03/05/2016 às 08h28m


Desistir é um ato de coragem

Quem desiste é fraco. É covarde.
Nossa cultura nos impregnou com essa ideia totalmente errônea. 
Além de injusta. 
Há imensa relatividade contida aí. 
Quem desiste de completar uma série de exercício pode ser considerado fraco, mas quem desiste de um passeio ciclístico porque não se sente bem é precavido, e não covarde. 
Se você descobre que está no caminho errado é obvio que deve desistir e passar a trilhar o caminho que, naquele momento, é considerado o mais correto. 
Ao se tomar uma decisão sempre nos deparamos com a necessidade de refletir sobre a desistência.
Sempre que você desiste de algo que é ruim para você a desistência perde sua "fama negativa" e passa a ser algo positivo.
Na vida é preciso fazer intermináveis escolhas até porque, não temos tempo para fazer tudo o que queremos, ou para conquistarmos tudo o que desejamos. É sempre preciso definir nossas preferências e prioridades. 
Toda escolha envolve desistência. Se você decide por A, terá que preterir B. 
Ninguém está livre do fantasma da desistência, e mais vale encará-lo com aceitação do que torcer o nariz sentindo-se fraco por isso. Não é fácil fazer escolhas e, muitas vezes, desistir é um ato de extrema coragem.
Tantas vezes melhor seria manter-se na zona de conforto, empurrando aquela situação com a barriga a realizar mudanças e abrir mão de uma situação. Até porque para muitos existe a preocupação de admitir publicamente a desistência. O que os outros vão pensar a respeito de sua atitude? 
A desistência tem uma injusta fama negativa. Mudar de ideia, de rumo, de vida, de amor, de crenças é um ato corajoso empenhado por poucos. 
Desistir de algo para priorizar outra coisa é recomeçar, e recomeços são para poucos. 
Se o mundo vai te julgar fraco, covarde, incompetente pelo fato de você mudar de ideia, cabe refletir sobre o quanto a opinião alheia tem poder sobre sua vida.
Decidir pede reflexão, humildade, sabedoria e coragem. Nunca se saberá o resultado se não tiver a ousadia de tentar. 
Viver é a soma de nossos empenhos e de nossas desistências.  


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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20/04/2016 às 10h05m


Mudança são necessárias

A vida é assim...todos os dia, ao acordarmos, fazemos uma escolha - do que vestir, do que calçar, de onde ir. Escolhas básicas que não envolvem ninguém, que não, nós mesmos. Mas existem outras escolhas que teremos que fazer inúmeras vezes, para o resto de nossas vidas, e que sempre envolverão alguém. 
O fim de um relacionamento, por exemplo, envolve você, o outro, os filhos, a sua família, a família dele. São anos de convivência que deixam a sensação de fracasso. É muito difícil. 
Aliás, quase toda mudança traz dor, porque nos tira da zona de conforto (graças a Deus!).
Zona de conforto é um perigo para cairmos na infelicidade. Na vida é preciso ousar, arriscar, se atirar seja em que idade for. 
Em uma separação você vai sofrer, vai sentir falta dele, da família, dos programas, e o outro também vai sofrer. Mas passa. Tudo passa. 
E também tudo pode ter voltar. Só o tempo perdido é que não volta. 
E a maior perda de tempo é viver uma vida que não se quer mais viver por falta de coragem de mudar. É manter-se ao lado de alguém por medo, pena, comodidade.
Muitos casais seguram a relação querendo evitar o sofrimento do outro. 
Se você chegou a conclusão que não quer mais manter a relação, seja por desamor, descompasso, diferenças incontornáveis, então pelo amor de Deus! Não prenda o outro! Solte-o. Ele achará o caminho dele sem você. Ninguém pode ser tão pretensioso a ponto de se achar imprescindível ou insubstituível. 
Muitas vezes, quando pensamos que perdemos é a hora em que mais ganhamos. 
É preciso dar ao outro a chance de ser amado inteiramente por outra pessoa. Afinal, se não mandamos nem mesmo nos nossos próprios sentimentos, quem somos nós para nos acharmos no direito de decidir sobre a vida sentimental do outro?


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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12/04/2016 às 11h01m


Ter sentimentos por outro é traição?

Mais do que um dilema do coração, nutrir sentimentos de afeto por duas pessoas ao mesmo tempo vai contra as convenções sociais.
Mas estar interessada em outra pessoa não significa que você não ame mais o seu parceiro, e sim que por uma série de motivos sentiu-se atraído ou apaixonado por outro. 
Um fato é inegável - isso só acontece quando em seu relacionamento atual há uma falta.
Se não há deficiência na vida a dois, não haverá lacuna exposta, não haverá vazios, as portas estarão lacradas. Ninguém entra.
Mas se houver uma falta, um dia qualquer, alguém chega para preencher  uma necessidade que para você é importante, ainda que até o momento do encontro, você sequer percebesse. Pode ser que o outro te olhe diferente, te valorize mais, ou te ofereça sensações novas.
Difícil é contornar essa situação sem se magoar e nem magoar o outro.
Manter uma relação com duas pessoas deve ser um grande sofrimento mas para as mulheres, certamente, é ainda pior pois a cultura e a educação falam mais alto para o sexo feminino. Enquanto a traição masculina é aceita - e até esperada –, a feminina ainda choca. Quando acontece, é escândalo na certa. Somos seres sociais e externamos o que a sociedade nos ensina. 
Enfim, como diz Sartre "Estamos condenados a ser livres".
Continuando no dilema de uma coração dividido, o fato é que não nos conhecemos tão profundamente para saber o que podemos vir a sentir, mas quando você está amada e feliz, sela seu sentimento e sua relação de forma natural.  Quando aparece outra pessoa, é porque as pequenas mágoas que vamos acumulando e que eram gotinhas, viraram um mar.
Nada é simples. 
Impossível fugir das culpas. Mas é importante fazer uso da razão e lembrar que numa relação os dois são coautores e responsáveis. 
Procurar compreender seus sentimentos e o que faz ou não sentido para sua vida é fundamental para poder estar em paz com você mesmo e, num segundo momento, decidir um rumo. Ou deixar como está.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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29/03/2016 às 10h24m


Tolerância x Intolerância

São Tomás não foi pueril quando descreveu que a tolerância era paciência mediante as imperfeições.
 
A origem da palavra tolerância vem do latim - tolerare – que significa acolher alguém, ser indulgente para com os outros. 

Ao longo da história esse termo foi sendo encaixado em variadas situações e uma delas com Lutero e a Reforma, o termo ganha conotação de cunho religioso, era preciso tolerância religiosa para que católico e protestante convivessem. Já no século XIX surgiu a "casa de tolerância" onde a prostituição era tolerada pela sociedade da época. 

A relação de tolerância e intolerância foram construídas ao longo da história, por isso temos a história da intolerância religiosa, da intolerância sexual, intolerância política etc, etc, etc.

Todos sabemos o que é ser tolerante e intolerante, mas poucas vezes refletimos sobre isso. As palavras são expressões de nossa própria realidade,  de sua feiura ou beleza. Esses dois termos são acompanhados de extensa carga emocional. 

A palavra intolerância tem uma carga negativa com poder de modificar o equilíbrio psíquico, nos levando a buscar aliados, passamos, assim, a ter emoções coletivas em relação a determinados grupos de pessoas que pensam e se comportam diferente do nosso grupo. Nesse momento abandona-se a razão - agressões são proferidas e até crimes cometidos.  Deixamos de ser irmãos, e passamos a adversários. 

E tudo acaba por ser entendido como uma provocação pessoal. A irritação que o outro provoca é capaz de despertar zonas de agressividade desconhecidas, e vemos pessoas perdendo o bom senso e o respeito necessário a vida em sociedade.  

Nesse momento político em que vivemos, estamos testemunhando nas ruas, nas redes de televisão e, principalmente, nas redes sociais, o desfacelamento da humanidade solidária que deveria viver em todos nós. Vemos a violência física, emocional e verbal destruindo relações cordiais, e até mesmo de afeto, e na pior das hipóteses destruindo vidas daqueles que se tornaram objetos de nossa intolerância. O próximo já não é mais reconhecido como semelhante, e sim como diferente, por ter posicionamentos contrários ao nosso. 

Tolerar é  "aguentar" o outro com suas diferenças sejam elas quais forem. É preciso tolerar para não eliminar o outro. É preciso tolerar porque é fundamental a civilidade para a convivência social. É preciso tolerar porque somos todos imperfeitos. É preciso tolerar para que alguém também não venha calar a sua voz, ou ameaça-lo ou ofendê-lo. Tolero porque apesar dos pesares o outro que me incomoda pode ser a minha sombra.

Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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15/03/2016 às 08h05m


Cada um ama e aceita o amor que pode

Se você ousa se julgar o parceiro perfeito para o outro porque faz tudo que ele quer. Se está a postos para o momento em que ele te "convoca". Se sabe que ele não gosta de água nem muito gelada e nem muito quente. Se deixa que somente ele escolha quando e onde vocês vão, todas as vezes que saem e morre de medo que a relação de vocês termine porque não imagina sua vida sem ele, meus pêsames.  
Sim, meus pêsames, porque apesar de eu defender que cada um tem uma forma de amar, uma coisa é inegociável: se você não se amar antes de qualquer coisa, não será jamais amado e nem respeitado pelo outro. Se você não sabe o que merece, qualquer  "merreca" será suficiente.
Amores de migalhas não nutrem e quando você se dá conta, está quase morto de fome. 
Você se contenta com uma colherzinha de um brigadeiro quando está de frente a uma panela cheia? Ou apenas com um picolé de côco quando está dentro de uma sorveteria naquele calor escaldante? É muito querer para muita covardia né não? 
Amores precisam ser inteiros. Eu desconheço meio namorado, meio casamento, amar só um pouquinho ou quando lhe convém. Essa coisa de andar a margem e viver de metades não deixa ninguém em paz. Muito menos feliz.
O problema é o medo. Que petrifica, engessa, impede de mudar o rumo. Medo de ficar ainda mais só do que já está. 
A crença mais errônea que um longo tempo de relacionamento "meia boca" deixa, é de que você não tem mais capacidade de fazer com que outro alguém te ame de verdade. Então, se é assim, deixe como está. Afinal, muitos preferem o "antes ruim do que só."
Solidão a dois é o pior veneno que há. Derrama carências. É um ciclo vicioso de expectativa seguida de frustação. A cada "não", um nó na garganta. Você vai sendo consumido aos poucos e quando  se dá conta, já não se reconhece mais. Só se enxerga a partir do olhar do outro. Deixou de ser quem sempre foi e passou a acreditar ser aquela pessoa que mereceu toda desantenção que, cordialmente, seu parceiro lhe presenteou ao longo tempo. E você aceitou.
Enfim as pessoas só fazem conosco aquilo que permitimos. Nada de vítima ou algozes. Cada um segue amando e sendo amado como quer. Mas uma coisa é fato  - amor, gosta mesmo é de amor.




Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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04/03/2016 às 08h54m


Facebook

Facebook é vitrine, é escola, é barzinho na esquina, é tribunal de justiça, é palanque eleitoral, é confessionário. 
Não é bom, nem ruim, é apenas eco de nós mesmos, como tudo que nos cerca. 
Aqui somos surpreendidos com boas coisas. Bons dias, boas citações, belas fotos, belas declarações de amor, alguns encontros, surpreendentes reencontros. 
Também aqui nos decepcionamos. Às vezes com a falta de sensibilidade alheia, e também com o excesso dela.
Aqui sentimos raiva, afeto, curiosidade. Choramos e rimos.  
Aprendemos.Ensinamos.Distraímos.
Para muitos o facebook serve como um diário de sentimentos e emoções. 
Aqui recebemos flores quando nosso terreno está árido. Mas nem sempre... Como é também na vida real. 
Ultimamente, juntamente com a famosa "limpa" de final de ano onde são retirados roupas e livros que não se usa mais, há também a limpa dos amigos do facebook. Hora de um balanço sincero, onde saem aqueles que você descobriu que não eram de verdade e ficam as gratas surpresas descobertas através daquele bom dia diário, daquele comentário no momento  certo, daquele in box perguntado se poderia te ajudar. Tudo que é feito com o coração, seja frente a frente ou atrás de uma dela de computador, é percebido.
Aqui descortinam-se sentimentos e palavras que, provavelmente, jamais teriam a chance de se apresentar. 
Aqui muitas coisas deixam a coxia e entram no palco. 
São vidas entrando em outras vidas. 
No facebook descobre-se pessoas especiais que se fazem presentes em dificílimos momentos com palavras de ânimo. Eu, muitas vezes interpretei tudo isso como se fossem mãos segurando as minhas. 
No fundo, a tela fria do computador nos leva a saber, com o tempo, quem é quem e os que devem permanecer. 
Assim como na vida real, "quem é de verdade, sabe quem é de mentira". 


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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23/02/2016 às 09h27m


Amores

Ontem ouvi algo sobre "amores modernos". Que seriam eles? Amores não seriam sempre amores? Sem importar a década, a idade, o gênero?  
Não sei defini-los, mas arrisco a dizer que sei o que são. 
E o que não são. E como importo que sejam para mim. 
Amores mornos, que se perdem na mesmice de dia e horas marcados, certos de que são sólidos porque vivem de agenda com rotina precisa, não me interessam. 
Os amores que se mantêm de pé porque se seguram na lembrança do que viveram e na esperança do que voltarão a viver, não me convencem. 
Amores são talhados no presente, nas imprevisibilidades do que precisa ser conquistado dia a dia. Amores seguros de si tornam-se desinteressantes. 
Amores que não te fazem contrair e expandir são entediantes. 
Uns não abrem mão de ter um relacionamento, outros não abrem mão do amor. Uma coisa é diferente da outra, ainda que por vezes andem juntas. 
Amores previsíveis se esvaziam e a gente murcha por dentro. 
Mas discordo terminantemente de brincar de amor. Se brincar, deixou de ser amor. 
Amor é para brincar, mas não é brinquedo. Amor é coisa séria ainda que seja essencial que nos faça rir. 
Li nessa mesma entrevista que "A verdadeira fusão não é a de duas pessoas que se amam – é a de duas pessoas que se exploram." 
Exato. 
Se você chega a um ponto de saber tudo, de não ser surpreendido mais, de não ter caminhos a descobrir no outro. Para que ficar?
Amores precisam ter o poder de desconcertar. De deixar sem jeito, sem saber para onde olhar. De não ter a certeza de nada, a não ser da reciprocidade do sentimento. E para valer, é preciso que seja assim para sempre. Ainda que o para sempre, possa acabar.
Amores não podem ser úteis, não podem tornar-se um costume, não podem existir para dizer que temos um. Amores não devem fazer sentido. Só devem ser sentidos.
Devem ser aquela prioridade boa dentro do dia a dia corrido e, ainda que impossível de ser vivido, sempre precisa ser valorizado como os amores são. De outro modo, não são.
Como lindamente escreveu um novo autor  português de quem me esqueci o nome:
"Eu quero explorar-te toda. Eu exijo explorar-te toda. E sem sequer direito a indemnização ou discussão. Explorar-te toda. E exijo – Deus te livre de não o fazeres – ser explorado todo. Não deixes nada por tocar, nada por sentir, nada por escravizar. Não deixes nada por viver: nada por me viver. Faz de mim o teu tudo. É isso que te ordeno. Faz de mim o teu tudo. E é tudo."


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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11/02/2016 às 16h37m - Atualizado 11/02/2016 às 17h56m


Crédito e débito no amor

Você conhece uma pessoa, depois de muita conversa descobrem-se amigos, confidentes, cúmplices. Seguem a conferir o outro lado da moeda e fazem sexo, e tudo corresponde à inevitável expectativa de quem já se desconfiava apaixonado. Pouco tempo depois, essa miscelânea de afinidades torna-se amor.  Em um otimismo contumaz, acreditam a cada dia mais que foram feitos um para o outro. 
Ela se surpreende com seu bom humor e capacidade de superação nos momentos mais difíceis. Sem contar que ele resolver todos os seus "pepinos".
Ela, por sua vez, se debruça naquela receita de bolo que ele adora. 
Amor é isso.
Um dia ela fica doente.  Prova de fogo para uma relação. Semanas sem sexo, sempre de camisola, deitada, descabelada. E ele ali. Incansável. Pediu licença do trabalho .
Amor se conquista ou se desperdiça é no dia a dia.
Foi a vez dele adoecer, e ela retribuiu dando o seu melhor, mantendo-se tão presente quanto ele. Nada nunca soou como sacrifício para nenhum dos dois.
Muitos créditos acumulados para ambos.
Porque amor para valer a pena,  tem que haver doação dos dois, em igual proporção.
Ninguém é capaz de fazer alguém feliz por obrigação. 
Quando um homem faz uma mulher feliz é porque ela também o faz feliz. 
Dizem que relação duradoura precisa de um banco de crédito onde se deve lançar mão quando algo não vai bem. 
Discordo. 
Crédito é saldo extra. Não me imagino "creditando" nada na conta do amor que o outro me dá e nem pedindo que "credite" na conta do amor que lhe dou.
Dedicar-se para ver o outro feliz, dizer "é por isso que eu te amo", fortalece a união, mas não garante bônus nenhum! Ele te dá, você devolve, e vice-versa.
A única obrigação que um casal tem é a de ser feliz. 
Tentar minimizar atitudes que te machucam dizendo a si mesmo que o parceiro merece crédito porque  todo relacionamento a dois "é assim mesmo", é no mínimo desrespeitoso com aqueles casais que são, realmente, felizes.
Relação saudável é feita de troca, onde ambos estão sempre quites, e por isso não sobra e nem falta nada para ninguém.
O que pode haver é débito quando insistem em manterem-se juntos depois que já se magoaram. 
E dívida de relacionamento se cobra das maneiras mais perversas...
Será que vale a pena insistir? 
Quem sabe é melhor assumir o fim daquele projeto de vida, por mais difícil que seja? 
Não existe relacionamento que sobreviva à falta de cuidado.
O crédito do amor é receber amor. E não abater erros.
Nada apaga o que já doeu. 


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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02/02/2016 às 08h07m


Ando improdutiva

Ando improdutiva. Tentando entender mais do que nunca, tudo e nada. Sempre tive dificuldade de me distrair da vida. 

Cedo compreendi que viver pedia seriedade. 

Não sei andar a margem, sempre mergulho e, às vezes, nado deliciosamente enquanto noutras, me afogo. 

Nunca consegui aprender o que me era ensinado como acontecia com todos os meus colegas e irmãos. 

Eu sempre queria saber mais. Mais "por que", mais "como assim", mais "mas... e se". 

Não fui criança. Não tive tempo ou não quis, não sei... 

Comprometi-me cedo demais com a vida que ganhei e que buscava a todo custo entender porque ganhara, e o que deveria fazer com aquele presente. 

Por muitos anos sofri por não me permitir ser enquadrada, até que um dia entendi que seria melhor viver sozinha a viver em equipe. 

Rejeitei qualquer norma, vivia dentro de um eterno quarto de castigo, por tudo e o tempo todo, enquanto dia a dia meu pai chegava em casa e falava: "Mas de novo? O que ela aprontou dessa vez?" Enquanto minha mãe, histérica, narrava algum fato típico protagonizado por quem acreditava que viver ia muito além do que aquilo que lhe era ensinado. 

Sozinha busquei respostas e conclui que viver é tentar se equilibrar entre muito destino e pouca escolha. Enfim, jamais adiantaria  colocar a culpa das intempéries sobre os ombros de alguém.

Decepção foi a lição mais difícil de todas, mas mesmo isso não poderia ser aliviado apontando o dedo a outrem. Afinal, só nos decepcionamos porque colocamos expectativa. E ainda continuo me decepcionando. Mas também sigo me surpreendendo positivamente porque em tudo na vida, há dois lados .

Coragem foi minha ilustre companheira. Sempre me atirei de peito aberto para só depois ver como ficava. Nada me travou. Minha mãe dizia "quando você tiver filhos vai conhecer limites". Tive,  segurei nas mãos deles e continuei indo. 

E ainda continuo indo. "Mesmo  sem saber o que irei fazer, continuarei caminhando". 

Por longo tempo temi não suportar a pressão e ceder ao que seria mais cômodo e me tornar apenas mais uma nessa manada humana que segue sem rumo, obediente a comandos externos, a maioria sem nenhum significado. Todos seguindo o que é certoe chegando a lugar nenhum... E o que é certo?

Por vezes, tenho medo de cansar de acreditar nas pessoas. Mas apesar das dores, dissabores e desamores, sou genuinamente crédula da alma humana e do amor. Ninguém é perfeito. Todos erramos. A diferença está na essência. A grandeza está em não desejar o mal a ninguém.

Apesar de tantos pesares ainda creio que todos temos o bem dentro de nós, e creio que o amor existe apesar de muitas vezes errarmos o endereço e falharmos em reconhecer isso. 

Em minha existência não cabe culpa e nem revolta. E muito menos medo. Há sorrisos para todos; basta ter olhos para ver.

Viver pede ousadia, quem busca excesso de paz, perde o melhor da vida.

Plagiando Clarice Lispector:
"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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26/01/2016 às 07h54m


Fakes nem sempre falsos

Facebook estima que 83 milhões de perfis cadastrados sejam fakes. Traduzindo, os falsos.

Vários universos envolvem essa realidade. Ou várias realidades criam esse universo.

Pessoas com baixa estima usam esse artifício, como meio para extravasar seus sentimentos ruins e destilar o seu veneno. Com dificuldade de se relacionar, se mascaram para azucrinar a vida do outro. Afinal de contas, ser feliz ao lado de pessoas reais torna-se, cada dia mais, uma glória conquistada por poucos. 

Muitas se excitam ao saber que com o uso de um perfil falso, conseguem arruinar a vida de alguém. Eu fui vítima de uma dessas pessoas. E tomei por regra jamais aceitar entre meus amigos, um fake. Aliás, tomei pavor de fakes.

Nos grupos sobre política, por exemplo, há mais fakes do que em qualquer outro universo. Eu os considerava a todos, covardes. 

Mas eu percebo o mundo através das pessoas e das palavras, preferencialmente pessoas e palavras que sejam desconcertantes, pois é essa imprecisão que me fascina. E então, inexplicavelmente, decidi aceitar conversar com um fake. Não aceitei seu pedido de amizade, ele não está entre meus amigos pessoais e nem estará, mas a partir dele fui abrindo a guarda, e entendendo que no quadro político atual, para quem ainda é honesto e visa o bem comum, é preciso lançar mão de Maquiavel. 

Fakes políticos: ganância e poder, crueldade sem limite, interesse individual massacrando o coletivo que deveria ser o único fim. 

Então, a partir desse perfil falso (que para mim continua falso, porque sequer imagino quem esteja por trás dele) entendi o surgimento de outros fakes políticos, com o intuito de proteger a cidade contra coisas muito graves que aconteceriam, caso não houvesse a atuação e resistência desses fakes. E tive a oportunidade de derrubar o preconceito de que todos  são covardes.

Eu tenho uma colega de trabalho que vivia afirmando isso,  pois  envolveu-se emocionalmente com um deles, pela fala, pelos posicionamentos, pelas conversas a dois antes sequer de imaginar quem estava por trás daquele personagem. Creio que tenha se apaixonado, ainda que nunca tenha me dito isso. Considerei-a louca. Mas também sei que a capacidade de racionalizar é inversa às delícias de se apaixonar. Os menos racionais se atiram e se machucam, mas em compensação vivem mais. Aplaudo os corajosos porque nas relações a dois, quem se guia só pela razão, um dia vai sair em busca do que ninguém jamais poderá devolvê-lo – o tempo que ficou congelado, as emoções não vividas, as luas cheias que não foram olhadas, os abraços que não foram trocados.

E então, na política ou no amor vai o meu viva para os fakes do bem. E que Deus os proteja de todo mal, amém!


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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