03/02/2017 às 15h59m


Odeio

Odeio a palavra odeio – feia e pesada.
Mas assim mesmo eu odeio.
Odeio shopping.
Odeio livros de autoajuda.
Odeio barata.
Odeio o social.
Ainda bem que posso escolher não ir ao shopping, não ler livros de Louise Hay, esmagar a barata, e assumir minha antipatia.
Odeio gente que, de repente, passa a se interessar pela procriação das formigas africanas só para impressionar alguém. Gente que era limão e se torna mel só o tempo de realizar uma conquista. Gente que nunca leu nem bula de remédio e se passa por um literata buscando ser admirado. Gente que finge gostar de política para impressionar. Gente que compartilha citações alheias sem colocar aspas.
Odeio gente que finge que acredita (e eu faço isso).
Odeio gente carente.
Odeio gente dramática(e eu sou).
Odeio gente autossuficiente(e eu sou).
Odeio gente que ama intensamente e deixa de amar com a mesma intensidade(e eu sou).
Odeio-me às vezes. Amo-me na maior parte.
Odeio não compreender as coisas(e não compreendo um monte).
Odeio chantagistas (e não me convencem nunca).
Odeio quem não olha nos olhos.
Odeio quem chora porque se faz necessário.
Odeio gente que acha tudo normal.
Odeio gente que não se arrisca.
Odeio gente que perdoa, mas não esquece (eu nunca esqueço)
Odeio levar susto. 
Odeio ingratidão e odeio quando sou ingrata.
Odeio quem usa óculos e ao mesmo tempo brinco grande.
Odeio gente de alma medíocre.
Odeio unha com adesivo.
Odeio beterraba.
Odeio gente que fica em cima do muro
Odeio quem age por conveniência.
Odeio quem foge da luta.
Odeio quem reclama de tudo.
Odeio um monte de coisas que eu não consigo consertar em mim, mas amo minha incansável disposição em reconhecer e tentar.
Dou-me por satisfeita por não odiar ninguém (ainda que despreze alguns).
E que atire a primeira pedra quem não odeia 


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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18/01/2017 às 16h57m


Cuide do seu amor

No dicionário uma das definições de relacionar é estabelecer relação ou analogia entre coisas diferentes.
Conviver com as diversidades exige empenho. 
O fato de amar o outro não suplanta as diferenças, por vezes sutis, que tanto dificultam o romance. Viver a dois exige extrema dedicação. Amar pede além do amor.
Tantos parceiros solicitam frontalidade quando eles próprios não se encaram no espelho. Pedem verdade que são incapazes de oferecer.
Relacionamento é uma via de mão dupla. Quando há acesso obstruído e um dos dois continua tentando prosseguir, sempre encontra um atalho em forma de desculpas, enganando a si mesmo, porque o amor é teimoso. Mas o esforço constante esgota o ânimo daquele que luta para manter o caminho a dois transitável. Um belo dia, quem garimpava gretas, cansa-se, e o fluxo é definitivamente interrompido. É chegado o fim.
Amor não sobrevive no vácuo. Perde o viço por falta de alimento.
Se o outro gosta de sentir-se importante para você, porque não fazer com que você também se sinta especial?
Ninguém é dotado de um reservatório que lhe permita só doar sem beneficiar-se. E, se para receber for necessário cobrar, é o fim anunciado, ainda que demore a acontecer. 
As diferenças para sempre existirão, mas há coisas que são básicas – quem se dedica quer dedicação. Existem certas obviedades no amor.
É preciso levantar os olhos para além do próprio umbigo. 
Quando quem resistiu anos empenhados em uma relação unilateral  diz "findou-se" é inevitável o fim. Por anos esteve de lupa em punho, perseguindo frestas para a luz entrar, abrindo fendas por onde passar, mantendo viva a relação de um só, teimando crer que era dos dois. No amor, sozinho, nunca se vai longe. 
Todos estão preparados para ser amados, mas nem todos estão para amar.
Se aqui você se sente assim, pare de adubar solo infértil. Siga por uma via de mão dupla. Você vai encontrar alguém vindo em sua direção.
Caso você tenha uma feliz  história de amor, fique atento. Não caia na cilada do hábito e do tempo. Nada resiste à falta de cuidado. Nunca haverá garantia, nem terreno totalmente sólido. Nada  permanece para sempre seu, a não ser que você se dedique para isso.
Gestos dizem muito... Palavras bem menos.
Não importa se você não gosta de dar flores, dê colo.
Como cantam por aí: 
"Cuide bem do seu amor
Seja quem for..."


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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06/12/2016 às 09h44m


O que fica quando tudo passa.

Quanto meu segundo casamento acabou cheguei a acreditar que a gente morria de amor, mas não morre. Pior que a dor são os planos jogados fora, aumentando ainda mais o insuportável vazio na alma. Saudade do que foi torturando o que poderia ter sido. Mas, as noites em claro,  a dor e a angústia que pareciam eternas passaram, e sai muito mais fortalecida, como todos que passam por essa amarga experiência. 

Nunca me forcei sorrisos mostrando que eu estava bem, também nunca fiquei cantando minha dor pelos quatro cantos do mundo. Mas vivi meu luto com prazo marcado - três meses. E foram meses cinzas sem conseguir enxergar beleza em nenhuma flor. Como combinado comigo mesma, no 91º dia (que eu ia cortando no calendário), abri a janela e o céu me abraçou. Eu estava pronta para recomeçar. 

Não me abriguei no primeiro abraço, nem me entreguei ao primeiro beijo que me apareceu. Mas tinha claro para mim que não me fecharia para a vida. Era eu só um tempo meu. 

Nesse período tive um encontro especial comigo e descobri coisas que meu ex marido me dizia e que guardo comigo para todas as vezes em que alguma situação tenta me tornar menos do que realmente sou. 

Que sou engraçada, mas n sou lá muito simpática. Tenho épocas especificas para ouvir clássicos e mpb. Sou distraída a ponto de tentar entrar em um carro preto sendo o meu, vermelho. Livros são os únicos que poderão trair as pessoas a quem prometo fidelidade. Xingo mais do que deveria (para tristeza da minha mãe).  Meu colo é o melhor do mundo e sou fiel, como poucos seres humanos. Lembrar do que meu ex marido sem nenhum tipo de rancor, me permite lembrar que ele dizia que minha comida era deliciosa, e ele tinha razão. Tinha razão quando dizia que minha risada era contagiante e que viajar em minha companhia era algo inexplicavelmente bom. Tinha razão quando dizia que estar ao meu lado era ter ao mesmo tempo uma mãe, irmã, professora, mulher, amante. Tinha razão quando dizia que eu era  a melhor motorista que ele já conhecera, mas que me perdia até mesmo dentro da minha própria cidade. 

Dizia que eu era especial e que merecia ser a pessoa mais feliz do mundo.

Acertou em quase tudo, e modéstia à parte sou especial mesmo. E  apesar de eu não me perder mais na minha cidade, continuo errando de carro. Xingo bem menos e agora, ouço quase sempre só clássicos, mas ainda continuo tendo o melhor colo do mundo. E também continuo sendo excelente companhia para viajar. Mas envelheci e descobri que atitudes me importam muito mais do que palavras (logo eu, que fazia questão de flores e frases bonitas), que livros são infinitamente melhores companhias que as pessoas (podem até me decepcionar com uma história ruim, mas nem assim eles mentem). E apesar das outras quedas que se seguiram à separação (porque viver é isso), eu nunca deixarei um bloqueio impedir que coisas boas cheguem até mim, as desilusões(sejam de que natureza forem),  não podem ser maiores do que as possibilidades de boas coisas. E nem maiores do que eu ou do que você.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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24/11/2016 às 20h32m


Axiologia dos valores

Alice está perdida, andando naquele lugar e, de repente, vê no alto da árvore o gato. Só o rabão do gato e aquele sorriso. Ela olha para ele lá em cima e diz: 

"Você pode me ajudar?" 
"Sim, pois não." 
"Para onde vai essa estrada?" pergunta ela. 
"Para onde você quer ir?" ele respondeu com outra pergunta
"Eu não sei, estou perdida" ela disse.
"Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve" diz o gato.

É isso que o homem faz quando investe ilimitadamente no que é efêmero e dedica, quando muito, brevíssimos sopros de vida, ao que é perene.  

Mas quais valores são perenes? Depende de tantas coisas... Muitos consideram a fé perene, mas quando a vida vem e lhe derruba, abandonam-a na primeira esquina. Creio que valores mudam, como tudo na vida - quem valorizava o sucesso na juventude, valorizará a saúde na maturidade. 

Estudando sobre  axiologia, pensei em mim. 

Percebo que meus valores pouco mudaram ao longo desse quase meio século de vida. Fui uma jovem "velha"- responsável e preocupada. Sempre muito focada nos valores que poderiam me acrescentar como ser humano e que, geralmente, são os mesmos que eu poderei carregar comigo quando eu for embora daqui para sempre. 

Viver pede seriedade.Não estamos aqui a passeio.  Mas poucos pensam nisso. 

O ser humano só fica saciado até a página 2, depois precisa de mais e mais e mais. É um poço sem fundo. E sem rumo. E, como consequência, solitário.

Deseja o carro do colega, o cargo do patrão, a casa de praia do vizinho. 

Quando consegue o almejado carro do colega, já deseja o do patrão, quando conquista o cargo do patrão, quer o do diretor, quando paga a última prestação da casa de praia quer o iate. Quando forma a sua família com filhos saudáveis e uma companheira leal, sente falta de novidade e vai atrás de conquistar outra mulher, e coloca tudo a perder. 

Quando estiver doente, provavelmente, desejará não ter bebido tanto, não ter fumado tanto, não ter trabalhado tanto. 

Quando envelhecer solitário lamentará ter priorizado as novidades efêmeras ao invés da segurança de um amor leal e tranquilo.

Eu quase sempre sei o que quero. E brigo comigo mesmo para fazer menos cursos, trabalhar menos, ler um pouco menos; e poder voltar a escrever mais, a olhar para o nada,  a silenciar e voltar a me ouvir mais.  Às vezes sinto muita falta de mim.

Quero envelhecer colhendo o que plantei. Cercada daqueles que fiz por merecer a companhia. Da lealdade daqueles a quem respeitei. Quero envelhecer ouvindo música, olhando a lua e lendo Fernando Pessoa. A maturidade me fez valorizar como nunca, a paz - o meu bem mais precioso. Estar sozinha ou acompanhada não é mais importante para mim - a sorte de um amor tranquilo, deixo com Cazuza.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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24/08/2016 às 17h32m


Por onde seguir?

No livro "Alice no País das Maravilhas", Alice pergunta ao gato que caminho deverá tomar dali em diante. O gato diz: "Depende do lugar aonde você quer chegar". Quando Alice responde que pode ser qualquer lugar, o gato retruca: "Então não importa que caminho você vai tomar".
Então...  por qual caminho seguir? Quantas vezes essa pergunta assombrou as nossas vidas? 
Sinais são grandes aliados. 
É preciso tomar decisões, é preciso medir os passos. 
Pensar mil vezes. Pensar antes de agir. Pensar antes de falar. Pensar no outro -  um outro como alguém que um dia já fomos ou podemos vir a ser.
Nada é por acaso. Destinos se cruzam.  Pessoas vêm e vão. 
Somos feitos de todas essas pessoas que  passaram por nossas vidas. Fomos marcados. Marcamos.
Tudo o que somos, devemos - a nós, aos outros, às emoções vividas: desde as mais doces até as mais tristes. 
Devemos aos livros que lemos, aos filmes que vimos.  
Hoje, somos invariavelmente melhores do que ontem.  Festejemos. 
Ser maleável, entender que a vida é só uma passagem ajuda muito. 
Treinar a serenidade. 
Observar os sinais que nos mostram onde devemos ir, quando devemos dar marcha à ré, para onde não devemos nem tentar seguir. 
Estar atento aos sinais que a vida nos dá diariamente nas pequenas coisas, gestos, atitudes e acontecimentos evitará dores.  
Corremos tanto que ignorarmos esses sinais, negligenciando oportunidades valiosas de trilharmos caminhos menos torpes.
Os sinais podem ser sentimentos, pessoas, um livro, um segundo de distração. 
O segredo para interpretá-los? O coração. A intuição.
Sempre existirão dores, sofrimentos, angústias, inveja, preconceitos. A caixa de Pandora foi aberta há séculos e os sentimentos que rodeiam a humanidade sempre serão os mesmos. O que muda é o contexto. O que muda sou eu e você.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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02/08/2016 às 13h21m


Descrever o que é o amor é quase impossível

Descrever o que é o amor é quase impossível. Quando digo que amo só descrevo superficialmente o que sinto. As variadas manifestações da linguagem não são capazes de definir esse sentimento. O amor surgiu para ser sentido e não para ser compreendido.  

Eu não gosto disso. Passo a vida buscando códigos que possam descrever o amor, ou me fazer compreendê-lo, mas esses sempre perdem o sentido. Há imenso abismo entre os sentimentos do coração e sua expressão através da fala. 

O discurso do amor foge da lógica e se encontra na poesia. Como fazer? Através de mitologia, metáforas, antropomorfismos? Pode ser.

De qualquer modo, qual autor nunca tentou descrever o amor? Tentativa vã e viciante. 

Platão há mais de trezentos e cinquenta anos antes de Cristo, afirmava que o ser amado é a nossa outra metade há muito tempo perdido. Mas em pleno século XXI, esse negócio de "a outra metade da laranja" já foi superado. Graças!

Mas uma coisa eu creio – só amamos o que nos completa e nos permite uma busca inconsciente e impossível da inatingível perfeição.  

A mitologia diz que "o homem é apenas parte, mas busca inconscientemente recompor uma totalidade. Por isso, é um ser insatisfeito por natureza. Sua vida consiste numa busca incessante pela felicidade. É nessa busca pelo amor que ele pretende superar sua carência, angústia e insatisfação diante da existência."

Isso poderia explicar tanta insistência em manter relações desgastadas, apagadas pelas mágoas, pelos abandonos, pela falta de cuidado. "Tá ruim, mas tá bom." É como se estar com alguém aplacasse as dores da existência... Ainda que traga outras.

O amor é uma busca constante para aplacar a carência. O amor  busca sempre  a satisfação que nem sempre vem, e a maioria finge que não vê. 

O amor é calculista, engenhoso, não se detém diante de nada, nem mesmo diante dos perigos - perigo da relação não dar mais os frutos que você desejou, perigo de se saber mal amado, mal cuidado, rebaixado... E ainda assim... ficar. Ficar porque amor é carência e astúcia ao mesmo tempo. O amor floresce e vive, morre e renasce, sempre astuto, sempre pobre e infeliz.  O amor é uma busca constante para aplacar a dor da falta. E enquanto for assim, vive-se na falta.

Segundo a mitologia, o amor conjugal é a união entre  Eros (amor sexual) e  Filia (Amizade). Podemos desejar o corpo  ou  desejar o espírito. Ou os dois juntos, o que seria encontrar o raro paraíso.

Aquela que quando acaba o sexo surge o desejo de dispensá-la, porque muitas horas juntos, zera o assunto e fica chato. É limitada. A outra que poderia se passar horas conversando com ela. É agradável, amável e profunda.

O amor de Eros é fisiológico, sexual, diz respeito ao desejo e à atração. Já o amor de  Filia é sereno, equilibrado, constante, incondicional, altruísta. Sem Eros e Filia não há relação amorosa. Desejo e amizade são produtos e ingredientes do amor. Encontrar os dois em uma mesma pessoa é um grande e raro presente!

Se faltar um desses dois não há amor. O amor é uma grande afeição entre duas pessoas, ausente de interesses, cuja finalidade é a doação de si mesmo, a gratidão, o afeto, a tolerância, o zelo,  a amizade, o desejo e a paixão.  

E, boa sorte!
 

Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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13/07/2016 às 09h15m


Homem objeto

"Um homem-objeto, desses descartáveis, e, de preferência, com mil e uma utilidades. Nada de vínculos sentimentais. Juras? Só a de estar de prontidão para servir sempre que necessário. Afinal, usar, abusar e jogar fora não é mais exclusividade masculina há tempos."

Li isso em um site feminino e fiquei a pensar no quanto de verdade temos aí.

Quantos relacionamentos daquele tipo "ele não tem nada a ver comigo, mas eu vou ficando" existem por aí?  Ou porque pensam diferentes sobre todos os assuntos, ou porque possuem gostos antagônicos, ou porque ele fala "menas", ou porque a relação já está totalmente desgastada. 

Então, ele fica de 'stand by' sendo solicitado para ajudar quando surge algum problema ou para dar uns amassos e algo mais". 

Muitas mulheres gostam da sensação de ter um homem sempre à mão. 

Creio que muitos aceitam esse papel de "objeto de uso", enquanto outros se enfurecem e outros se surpreendem. Como fala Rafael (nessa mesma reportagem) a respeito de sua última namorada com quem ficou por 10 anos. "Com o tempo fui percebendo que ela não gostava mais de mim, mas sim de transar comigo ou de me chamar para ajudar a resolver problemas. Nossos programas não saíam do circuito motel-casa. Nada de rua, nada de amigos, nada de passeios. Ela dizia que gostava de mim, mas era só a gente sair da cama que ela virava uma pedra de gelo. Só faltava virar pro lado e me dizer: pode bater a porta", conta ele.

Todo mundo avisava, mas Rafael demorou a acreditar que, dessa vez, o iô-iô era ele. "Eu achava que era o jeito dela, mas com tempo vi que o que ela queria era manter sua vidinha morna, de solteira, sua individualidade, tendo um cara pra transar quando desse vontade. Era óbvio mas, como todo homem que passa por isso, custei a me dar conta. Caí de idiota", admite aborrecido.

Na verdade nós sabemos que os homens não pensam duas vezes antes de usar uma mulher e, agora, as mulheres estão fazendo o que os eles sempre fizeram. Não creio que há vantagem nisso. Mas elas dizem que sim.

E a utilidade dos homens-objetos não se resume às quatro paredes, mas a troca do gás, a companhia em viagens a trabalho, a carregar compras, a segurar bolsa, a buscar e levar o filho ou a mãe em algum lugar.  

Eu não sei como funciona essa relação com um homem-objeto, mas creio que se apaixonar por ele seria o ideal para ser feliz.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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28/06/2016 às 09h06m


Sobre amantes

Terminado um livro sobre um belo sentimento de uma mulher pelo seu amante que também nutria um belo sentimento, só que pela esposa, senti imensa vontade de fazer algumas considerações para essa "classe inexistente", mas real: as amantes.
O grande erro das amantes é achar que ele não ama a mulher dele só porque saiu com você. Ele pode apenas estar passando uma fase difícil ou sofrendo com o tédio dos anos de relação e se divertindo, mas a prioridade é ela. 
Amante não ocupa nenhum posto, não ostenta nenhum titulo que não seja "boa de cama".
Aposto que em um momento de raiva você já pensou ao vê-la na rua "Lá vai a corna". 
Ok, é corna mas é ela que dorme na cama com ele, é corna mas tem prioridade em tudo que ele faz, é corna mas quem decide onde e quando ele sai, é ela (inclusive é ela quem decide quando você sairá com ele), é corna mas ele faz tudo o que ela manda.  E você? 
Aprenda: a grande maioria dos homens trai. Trai por insegurança, por carência, por vingança, por raiva, enfim, trai porque a esposa não estava lhe dando o devido valor.
Mas amor de verdade e dedicação… Ahhhh, isso você não tira do marido de ninguém!
A amante é chamada de vários codinomes. Ela é "viagem a trabalho", "ida ao clube", "jogo de futebol", "saída com amigos". Amante tem variadíssimos nomes. Menos o da certidão de nascimento. Amante passa por um processo de despersonalização.  
Mas é bom deixar a hipocrisia de lado,  é preciso admitir que qualquer pessoa pode se envolver em um triângulo amoroso, e isso não quer dizer que ela seja, necessariamente, uma vadia desprovida de moral.
Pior que a ilusão da esposa em acreditar que não é traída é a ilusão da amante em acreditar que um dia terá o homem casado só para ela. 
As relações humanas são complexas demais e não podemos rotular as pessoas. Existem histórias com final feliz, mas a realidade mostra que a maioria dos finais é cheio de feridas, como o do livro que acabei de ler hoje.
Se alguém pedir minha opinião sobre ser ou não amante de alguém, opinarei com uma pergunta "você tem perfil para amante?" E qual seria esse perfil? Creio que deva ser de uma mulher desapegada, descolada, cujo interesse seja apenas sexo e curtição, que não se importa se o amante almoçou, se tomou o remédio, se está bem, pois se envolver qualquer sentimento está fadado ao fracasso, por que sentimento leva a apego, e apego é algo que a amante não tem direito, amante não pode sequer ter ciúmes. 
É impressionante a quantidade de mulheres românticas e com sonhos de formar uma família que se perdem nesse papel. Amante não tem direitos, não tem vontades, não tem escolha, alias só tem migalhas deixadas por outra mulher que será sempre a primeira escolha dele.
Não vai aqui nenhum juízo de valor sobre certo ou errado, apenas sobre a falta de perspectiva de futuro que vem junto com a posição de amante. 
Se você optou por ser amante, esqueça sonhos de vida a dois, esqueça as noites vendo TV e dormindo juntinho, esqueça a mão sobre as suas nos momentos difíceis da vida. Nada disso te pertence. É tudo somente da esposa. E por mais que você faça por esse homem, por mais que você se preocupe com ele, se dedique a ele, se doe só para ele, nada, nada, nada mudará isso. Porque ninguém pode amar duas pessoas, sendo assim, a esposa será sempre o amor, e a outra, apenas a outra.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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14/06/2016 às 09h34m


Pelo menos de vez em quando

Hoje, perante o desastroso cenário nacional, juntamente com o tempo frio e uma imensa dificuldade em entender coisas que andam acontecendo comigo fui tomada por uma vontade imensa de passar o dia sem julgar. 
Nem mesmo o japonês da federal. 
Descobri que não sei quem é Biel. Fui buscar informação com minha faxineira, enquanto almoçávamos juntas (odeio socialismo, mas nunca duvidei de que vamos todos acabar sob a terra). Descobri que esse pseudocantor foi mais um macho a desrespeitar uma mulher. 
"Uma jornalista, acho"  disse Maria. 
Então, até agora não sei ao certo. E nem me interessa mais. 
Ando fugindo de qualquer leitura sobre essa telenovela mexicana das feminazi. Minha paciência se esgotou com esse conservadorismo ignorante. 
"Feministas me perdoem: mas vocês são um porre!"
Mas nem mesmo a elas (que tenho graves problemas em acompanhar raciocínios quase sempre ilógicos, a meu ver), vou julgar.
Penso em cada pessoa que está por aí. Desde Lula - se vai preso ou não, meu ídolo da juventude (quando a inocência era minha parceira) até Sarney que nunca me cheirou bem. 
Nem a eles vou julgar. Só por hoje.
Hoje não vou julgar a aluna que, às vésperas de realizar o Enem me perguntou se "Plantão" morreu antes de Hitler. Nem o aluno que ao ser questionado sobre um ícone da música citou Wesley Safadão.
Talvez eu esteja com imensa vontade de julgar uma montanha de casais. Véspera de dia dos namorados costuma me dar essa vontade de catalogar cada casal e analisa-los, um a um, como se esse ato fosse me ajudar a compreender porque tantas pessoas aceitam o que eu nunca aceitei, e são felizes assim. Ou não são? 
E daí? Não tenho nada com isso. Hoje não vou julgar ninguém. 
Não vou julgar nem aquela atendente da loja que me introduzindo, displicentemente, em uma conversa com a colega de trabalho, se virou para mim e disse: "você não acha, que antes mais ou menos bem acompanhada do que só?" Claaaaaaaaaaaaro que não, meu bem. Mas apenas sorri. A duras penas.
Nem a democrata Hillary Clinton fazendo discurso sobre desigualdade social vestindo um Armani de 12 mil dólares, vou julgar.
Quem é cada uma dessas pessoas? Do Lula ao Biel, da atendente da loja aos casais felizes ou não? 
Não sei nem quem sou eu. Quantas histórias cada um carrega. Quantas mortes e renascimentos? 
Eu sou julgada. Eu julgo também. Mas hoje não. 
Porque resolvi lembrar daquilo que eu sempre soube - que nós somos aquilo que restou de todos os pedaços que levaram de nós. E só por isso, pelo menos de vez em quando, merecemos não sermos julgados.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

Tags relacionadas: desrespeito - sociedade - cultura - governo


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24/05/2016 às 08h54m


Deixe o passado no passado

Há lugares para onde nunca mais devemos voltar. 
Jamais.
Não volte aos desacertos, aos velhos atalhos, aos teimosos descaminhos. É preciso aprender.  
O passado deve permanecer no passado, do contrário, se tornará eterno presente. 
Não insista na solidão a dois, nos sonhos já desfeitos, no lar que se desmanchou, nos planos que foram picotados dia a dia por quem deixou de amar. Há situações que não comportam ponto e vírgula. 
Encerre. 
Deixe o que passou no passado, do contrário se tornará sempre presente.
Não retome as promessas quebradas, o relacionamento que magoou, o abraço vazio, o dar sempre e receber só de vez em quando. 
Queira mais. Use a balança. Não acumule faltas. Todos merecemos a reciprocidade. 
Deixe as lembranças no passado, do contrário continuará sendo presente e atravancará seu futuro.  
Não abra a porta novamente aos amigos hipócritas, aos amores vazios, àqueles que lhe traíram, aos que lhe foram desleais. Não dê chance para que aquele que lhe decepcionou, lhe decepcione outra vez. Queira perto quem sabe somar, quem lhe traga sonhos novos e arranque batidas fortes no seu coração.  
Relacionamento é alegria e respeito. 
Abra a porta para que aqueles que lhe sugaram possam ir.  
E feche-a definitivamente.
Não volte a situações que lhe achatam os sentidos, que são incapazes de reconhecer sua essência, que nunca te elogiam, que te usam e criticam e pedem, sem lhe dar nada em troca. 
Não seja coadjuvante de sua história. 
Busque um presente onde possa atuar como personagem principal da própria vida. 
Ou será apenas um eterno passado. 
Sem presente. 
Sem futuro.


Autor: Marcela Gonçalves de Sousa

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