai dar do que aquela que diz "quando olho para ele sinto um frio na espinha, mas ele é muito diferente de mim e prefiro cortar de uma vez". 
Talvez eu precise aprender que os sentimentos são tão importantes quando a técnica.
Nos casamentos arranjados entre famílias, existem diversas histórias do amor que nasceu da convivência e do desejo que cresceu com o tempo. Eu não tenho alcance para entender como isso funciona. 
Ainda creio que amor seja oposto à razão, ainda que saiba que isso não é o ideal. 
É importante que se tenha em mente o que deseja viver em uma relação para que não caia no erro de aceitar qualquer coisa que vier. Bom que se tenha a consciência de que respeito é indissociável do amor. Do contrário é patologia. Enfim, talvez haja uma diferença (difícil de observar) entre o amor e os relacionamentos duradouros. 
Ferreira Goulart diz que a diferença entre a empolgação e o amor eterno é que a empolgação dura mais. 



Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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23/09/2015 às 12h52m


Na estrada da vida

Há momentos em que a vida parece que dá um nó – checklist a se cumprir, situações externas a administrar, adversidades a contornar. Tudo desgasta. Antes de sair da cama, tomar uma ducha e colocar o nariz para fora de casa será preciso decidir entre encarar com coragem e resiliência ou com desânimo e revolta. 
De qualquer forma tudo terá que ser encarado, até porque recuar em vida é morrer.
Há de se respirar fundo e ir. 
É como dirigir em uma estrada – você tem que saber o momento de acelerar, reduzir, frear, desviar, ultrapassar. 
E exige atenção extrema. 
No asfalto como na vida o mais difícil é aquilo que vem de encontro aos nossos planos para uma viagem tranqüila. 
É preciso dirigir sem desgrudar os olhos de todos os carros que estão na mesma estrada em que você . E isso esgota.
Estamos à mercê do outro. 
Pode-se jurar que não - que leva sua vida independentemente dos outros, que não se importa com o que pensam ou fazem, que você é livre, pois paga as suas contas e resolve seus problemas sozinho.  
Pura ilusão. Somos todos prisioneiros uns dos outros. 
A estrada pode até estar tranqüila e sem obstruções, mas nunca se sabe o que estará te aguardando na próxima curva. Pode um carro vindo na sua pista e em alta velocidade. 
Quem não está atento tem a vida em risco.  
A inevitável coerção externa oprime. 
Nunca saberemos como é ser uma ilha. Vivemos cercados pelas histórias alheias que se fundem com as nossas. Vivemos de trombadas, freadas bruscas, ultrapassagens perigosas.  
Lamentar é inútil. E nem adiantaria GPS se nunca  temos certeza do endereço a ser digitado. 
A incerta estrada é a única certeza que temos. É preciso ir. Não há escola, nem banca examinadora. Ninguém tira habilitação.  E ainda assim, temos que acelerar e seguir.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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15/09/2015 às 09h52m


Poliamor é amor?

O poliamor é um movimento organizado nos Estados Unidos há mais de 20 anos, onde as pessoas possuem mais de um relacionamento amoroso simultaneamente. 
É uma maneira diferente de amar, onde as relações não tem a monogamia como princípio. Eles desconhecem o ciúme e não veem o sexo como princípio da relação.
Segundo os poliamoristas o impulso natural do ser humano é se relacionar com várias pessoas ao mesmo tempo.
Ainda não consegui assimilar a mensagem real desse movimento. 
Acho interessante que eles dizem que os adeptos não necessariamente vão procurar novas relações, mas que o fato de ter essa possibilidade sempre em aberto, os permite viver naturalmente e com total honestidade dentro da relação. 
Bom, isso é fato porque tudo que é combinado não sai caro.  Partindo do princípio de que todos vivem com essa liberdade em mente não há espaço para mentira. Mas que é complicado, ah... Isso é! 
Sempre ouvi dizer que amor pede exclusividade. Mas será que essa exclusividade é algo natural ou obrigatório? Há aqueles que traem e os que não traem, mas sentem vontade. Quem trai mente para o parceiro e é fiel ao seu desejo, quem não trai é fiel ao seu parceiro, mas mente para si mesmo. 
Também sempre ouvi dizer que amor é incondicional. Mas se o fato de amar impede o outro de fazer algo que ele deseja, a exclusividade, então é condição do amor. Dessa forma deixou de ser incondicional. Se quem ama não quer ver o outro feliz, como impedi-lo de ser feliz?
Não sei dizer ainda se poliamor é avesso ao amor, mas creio que não se adeque de forma alguma ao amor idealizado onde um completa o outro. De qualquer forma uma coisa é inegável – o poliamor pressupõe uma honestidade que desconheço em qualquer relação, e já não há necessidade de mentir a sinceridade real é a base.
Vi uma entrevista de um casal adepto desse movimento que, juntos há quatro anos, ainda não haviam procurado outros pares. O discurso do marido mexeu com minhas poucas certezas: "No poliamor você tem clareza dos sentimentos, paz de espírito afetivo e está longe da solidão sempre, além de reduzir as frustrações e magoas nas relações". E a esposa completou: "O poliamor ganha cada vez mais adeptos porque é um amor baseado na amizade e no companheirismo onde há menos idealização do outro e você pode se relacionar com a pessoa do jeito que ela é.".
Um caso a pensar.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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09/09/2015 às 17h14m


Boas escolhas

Através de um amigo, li a reportagem de uma pesquisa feita nos EUA sobre relacionamentos duradouros. Fiquei feliz ao constatar que, nesse território tão empírico, uma coisa é certa: sou boa observadora. Além, é claro, das cores das minhas vivências... Experiências nem sempre bem vindas e nem tão coloridas. Fontes de imensos aprendizados. Fora o que vi, li e ouvi, possibilitando-me vários olhares recheados de dores e amores. E com isso fui tirando minhas impressões, algumas delas apresentadas na citada pesquisa (abaixo em destaque):

É possível prever a freqüência com que o casal brigará, basta olhar para o presente. 

Se ainda no namoro vocês protagonizam brigas diárias e desgastantes no curto período em que dispõe para estar juntos, por motivos tolos aos olhos do mundo, não insista e nem se iluda, não muda e nem melhora com o tempo. Período de adaptação serve para quem precisa usar óculos bifocais, não para relacionamento.
     
Casais que costumam tomar decisões juntos apresentam índice menor de conflito.  

É inegável que quando os objetivos convergem reduz e muito, a zona de conflito. Quando ele quer usar o dinheiro para realizar uma festa de casamento para dois mil convidados, contratando o Skank, e seu objetivo é usá-lo para comprar um apartamento. A probabilidade de sucesso em um futuro a dois é ínfima.

Pessoas que acreditam que o casamento deve durar para sempre provavelmente estão mais propensas a deixar as divergências de lado.  

É imprescindível que as escalas de valores sejam bem parecidas.

Isso é ponto chave! Se o desejo de um é casar para formar uma família, com casa de campo, filhos, cachorro e periquito, e, o do outro é tê-la como esposa para, como casal, conhecer o mundo, surfar no Havaí, fazer MBA nos EUA, e de preferência não ter nem fogão em casa e muito menos um peixinho no aquário não vale investir. Óbvio que no primeiro atrito por causa da toalha molhada sobre a cama ele vai querer arrumar as malas e se mandar.

Além de muitas outras coisas é essencial boa vontade e firme propósito em querer estar junto.

Enfim, a vida não dá garantias, mas como podemos ver há caminhos mais prováveis para fazer com que uma relação a dois dê certo. E, caso não dê, porque dicas não são regras, acredito que ambos sairão com a sensação de experiência válida, o que não imuniza a frustração, mas elimina o peso do arrependimento que sentem aqueles que apostam no futuro de forma inconsciente, e muitas vezes até, irresponsável.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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02/09/2015 às 10h33m


Mães filhos destino

Sempre que escrevo sobre um tema, passado um tempo, tento reescrevê-lo sob  outra ótica. Isso me enriquece e não permite que eu seja engessada em minhas próprias ideias. Hoje, novamente, vou escrever sobre as mães, tentando ver (com imensa dificuldade) com outros olhos. 

A sociedade tenta, o tempo todo,  padronizar nossos sentimentos e reações. Assim, por exemplo, é preciso jurar de pés juntos que a maternidade está acima de tudo e todos, sob o risco de ser julgado e condenado ao fogo eterno, por não ser  grata tempo integral, a esse maravilhoso presente de Deus. 

Quando tinha 8 anos, minha filha chegou em casa penalizada porque a coleguinha de classe lhe contou, chorando, que a mãe jogava fora todos os desenhos e bilhetes que ela lhe dava. Eu expliquei que a mãe dela estava com um bebê novo em casa, e ainda trabalhava fora, e devia estar sem tempo e que, provavelmente, fazia isso sem prestar a atenção. Ela então, me pediu que comprasse uma pasta como a que eu tenho para guardar essas coisas, para dar a mãe da colega e, assim, resolver o problema. Cá para nós, tem coisa mais chata do que aquelas dezenas de desenhos de corações que eles fazem para nós sem parar? Não. Mas quem assume isso? 

Fácil julgar, mas poucos pensam em quantas mães tiveram suas vidas completamente modificadas pela chegada dos filhos, tenham sido esses, planejados ou não. Viram seus projetos futuros virarem pó. Precisaram trocar viagens e estudo por fraldas e mamadeiras. Não puderam viver um amor porque não tinham com quem deixar o bebê. Muitas fizeram o contrário, e para não modificar sua vida, não ver projeto virar pó, não abrir mão de um amor, levavam a criança a tiracolo, criando-a sem estrutura, segurança, e  cuidado necessário... Qual escolha tiveram essas mães? Se abrem mão de realizar os projetos ou viver aquele amor para cuidar do filho, chorarão suas frustrações sobre o filho, mil vezes, ficarão arruinadas emocionalmente e o futuro, provavelmente, apresentará uma mãe doente em todos os sentidos.  Se deixam os filhos sob os cuidados de alguém, para seguir em busca de um amor, de um sonho, de um projeto, já estão condenadas, antes de tudo por si mesma, e que ninguém tenha dúvida disso. Qualquer um desses caminhos nascem de escolhas que, na verdade, nada mais foram que faltas de escolha. Pois em qualquer um desses caminhos,  no resultado final teremos filhos rejeitados e mães culpadas.

História já traçadas, onde as poucas escolhas nascem sempre a partir dos mesmos recursos emocionais e sociais. Filhos juízes de suas mães condenadas. Faltou amor? Não acredito de forma nenhuma. Sempre há  amor no coração de uma mãe, mas é preciso saber o que esse coração viu, sentiu e viveu enquanto essa mãe ainda era filha, porque é assim sempre... e assim será, sucessivamente. 

Não é fácil  dizer isso com serenidade porque sou absurdamente mãe, prazerosamente mãe, e mesmo com múltiplas funções, sou 24 horas mãe - por responsabilidade, por escolha e por absoluto prazer. Mas a maturidade me trouxe a sabedoria de não julgar. 

Quando eu reverencio as mães, é a todas elas, as que como eu, puderam cuidar de seus filhos com  total prioridade, e àquelas que não puderam ou optaram por não fazer assim, porque não tinham, como eu, recursos internos e externos que lhes possibilitassem equilíbrio, maturidade, desprendimento e tranquilidade para essa escolha. Enfim, amamos da mesma forma, tanto eu quanto elas, o restante, foi coisa do destino. 

Mas ainda assim, creio que podemos dar uma "negociada" com o destino, porque mãe tem força para tudo.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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