15/06/2013 às 07h04m


Cinco Grandes momentos com Djavan

O alagoano Djavan Caetano Viana pode ser considerado, ao lado de João Bosco, um dos mais singulares compositores da música brasileira. O cantor, compositor e violonista mistura em sua música, um acento meio soul, meio jazzy, com improvisos vocais que deixam a música harmonicamente mais rica e swingada. E as letras, ah! As letras... Ninguém consegue falar de amor sem soar piegas, só mesmo Djavan. Por mais despudoradamente romântica que a canção seja, ainda assim sua classe é mantida através dos arranjos criados pela mente sonora do músico e pelo bom gosto na escolha das letras.  É realmente uma qualidade rara conseguir imprimir uma identidade musical tal como Djavan.

Abaixo selecionei os cinco melhores momentos do cantor e compositor, que tem mais de 30 anos de carreira:

Luz – 1982 – Primeiro trabalho do músico criado e produzido fora do Brasil, e que contou ainda com a produção do renomado Ronnie Foster, um dos gurus da soul music da época. E os ares da América do Norte fizeram bem ao músico que compôs aqui boa parte de seus grandes sucessos como "Samurai", que tem a participação de Stevie Wonder na gaita; "Açaí", com uma maravilhosa introdução de baixo do americano Abe Laboriel; A assumidamente romântica "Pétala"; e ainda os semi-hits ‘Esfinge" e "Nobreza". Rodeado de músicos americanos, a maioria ligada ao jazz, "Luz" é um trabalho irrepreensível e que já nasceu clássico.

Ária Ao Vivo – 2011 – Em 2010 Djavan lançou "Ária", seu primeiro cd apenas como intérprete. Na turnê que se seguiu o músico misturou as composições do referido álbum com seus maiores sucessos. Dessa turnê, nasceu "Ária ao vivo", que foi lançado em CD, DVD e Blue Ray no ano seguinte. Acompanhado somente por Torquato Mariano – Guitarra; André Vasconcellos - baixo e o grande Marcus Suzano – Percussão, Djavan desfila seus grandes sucessos com arranjos diferentes, mais classudo, mais jazzístico, e mostra que poucos músicos tem o talento de se reinventar com o passar do tempo como ele. Dos standards interpretados pelo cantor, vale destacar "Fly me to The Moon", do ‘The Voice" Frank Sinatra, e "Palco", imortalizada por Gilberto Gil, mas que se renovou na voz de Djavan. Mais um clássico na discografia do alagoano.

A voz, o violão, a música de Djavan – 1976 – Com um segundo lugar conseguido no festival da Globo com a canção "Fato Consumado", Djavan consegue gravar seu primeiro disco. Um trabalho mais voltado ao samba e ainda sem a verve compositora a flor da pele que o cantor desenvolveria depois. Mesmo assim, neste trabalho, ainda podem ser encontradas pérolas, como a já citada "Fato Consumado", e o samba melancólico com batida bossa "Flor de Lis", que até hoje é ouvida em barzinhos de todo o Brasil. Uma estréia tímida, mas com o pé direito.

Djavan – 1989 – Trabalho que leva apenas seu nome, mas é mais conhecido por trazer o maior hit da carreira do cantor, "Oceano", que nesta versão de estúdio, possui um emocional solo de violão flamenco de Paco de Lucia. A canção estourou na novela global das 19 horas e alçou Djavan a status de estrela da música. Além dela, ainda há "Vida Real" que foi tocada em horário nobre da Vênus platinada. Um trabalho mais pop, mas mesmo assim, feito com muito cuidado e zelo como tudo que é feito pelo músico.

Malásia – 1996 – Um cd mais complexo, com o cantor adicionando um naipe de metais a formação da sua banda. Arranjos mais elaborados e variados marcam esse trabalho. Outra curiosidade é que "Malásia" conta com 3 regravações de outros compositores, ao invés de ser completamente autoral como seus outros trabalhos até então.  Djavan regravou o mais belo samba de Paulinho da Viola, "Coração Leviano"; cantou uma versão linda de "Smile", de Charles Chaplin e, ainda, deu voz a uma canção pouco conhecida do maestro Tom Jobim, "Correnteza", que muitas vezes é creditado erroneamente como sendo de sua autoria.  

A faixa-título com um reflexivo sax e arranjos contemplativos e a quase blues "Que foi my Love", demonstram a versatilidade do trabalho, que mostra Djavan como um profícuo compositor.


Autor: Márcio Chagas

Tags relacionadas: Djavan - música - trabalhos


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