20/01/2016 às 13h18m


Cuidado com a carência

A escrita é feita de fragmentos de diversas histórias de vidas - vividas ou testemunhadas. Só assim nasce um texto, uma crônica, um livro, um filme, uma novela. Basta ter olhos para ver e tudo vira um rico material a ser explorado.

Terminei um romance interessantíssimo de um autor praticamente desconhecido que agora esqueci o nome. Uma mulher de hábitos simples, vida linear, sem os deliciosos sobressaltos da emoção, tem sua pacata história de vida invadida por um belo cafajeste. 

Ele lhe diz coisas que ela nunca ouviu, lhe promete um futuro a dois, lhe dá carinho, amor, sexo. 

Ela, por sua vez, não conhecia nada sobre ele, e nem precisava, afinal ele já vinha com todos os créditos, pois a ele estava reservado o poder de colorir a sua vida. Deu-lhe o que ela nunca teve, lhe disse o que ela sempre quis ouvir, lhe prometeu um futuro de amor, lhe permitiu sentimentos e sensações que ela, até então, desconhecia. 

Um dia ele mostrou a face. Era um bandido que a envolveu em um trama sórdida levando-a a cadeia. 

O ódio tomou conta do amor. O susto, a decepção, a certeza de que aquele amor era falso, foi mais duro do que os anos enfrentados na cadeia. 

Por que me deixei enganar tanto? Porque fui tão idiota? Porque acreditei? Porque a carência faz isso. 

Toda mulher quer ser objeto de desejo de um homem que possa antes de qualquer coisa, amá-la. Muitas sublimam essa faceta feminina em prol de uma vida mais calma, onde o risco de uma decepção fique bem longe. Mas nunca ninguém estará totalmente protegido. E quanto mais sufoca  o lado "mulher", mais vulnerável fica perante os falsos amores. Isso é fato.

A vida não é uma ciência exata.. Apesar de tantos atalhos tenebrosos pelos quais a mocinha da trama andou, tentando se vingar, ela continua a mesma m mulher carente, de índole boa e ele, apesar de ter sido desmascarado e da aparente humildade recém adquirida, tem a essência podre.

É aquela velha e sábia fábula A rã e o escorpião, ninguém foge por muito tempo à sua natureza. É contraproducente querer se igualar a quem te fez mal. Ninguém está imune de uma cilada no amor, a diferença está em como enfrentar esse momento. Você pode escolher permanecer nesse círculo vicioso, de ódios e vinganças ou transformar esse dolorosa experiência do passado em um futuro mais calculado, mas nem por isso menos prazeroso. 

Como sempre digo, na vida não há garantias, mas há caminhos mais prováveis.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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15/01/2016 às 17h33m


Relações nascidas do nada

É incrível a capacidade do ser humano de olhar para as pessoas de uma forma como elas não são. 
E acreditar no que gostariam de acreditar. 
E compram (e ainda por cima vendem) a ideia que afirmam existir. 
Isso acontece de forma recorrente nos relacionamentos amorosos. 
Aprendemos na sociedade regrinhas básicas que nos ensinam qual o tipo de parceiro é conveniente ter. 
É quase uma cartilha a seguir. 
E costumamos acreditar sem discutir. 
Primeiro é preciso que a família aprove e de quebra, os amigos também. 
Só se deve apaixonar por pessoas que se encaixem nessas exigências. 
Mesmo nível econômico é quesito básico. 
Se tiver a mesma religião, melhor para evitar desagradar aos pais e tios. 
Idade próxima é melhor para que ninguém levante a hipótese de que há alguma forma de interesse por trás da relação. 
Belos casais evitam olhares que se voltariam para aqueles considerados fora dos padrões de beleza e indagam: "o que será ele/a viu nela/e?" 
Nível intelectual idêntico que é para não constranger ninguém. 
Homem mais baixo também não combina muito. 
Carro do ano torna o parceiro mais apresentável. 
Mulher que se vista de modo mais comportado que é para que a avó e a madrinha mais conservadoras não achem que você está se envolvendo com uma "pessoa desfrutável".
A mãe de uma colega dizia que mulher que se conhece em bar não é para casar. Eu heim...
Como seria amar a partir do nada? Sem nenhum tipo de referencial?
Não sei. Mas imagino que teríamos relações muito mais intensas, verdadeiras, interessantes.
Relações nascidas  a partir de nós mesmos. Seria curioso.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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30/12/2015 às 09h54m


Cuidar do nosso mundo interno

Outro ano vem chegando. Adoro essa sensação de recomeço, ainda que esse ano um temor coletivo parece invadir o Brasil.

2015 foi um ano intenso para o mundo. Tragédias naturais, mortes coletivas, degradação política. 

Nunca se soube tão pouco sobre o que será do nosso país. Uma insegurança quase doentia domina o povo brasileiro. Em situações como essa, que nos foge completamente ao controle, melhor sair do macro para o micro e cuidar do nosso mundo interno.

Em finais de ciclo os adultos têm o hábito de sentar e contemplar o desastre (ou não) que foi a vida deles. E se lamentam sem compreender e se definham e se interrogam sobre a engrenagem  que os levou ali aonde não queriam ir. Os mais inteligentes transformam isso no gás para o recomeço por atalhos diferentes.
 
Li certa vez esse trecho em um belissimo livro:
"Uma juventude tentando rentabilizar sua inteligência, espremer como um limão o filão dos estudos e garantir uma posição de elite, e depois uma vida inteira a se indagar com pavor por que essas esperanças desembocaram numa vida tão inútil." 

Somos programados para acreditar no que não existe, porque somos obrigados a ser feliz. Mas ser feliz para mim é o mesmo que ser feliz para você? Claro que não. E descobrir isso é fundamental para que sigamos firmes independente das inúmeras inseguranças que nos acenam para 2016.
 
E que Deus nos abençoe a todos.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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26/12/2015 às 10h49m


Repensando

Vésperas de natal. Comércio em alta, vai e vem de pessoas trombando na rua, engarrafamento de trânsito, consumismo de todas as formas.

Noite de natal. Reunião de família e amigos, comida e bebida em excesso. Poucos se lembram de proferir uma oração, mesmo que silenciosa, para o "Aniversariante do dia."

Li uma vez uma reportagem a respeito de uma pesquisa que afirmava que final de ano é a época em que mais se definem relações – seja de união ou separação.

Compreenssível que pedidos de casamentos se formalizem nessa data já que a família se encontra reunida. Mas divórcio? Pois é.

Divórcio segue por outra linha de raciocínio. Na reunião familiar há muitos casais, você olha em volta e observa os mais variados comportamentos entre eles. Enquanto alguns dançam colados, se olham nos olhos, encarnam o maior chamego, outros seguem noite à dentro, se entupindo de álcool e comida, sem nem ao menos saber qual a cor da roupa de sua companheira. Entre esses dois tipos de casais, alguns estão casados há muitos anos e continuam verdadeiramente juntos. Outros, nunca estiveram de fato juntos, ou se estiveram, acabaram se perdendo pelo meio do caminho. Nesse momento uma reflexão forçada é feita e relações serão redefinidas.

Sabiamente escreveu Saint-Exupéry, no Pequeno Príncipe "O significado das coisas não está nas coisas em si, mas sim em nossa atitude com relação a elas." E dessa forma, cada um de nós dá às festas de fim de ano, com suas reuniões nababescas e barulhentas, o significado que queremos, que podemos, ou que temos coragem de dar. 

Eu ainda acho que é uma  oportunidade maravilhosa para analisar, repensar, e por que não olhar para o lado, observar os casais e a partir disso repensar se você está feliz, se seu relacionamento te satisfaz, se tem ao seu lado o companheiro que gostaria, se tem o afeto que merece. 

Talvez muitos sigam escolhendo a comodidade de dar o mesmo significado da grande maioria e apenas encarar as comidas e bebidas da noite de Natal,  esquecendo  todo o resto. Mas alguém pode optar por uma nova atitude e olhar para fora, comparando com o que carrega do lado de dentro, fazendo uma opção consciente para o próximo Natal. 

Seu companheiro pode até não saber a cor do seu vestido porque está te olhando nos olhos, mas nunca porque te esqueceu no canto da sala ao sair para encher o copo de uísque, só lembrando da sua existência no final da noite quando te levou embora, dormiu ao seu lado e fizeram amor(?), apenas por costume e não mais por escolha. 

Um brinde à sua felicidade!  


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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17/12/2015 às 15h03m


Quando Deus sinaliza

E eu voltei a assentar, sem mais me preocupar com o quarto. Eu precisava chorar. Coloquei os óculos escuros, recostei-me na confortável cadeira daquela recepção lotada de pessoas elegantemente vestidas (como as pessoas se produzem tanto para ir a um hospital? (Vai ver eu é que beiro mesmo ao desleixo, com meus eternos tênis e jeans). Minha mãe se foi e eu não rezei dessa vez. Só chorei. Senti uma compaixão inexplicável pelo mundo, pelas pessoas, por mim mesma. É uma vida de tantas perdas... essa de todos nós. Muitas vezes desejei sentir menos. Ou, quem sabe nada. Eu queria chorar ali só pela minha mãe. Mas chorei pela moça que estava ao meu lado e que acabara de saber que não poderia ser mãe. Chorei pelo porteiro do hospital que me contou que o filho drogado lhe deu um tiro em um momento de fúria. Chorei pelo bebê lindo que recebia alta, depois de três dias de UTI. Tão pequenino. 

Quando o ano vai terminando percebemos que não foi nada fácil, nem para mim e nem para milhares de pessoas. Nunca me acho vítima, só fico exausta buscando as lições. Errar os mesmos erros é um poderoso aniquilador da auto confiança. 

A primeira coisa que digo aos meus alunos é que se emocionem sempre. Eu não saberia fazer diferente. A dor do outro é a minha. Sempre será. Por mais que isso me imbecilize aos olhos de muitos. A cada dia tenho mais convicção de que isso aqui é ínfimo perto do tanto que nos espera nessa imensa existência que todos protagonizamos. Então, de que me importa os olhos dos outros? 

Fui para rua, caminhar, sem me importar com o que seria feito das malas e travesseiros. Um senhora estava sentada pedindo esmola. Eu estava com uma estranha sensação que por vezes me acompanha, de que tudo é uma grande ilusão. Eu, o mundo, e aquela indigente. Poderia ser ela a angustiada por causa da mãe no centro cirúrgico e eu ali, a pedinte, em seu lugar. Ou seria mesmo assim? Nesses momentos, perco os poucos limites que me centram... Afinal quem sou eu? Acho que fiquei parada olhando por tempo demais, o que a levou a me perguntar porque eu tinha chorado. Eu acho que falei algumas coisas desconexas que nem me lembro. Ela, então, me deu uma medalhinha de São Jorge e tinha lágrimas nos olhos. Lembrei de Rubem Alves que diz "Não vemos o que vemos, nós vemos o que somos. Só veem as belezas do mundo aqueles que têm belezas dentro de si". Ela tinha a beleza. No meio da miséria. Como uma flor no pântano. Ela se preocupou com um semelhante, ela se emocionou. E é assim, desse jeito, que Deus sinaliza para mim nas poucas vezes em que acho que vou perder as forças.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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10/12/2015 às 10h18m - Atualizado 17/12/2015 às 14h09m


Latinha de Refrigerante

Quando criança eu adorava brincar de significado/significância - olhava para uma latinha de refrigerante  e imaginava o que mais ela poderia ser além de uma latinha de refrigerante - um carrinho, um foguete, um cachorro. E nada me escapava,  era divertido reinventar as coisas. De alguma forma segui fazendo isso. 

A destreza com que recoloco, transfiro, remanejo acontecimentos e pessoas  em minha vida ainda me surpreende. A segurança com que convido alguém a ocupar o topo da minha alma é a mesma usada quando estendo-lhe a mão e convido-a a descer e se retirar. Eu me concedo sentimentos de segurança. Ainda sou um pouco dona do meu universo. Além do que, me é inerente o sentir-me extremamente livre. Desconheço dependências, e,  nas poucas vezes que digo "preciso de você" assusto-me e recuo. Sei que não preciso, apenas quero. Eu sempre vou seguir, independente das pessoas. 

Quando o dia nasce, nasce com ele outro de mim, em um processo diário de reconhecimento "do ser e do vir a ser". Para mim, o segredo para se viver bem é adaptar-se. Minha capacidade de adaptação é imensa. Quando eu era casada, temia dirigir na estrada, detestava fazer compras de mercado sozinha, tinha preguiça de levar o carro para revisão e não concebia a ideia de dormir sozinha. Com poucos dias de solteira fazia tudo isso com a mesma naturalidade com que abro meus os olhos pela manhã. As ideias e as pessoas só me fazem falta enquanto concedo-lhe esse direito, mas no momento em que eu decido, tudo que era deixa de ser, e confesso, que até eu me assusto com a solidez que isso se dá. 

Eu tenho sonhos, claro, mas muitas vezes desfaço-o ainda no ar, imagino que é tão frustrante quanto abortar o lançamento de um foguete, mas da mesma forma, necessário. Meço muito bem se o ganho possível é maior que o prejuízo provável. 

Eu ressignifico o mundo que me cerca ou me reinvento para esse mundo, calmamente, enquanto tomo um sorvete. A frase do  crítico francês Andre Gide -"As coisas apenas valem pela importância que lhes damos"  norteia minha vida e relações. É simples viver. Difícil é quando se faz resistência à vida. A maioria vive do que virá - serei feliz quando alguém chegar ou alguma coisa mudar. Fatores externos nunca deveriam ser determinante ao bem estar de alguém. Isso é óbvio. Basta ver exemplos  mostrados na TV - a mãe que perdeu seus 4 filhos em uma tragédia natural, abriu uma creche para cuidar das crianças que ficaram órfãs, e conta isso com sorriso no rosto, enquanto a outra perdeu o marido na mesma tragédia e tentou o suicídio.

Dependência gera controle. Controle é sempre ilusório. A conquista, seja ela de que natureza for, só se dá verdadeiramente, quando se oferece a liberdade. A mão que liberta é a mesma que recebe. 

Sempre vou transformar minha latinha de refrigerante em um móbile bem bonito, porque minha vida quem cria sou eu. Esse poder é somente meu.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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02/12/2015 às 09h10m


Desatenção

Desantenção é um perigo. 
Quando damos conta, o tempo passou, e,  nos atropelou com sua urgência.
Muitas vezes nos sentimos donos de algumas verdades, talvez nem seja um ato consciente. 
Em um tremendo contra senso, defendo a não existência de verdades únicas, e de modo imperativo expunha as minhas. Mas essa lucidez não me chegou aos poucos. Não acordei um dia e pensei "Ih! me acho sabichona demais e isso é terrível!" 
Nunca somos portadores de tamanho reconhecimento de nós mesmos, apesar de que eu busco muito por isso. 
Como dizem por aí "miséria pouca é bobagem" e a miséria humana, como praga, está espalhada por toda parte, e eu, claro, não escapei. 
É miserável quem vive na escuridão que é desconhecer-se. O homem desfila sua inconsciência e  alimenta essa sociedade permissiva. E assim seguimos em uma retroalimentação negativa.
Eu achava que me mantinha alerta. Nada disso. Como disse, desatenção é um risco. Aumenta a inevitável vulnerabilidade humana, e quando por um "santo" motivo qualquer você é despertada, entende quanto tempo perdeu tentando ser quem não era, vivendo uma vida que não acreditava, fazendo apostas alheias como se fossem suas. 
Raramente quem você é, encontra-se onde você está.
O caminho de volta é doloroso, dificílimo, mas pontual. 
Só vive a rica experiência de se reerguer do chão  quem já esteve nele. E, mais dia, menos dia todos estaremos estatalados lá. 
Enquanto a humanidade optar pelo caminho mais fácil e preferir sempre "estar" ao invés de "ser", será assim. 
O curso natural da vida segue, e você não encontrará atalhos para se refugiar o tempo todo. Chegará o momento que fugir se tornará impossível e aí, boa sorte a todos!


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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26/11/2015 às 10h22m


Adaptar é preciso

Acabei de ler "Super Cérebro" de Deepak Chopra e fiquei com uma série de pensamentos acerca do assunto. Muitas conjecturas, probabilidades e zero de conclusão, como todo tema que não pode ser mensurado pela ciência ou colocado à prova. 

Einstein defendia o poder de adaptação do cérebro como forma de viver melhor e desenvolver ao máximo suas potencialidades. Nisso eu concordo. 

Adaptar é muito mais do que necessário, é na verdade, a única forma de obter uma existência pacífica em um mundo recheado de surpresas.

Ouvi a vida inteira que "não adianta fazer força conta o jeito", "aquilo que não tem remédio, remediado está".  E daí por diante. 

Até que li aquilo que mais me convenceu "Relaxe, nada está sob controle". Pronto. Achei o que buscava. Temos controle de que em nossa vida? De nada...  Abrimos os olhos pela manhã sem sequer imaginarmos o que nos aguarda naquele dia. Todos fazemos planos, mas é somente para nos organizar, porque não há mínima certeza de iremos cumpí-los. 

Quando um problema surge no caminho revoltar-se contra a existência dele é em vão. Ele já está ali. Você pode arregaçar as mangas para encontrar uma solução ou blasfemar contra ele, contra Deus, contra o mundo. Pode também apenas deitar e chorar. 

Pode ser que ele nem tenha solução, mas você continuará tendo opções: aceitar o fato ou, novamente, deitar e chorar. Ou seja, você sempre terá a escolha de como se posicionar perante o problema que te invadiu. 

Revoltar não é sábio.

É inteligente adaptar-se a existência de um incômodo até passar pelo processo de decidir como resolvê-lo ou chegar a resiliência de aceitá-lo.  

Uma coisa é fato – alimentar emoções negativas já é o começo para fazer as escolhas erradas. Bloquear as boas emoções é fatal.

Um bom começo para tudo é entender que viver pede, antes de qualquer coisa, adaptação. 

Para lutar e vencer ou aceitar que não há solução é preciso coragem. E, seja qual for o desfecho será preciso adaptar-se para seguir em frente e viver, senão feliz, pelo menos em paz consigo mesmo e com o mundo.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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19/11/2015 às 11h03m


A relatividade nas relações

É impressionante como toda a humanidade tem a capacidade de relativizar quando o assunto é amor. Minimiza evidências, dá férias ao senso crítico, enterra a sete palmos todos os tipos de avisos, até mesmo os mais frontais. De início vem o susto, a revolta e a raiva. Jura que jamais o perdoará caso tudo aquilo seja verdade. E vem a fissura por encontra-lo para tirar satisfações e "lavar a roupa suja". E se consome imaginando a cena dos dois juntos. "Será mesmo verdade?" E pega o calendário e verifica dia a dia. "Ele me ligou nesse dia?" "Chegou mais tarde em casa?" E corre para o celular para olhar as mensagens de SMS e conferir se coincidem com algum dos "dias" da possível traição. E enquanto espera a hora da verdade (que sempre será uma mentira, porque bem lá no fundo você sabe que ele jamais confirmará nada), você ainda finge para si mesmo que dessa vez não passará! Dessa vez você tomará uma atitude! E, inconscientemente torce para que as "mentiras" dele sejam bem convincentes para que você possa fingir para si mesma com a maior veracidade possível. Afinal, em uma relação onde sempre haverá traição, ser iludida é fundamental. E aí ele aparece - cheiroso, cheio de saudades, te olha dentro dos olhos, afaga seus cabelos como só ele faz, fala baixo, te abraça forte e renova as juras de amor, como sempre. "Que alívio!" 

Falou de amor, fica tudo bem. Prometeu mais momentos a dois, fica tudo bem. Planejou os mesmos projetos futuros, fica tudo bem.  Mas e todas aquelas evidências? E a outra?

"Que evidências?" "Que outra?"

"Escuta essa voz..." " Sente esse beijo..." "Esse olhar no meu..."

"Outra"? "Se tem outra, não me conte por favor..."

"Ah... ela só me disse isso porque estava com ciúme..." "Tudo isso tudo é puro ressentimento dela...". É... faz sentido... afinal, o que não faz sentindo quando se quer que faça sentido? Tão fácil acreditar quando se quer acreditar. É essa predisposição que garante ao outro se safar uma, duas, dez vezes... Ou melhor, ele não se safa de nada, porque ele não fez nada, pelo menos nada que o outra já não saiba. Ele "apenas" se encontra com outras, faz amor com outras, jura amor também a outras, mas quem disse que ele mente quando faz tudo isso também com você? Não importa o que ele faz com a outra, importa o que ele faz com você. Não é assim? Sim e não. Depende somente de você. Ninguém está certo ou errado. Importa é ser feliz. O que para uns é migalha, para outros é uma farta refeição. Ele fala, promete, planeja, enfim, renova os votos, e se isso te basta, te faz feliz por mais um tempo, ok. Muitas vezes eu queria conseguir esse "desprendimento", não da fidelidade, porque não sofro desse mal, mas de me permitir iludir.

Há muitas conjecturas quando o assunto é a dobradinha amor e traição. Bobagem... Para esse cenário basta um sofista (meia boca) e um coração apaixonado e tudo se resolve.

Ilusão é fundamental! Aplausos para ela!


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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11/11/2015 às 17h51m


Síndrome do coração partido

Desde que a ciência tomou conta da humanidade espremeu a arte em um canto qualquer, dentro e fora de nós.  

A arte nos ensina, nos torna humanos, nos emociona mas a cada dia a ciência nos rouba a arte. 

Nos primórdios da humanidade, médicos eram os alquimistas os curandeiros -  artistas que nos tocavam a alma, nos convidando a buscar em nossas emoções, a cura para os males do nosso corpo.

A medicina atual aprendeu com a ciência a fragmentar todo os orgãos. Coração é coração e fim de papo, como se batesse fora daquele peito, longe das emoções e  dos problemas que acometem aquele corpo.

Quantas casos existem de pessoas que perdem um ente querido e em seguida sofrem uma parada cardíaca? O coração reage a tudo: bate mais forte, dói, chora. Ocorre que a ciência decidiu retirar o coração do centro das emoções dando esse cargo ao cérebro. Mas não deu certo.

Faz um tempo que esse modelo tem sido questionado. 

Li que no dia 11 de setembro, e dias após, dezenas de pessoas sadias sofreram um ataque cardíaco.

Assisti a uma reportagem onde mostram médicos e cientistas japoneses afirmando que em muitos casos de ataques cardíacos, não havia nenhuma obstrução dos vasos que oxigenam o coração. E, ainda assim observaram uma lesão localizada no coração – similares a um ataque cardíaco. Só que, ao contrário do infarto, passado um tempo o coração era totalmente recuperado.  Eles nomearam essa doença de tako-tsubo, para nós a "síndrome do coração partido".

Estive outro dia no hospital onde uma senhora chegou gritando por causa de uma forte dor no peito. Logo que entrei perguntei ao médico sobre aquela senhora, e ele me disse que os primeiros exames mostraram que ela não tinha nada no coração e brincou comigo, provando sua sensibilidade: "deve ser dor da alma".  Perguntei a ele o que se faz nesses casos e ele me disse que ele se sente cada vez mais impotente, e delegam aos "tarja preta" a responsabilidade pelo alivio.

Enfim, a ciência está com sérios problemas perante essa "síndrome do coração partido" e é óbvio, que não será ela a resolver esse problema.

Talvez o único caminho seja cada um repensar seu papel dentro desse mundo insano.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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