07/03/2015 às 08h54m


Rápido, rápido, rapidinho...Os Guitarristas mais velozes do planeta!

A guitarra sempre teve um papel de suma importância na música e mais especificamente no rock. Ninguém duvida que o bom e velho rock n´roll é um estilo dominado pelas guitarras, sejam elas mais pesadas, mais viajantes ou mesmo com um toque de swing.

Até a metade dos anos 80, por mais que o guitarrista fosse evidenciado dentro de uma banda, seu instrumento sempre estava inserido dentro de um contexto musical. Mesmo as peripécias virtuosas de Eddie Van Halen, que assombrava o mundo com sua técnica absurda, vinham acompanhada de letras e claro, de toda uma estrutura musical.

Foi então que surgiu um sueco apaixonado pelo Deep Purple e por música clássica, que respondia pela alcunha de Yngwie Malmsteen, e que subverteu completamente o uso da guitarra no mundo do rock e da música. O instrumento nunca mais seria visto da mesma maneira a partir do seu aparecimento.

Seu primeiro trabalho solo intitulado "Rising Force", saiu em março de 1984. Quase totalmente instrumental, o guitarrista usava e abusava de arpejos e escalas,  todos tocados na velocidade da luz. Seu primeiro trabalho caiu como uma bomba no mundo da música, estando presente na lista dos melhores discos lançados naquele ano, e conseguindo chegar ao top 60 da Billboard, uma marca impressionante pra um disco instrumental que quase não teve apoio ou divulgação de sua gravadora.

A partir de então, uma série de guitarristas denominados virtuosos começaram a encher o mercado com seus discos de música instrumental cheio de solos e firulas, muitas vezes privilegiando muito mais a técnica do que a música em si. E se engana quem pensa que este virtuosismo se ateve a esfera instrumental, bandas que possuíam vocalistas também incorporaram em suas formações guitarristas virtuosos. Na verdade, pode se dizer que o estilo denominado Shred (Termo usado para denominar os guitarristas que aliavam técnica a velocidade) se espalhou como uma praga pelo mundo da música, podendo ser visto desde bandas de hard rock (como no caso do Mr. Big com Paul Gilbert), até em bandas de um estilo mais extremo como o black metal (como ocorreu no Morbid Angel com Trey Azagthoth).

Com tantos guitarristas privilegiando a velocidade e técnica em detrimento da melodia, é óbvio que foi colocado no mercado muita coisa ruim e de baixa qualidade. Porém, abaixo fiz uma seleção dos melhores trabalhos instrumentais lançados por estes músicos, velozes como os pilotos de formula 1.

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1 – Yngwie Malmsteen – Rising Force, 1984: Um verdadeiro marco na história da guitarra, este disco pode ser considerado um divisor de águas quando o assunto é seis cordas. Malmsteen conseguiu unir clássico e rock em temas impressionantes, e tudo tocado em um velocidade assombrosa. Ao lado de Yngwie, feras como o experiente baterista Barrimore Barlow (Ex Jethro Tull e Robert Plant band), e o tecladista Jens Johansson (tecladista que viria a ser famoso por integrar as fileiras do Stratovarius), ajudavam em todo o instrumental intenso e rebuscado. Um Cd absolutamente essencial.

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2 – Joe Satriani – Surfing With The Alien, 1987: Satch, como é conhecido entre os amigos, foi professor de feras como Steve Vai e Kirk Hammet (Metallica). Com um pedigree destes, o guitarrista começou sua carreira solo em 1986 com "Not Of This Earth". Mas foi só no ano seguinte com o lançamento de "Surf With the Alien" que o músico obteve seu reconhecimento merecido. Apesar de técnico e virtuoso, o Satriani dá uma abordagem diferente o seu instrumento, utilizando-o como se fosse linhas vocais. O instrumental também é diferente: como sua guitarra já bastante técnica e virtuosa, Joe opta quase sempre por melodias mais simples de baixo e bateria, conseguindo assim angariar um público muito maior que simples aspirantes a guitarrista. Este trabalho foi indicado para o Grammy como melhor disco de rock instrumental e melhor performance de rock instrumental. Um CD irrepreensível.     

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3 – Marty Friedman – Dragons Kiss, 1988: Muito antes de ser reconhecido pelo seu competente trabalho junto a banda de thrash metal Megadeth, o guitarrista Marty Friedman tinha outros projetos, o mais conhecido deles ao lado do grupo Cacophony.  Este seu primeiro disco solo possui um vigor poucas vezes vistos em um disco instrumental. Friedman não se contenta apenas em solar absurdamente rápido, mas constrói também muitos riffs pesados, conseguindo uma parede sonora no mínimo inusitada. Este trabalho foi quase completamente gravado pelo músico, que obteve somente a ajuda do competente Deen Castronovo (Ex Ozzy Osbourne e Journey) na bateria.
 
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4 – Steve Vai – Passion and Warfare, 1990: Steve Vai já tinha feito parte da banda do ex vocalista do Van Halen  David Lee Roth e antes disso integrado  fantástica banda de Frank Zappa. Mas faltava algo para que aquele jovem fosse reconhecido por todo o sua técnica e talento. O músico já havia lançado em 1984 seu primeiro disco solos denominado "Flex Able", e em seguida um pequeno EP de sobras do mesmo trabalho. Mas o sucesso só viria seis anos mais tarde com "Passion and Warfare". Steve, alem de excelente guitarrista é um dos maiorees compositores de sua nova geração. Tal afirmação pode ser comprovada pela sua indicação o Grammy como melhor disco de rock instrumental lançado naquele ano. Das seis revistas americanas especializadas em guitarras de maior circulação nos EUA, Steve ganhou como melhor álbum em cinco delas. A balada "For The Love Of God", presente neste disco passou incessantemente na então nova MTV brasileira, garantindo a Steve o merecido status de músico virtuoso e compositor genial.
 
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5 – Steve Morse - Stressfest, 1996: Steve Morse não veio no pacote dos guitarristas denominados Shred, pois desde a década de 70 o músico se encontrava na ativa liderando o combo de jazz rock chamado Dixie Dregs. Mas Morse resolveu investir nesta linha instrumental/rápida/intrincada/técnica, com sua Steve Morse Band e se saiu muito bem. Qualquer disco solo seu poderia estar aqui, mas escolhi "Stressfest" por se o mais pesado e rápido já lançado pelo músico. Não sei se tal peso tem a ver com o fato de Morse estar recém integrado no Deep Purple, mas a verdade é que o músico nos brinda com verdadeiras "pedradas" do universo guitarrístico. Claro que sendo um membro do Deep Purple, um dos baluartes do rock internacional, deu ao guitarrista uma visibilidade que nenhum outro trabalho teve, daí a importância de se destacar "Stressfest" na discografia do americano. Um diferencial de Steve é usar palhetadas e escalas pouco usuais no mundo do rock, criando temas pesados, mas com influência de jazz, bluegrass e até country. Ponto pra ele que sabe dosar bem o tempero deste caldeiro sonoro.

Você pode ouvir músicas de todos estes guitarristas acessando nosso blog no tumblr:
http://sonsetons.tumblr.com/

Autor: Márcio Chagas

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